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CRÍTICA | TODO MUNDO EM PÂNICO (2026)

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura


A franquia Todo Mundo em Pânico marcou o gênero da comédia com o seu humor besteirol que satirizava, geralmente, filmes de terror, mas que também não perdoava outros gêneros. Com suas piadas ridículas, e politicamente incorretas que ofendiam todo mundo, a franquia nunca fez sucesso com os críticos especializados, mas o público abraçou esse humor duvidoso, se tornando um sucesso de bilheteria. Os criadores da franquia “Scary Movie”, no original, Marlon Wayans, Shawn Wayans e Keenen Ivory Wayans, comandaram os dois primeiros filmes – os mais lembrados -, e o veterano David Zucker havia dirigido o terceiro e o quarto filmes, que tiveram uma pegada mais leve nas piadas, e ainda teve um esquecível quinto filme que foi lançado anos depois.


Acredito que quando alguém revisitava algum filme da franquia, se perguntavam se um novo filme seria aceito nos dias de hoje, afinal, os tempos mudaram, e as piadas ofensivas que muita gente não dava bola, hoje já seriam canceladas. Foi aí que os irmãos Wayans decidiram reviver a franquia Todo Mundo em Pânico, sem medo do cancelamento, e os fãs estavam na expectativa se o novo filme seria mais “podado”, menos agressivo nas piadas. E a resposta é não. O sexto filme continua com o humor escrachado e ofensivo dos dois primeiros filmes – os dos irmãos Wayans – que marcaram a franquia. A trama principal faz paródia de Pânico 5 e 6, e um pouco de Halloween (2018), mas também satiriza Pecadores, Sorria, A Substância, Má, além de alguns comentários ácidos sobre chatGPT, influenciadores, Covid, entre outros.



Todo Mundo em Pânico 6, mas sem o número 6, mostra que os irmãos Wayans voltaram com tudo e que não perderam o timing cômico ao longo dos anos. Piadas que ofendem minorias, críticas sociais afiadíssimas sobre racismo, diversidade, e a política mundial, aquele humor bobo e imaturo, continua tudo igual. Nenhum filme da franquia é aquelas maravilhas, e isso sempre foi o charme, todos são absolutamente ruins e ridículos, e por isso são bons. Mas o novo filme tem um problema que alguns dos outros filmes tiveram, principalmente o segundo: muitas produções parodiadas, resultando em piadas excessivas e momentos que atrapalham o ritmo da história. Algumas parodias não acrescentam em nada ao roteiro, são avulsas e aleatórias, e realmente sempre foi assim na franquia, mas o problema é que são várias, são diversos filmes que os irmãos Wayans tiram sarro, ficando muito cansativo e repetitivo em alguns momentos. E nem todas as piadas acabam sendo engraçadas.


Um grande acerto do sexto filme foi trazer de volta a dupla mais amada das comédias, Anna Faris e Regina Hall, as eternas Cindy e Brenda. Em todas as críticas do outros filmes que escrevi, sempre disse que elas eram as almas da franquia, e vê-las juntas depois de mais de uma década, é incrível. A sintonia, o timing cômico, a amizade entre elas é o que move a trama, conseguem divertir e tirar as melhores risadas do público, principalmente Brenda, que interpreta a personagem de Octavia Spencer em Má!. Já Cindy agora faz o papel de Jamie Lee Curtis (Laurie Strode) do Halloween de 2018. Todo Mundo em Pânico 6 traz de volta praticamente todo o elenco dos dois primeiros filmes, e isso foi um dos grandes acertos, porém, são aparições breves, mas que trazem bastante nostalgia. O ex-namorado/assassino de Cindy, Bobby, o xerife bobão Doofy, a destemida repórter Gail Hailstorm, o playboy de pau pequeno Greg, o mordomo da mão deficiente, Hanson, de Scary Movie 2, e os seus respectivos atores/atrizes que os interpretaram. E claro, Marlon e Shawn Wayans que também reprisam seus respectivos personagens, o maconheiro Shorty e o “meio homossexual” Ray.



Um dos problemas da franquia eram seus personagens coadjuvantes – mas só a partir do segundo filme – que eram chatos e sem carisma nenhum -. Em Todo Mundo em Pânico 6 isso finalmente mudou. Não que todos esbanjam carisma e tudo mais, estão bem, mas também tem bastante importância porque fazem parte da trama principal envolvendo o ghostface. Olivia Keegan e Savannah Lee interpretam as filhas de Cindy, Sarah e Mardi Campbell, que satirizam as personagens de Jenna Ortega e Melissa Barrera de Pânico 5; aliás, grande parte do elenco novo satirizam os personagem desse filme.


Todo Mundo em Pânico 6 é ruim? Sim, é ridículo. Vale a pena assistir? Sim, vale. O novo filme é divertido, tem as piadas ofensivas e o humor escatológico característico da franquia, traz o retorno dos personagens clássicos, e acerta nos filmes escolhidos para tirar sarro, porém, o excesso de filmes parodiados prejudica o ritmo e as piadas, que acabam ficando cansativas e algumas sem muita graça. No mais, “Scary Movie 6” (mas sem o número 6 no título) é aquele tipo de filme que é ruim, mas que acaba se tornando bom e divertido, e é exatamente essa a proposta, ser ridículo, e ruim de tão engraçado. Não espere muita coisa, vá assistir com a mente aberta e se divirta sem sentir remorso. E fique atento para duas cenas pós créditos que fazem paródia de Nosferatu e Longlegs – Vínculo Mortal, que são duas das melhores piadas do filme.






TODO MUNDO EM PÂNICO


Ano: 2026

Direção: Michael Tiddes

Distribuidora: Paramount Pictures

Duração: 96 min

Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Marlon Wayans, Shawn Wayans,

Olivia Keegan e Savannah Lee.



NOTA: 6,5



 














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