CRÍTICA | TODO MUNDO EM PÂNICO 3
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 11 de abr.
- 4 min de leitura

Até o lançamento do segundo filme da franquia “Scary Movie”, em 2001, os filmes já haviam arrecadados pouco mais de U$ 400 milhões nas bilheterias mundiais, e conquistaram fãs assíduos desse humor escrachado e polêmico, mesmo que os críticos especializados odiassem a franquia. Apesar do segundo filme arrecadado menos do que o primeiro, um terceiro capítulo já estava em produção, porém, a surpresa foi que os criadores (os irmãos Wayans) deixaram o controle da franquia. Motivos? O estúdio não queria pagar o salário pedido pelos irmãos, além da falta de reconhecimento do sucesso que os dois filmes fizeram, pagamentos atrasados, e divergências criativas. Então, Todo Mundo em Pânico 3 acabou ficando nas mãos de David Zucker – dizem os irmãos Wayans que ficaram sabendo que foram “demitidos” pelas notícias nos jornais -.
Mas Todo Mundo em Pânico 3 estava em boas mãos: David Zucker dirigiu outros filmes paródias, como “Apertem os Cintos... O piloto Sumiu”, e os dois primeiros filmes da franquia “Corra que a Polícia Vem Aí” lá nos anos 80 e 90, todos estrelados pelo veterano Leslie Nielsen – que também estrelou “Scary Movie 3” -. Sendo assim, o terceiro filme acabou ficando mais leve, as piadas não tinham aquele apelo sexual dos primeiros filmes, sem polêmicas ou ofensas gratuitas, um típico filme de Zucker dos anos 80. Lançado em 2003, a trama principal de Todo Mundo em Pânico 3 parodiava os filmes Sinais e O Chamado, mas também tinham referências a “8 Mile: Rua das Ilusões”, “Matrix Reloaded”, “Os Outros”, “Força Aérea Um”, entre outros. Na história, Cindy Campbell (Anna Faris) agora é jornalista, e começa a investigar sobre uma fita de vídeo que mata sete dias após quem a assiste. Ao mesmo tempo, uma invasão alienígena começa na Terra, e Cindy precisa descobrir qual é a relação entre esses dois eventos. Regina Hall, Charlie Sheen, Leslie Nielsen, e Simon Rex também estão no elenco.

Com a saída dos irmãos Wayans, Todo Mundo em Pânico 3 acabou ficando mais leve e divertido, um clima bem diferente dos filmes anteriores, mostrando que trocar a direção por David Zucker foi uma ótima escolha. O humor e as piadas continuam bobas e ridículas, mas sem aquele tom sexualizado e agressivo/ofensivo de antes, e isso as tornam mais divertidas – podemos rir sem remorso -. Ainda que tenha um humor um pouco pesado as vezes, como a cena do padre que fica na casa de Cindy cuidando do seu sobrinho (aparentemente com segundas intenções), ou a sequência em que Michael Jackson aparece, parodiando uma cena reveladora de “Os Outros”, o novo filme é muito mais engraçado. A sequência de abertura, que faz uma crítica ao padrão das loiras burras e peitudas dos filmes de terror, é bem melhor do que a do primeiro filme – mas não mais do que a do segundo -, a cena da morte de Brenda (Regina Hall, e sim, ela morre de novo) quando ela briga com Tabitha (que parodia a Samara de O Chamado), e logo em sequência o velório da personagem de Hall, são algumas das mais engraçadas da franquia. Claro que nem tudo é perfeito, e algumas cenas e piadas ainda ficam fora de contexto, servindo mais para encher a trama com mais piadas e filmes para parodiar, mas pelo menos não são constrangedoras.
Outro acerto foi na construção dos personagens: mesmo todos continuando bobos, e infantis, também acabaram ficando mais amadurecidos. Anna Faris e Regina Hall foram as únicas personagens que foram mantidas após a troca dos irmãos Wayans, e isso foi um dos primeiros acertos. Cindy não é mais tão inocente como antes, e toda a sexualização que sua personagem tinha, agora mudou, ela é uma jornalista mais madura – e atrapalhada -, e acaba conhecendo o espontâneo e aspirante a rapper, George (Simon Rex), formando um casal fofíssimo e com toques mais românticos (e sem a sexualização). Por coincidência, a professora da escola do seu sobrinho, Cody, é ninguém menos que maravilhosa Brenda, que aparece muito pouco, mas continua com aquele carisma incrível e divertido, criando – mais uma vez - uma das melhores cenas da franquia. Outra coincidência é que George é irmão de Tom Logan (Charlie Sheen), que tem recebido visitas dos alienígenas em sua fazenda, fato que ajuda na investigação de Cindy. Sheen foi uma das grandes surpresas de Todo Mundo em Pânico 3, satirizando o personagem de Mel Gibson em Sinais. E ainda tem uma participação especial mais recorrente de Leslie Nielsen como o presidente dos EUA, ingênuo e atrapalhado, reprisando sua parceria com o diretor David Zucker.

Todo Mundo em Pânico 3 ainda tem diversas participações especiais e hilárias: Queen Latifah é a Tia ShaNeequa, a Oráculo, e Eddie Griffin é Orfheus, que parodia Matrix Reloaded; o cantor rapper Ja Rule é o guarda-costas do presidente dos EUA (Nielsen), e Kevin Hart e Anthony Anderson são os amigos rappers de George. Ainda tem Pamela Anderson e Jenny McKarthy na sequência de abertura do filme, Denise Richards interpretando a esposa de Tom Logan prensada na arvore, e a curta, mas hilária, participação de Simon Cowell, produtor dos reality shows, X-Factor e Britains Got Talent. No fim, entre interações divertidas com extraterrestres, embate corporal com a garotinha do poço, e as clássicas cenas de atropelamento, o saldo final de Todo Mundo em Pânico 3 é positivo. Comparado com o segundo, o novo filme é mais leve, divertido, e funciona bastante sem as piadas apelativas, sexuais, e de mau gosto de antes. Acerta em trazer de volta Anna Faris e Regina Hall para interpretar as icônicas personagens, também acerta na adição de Leslie Nielsen e Charlie Sheen, e ainda consegue dar uma renovada boa na franquia. “Scary Movie 3” continua divertido, criativo, escrachado, ridículo, e sem aquele clima pesado que ficava após as piadas ofensivas dos filmes anteriores – principalmente o segundo filme -.

TODO MUNDO EM PÂNICO 3
Ano: 2003
Direção: David Zucker
Distribuidora: Dimension Films
Duração: 83 min
Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Charlie Sheen, Leslie Nielsen,
e Simon Rex
NOTA: 9,5
Disponível no Prime Vídeo + Paramount Plus e de graça no Mercado Play















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