CRÍTICA | TODO MUNDO EM PÂNICO 2
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 8 de abr.
- 4 min de leitura

Os irmãos Wayans não esperavam que o primeiro Todo Mundo em Pânico faria sucesso, tanto é que não planejavam nenhuma continuação – até no cartaz americano dizia isso -. O humor escrachado e a paródia dos filmes de terror fisgou o público que a tempos não via uma comédia tão absurda e engraçada, com diversas críticas sociais, e piadas politicamente incorretas que não seriam bem aceitas nos dias de hoje. Com mais de U$ 270 milhões arrecadados do primeiro filme, os irmãos Wayns decidiram lançar uma sequência às pressas, e agora voltam com Todo Mundo em Pânico 2, que deixa de parodiar os filmes de slasher para zombar dos filmes sobrenaturais. Tendo como base principal o filme A Casa Amaldiçoada, a trama de “Scary Movie 2” acontece um ano após os eventos do primeiro filme, mostrando Cindy (Anna Faris), Brenda (Regina Hall), Shorty (Marlon Wayans), e Ray (Shawn Wayans) na faculdade tentando superar os eventos do primeiro filme, quando são chamados pelo professor Oldman (Tim Curry) para um experimento do sono na “Casa do Inferno”. Junto com outros colegas da faculdade, Theo (Kathleen Robertson) e Buddy (Christopher Masterson), o grupo acaba se envolvendo em um mistério que assombra a casa. Chris Elliott, David Cross, e Tori Spelling também estão no elenco.
Todo Mundo em Pânico 2 é mais besteirol do que o primeiro filme, não tem tantas críticas sociais ácidas, as piadas e o humor são bobas e ridículas, mas funcionam – ainda que ficam um pouco abaixo do original. A trama principal da continuação é do filme A Casa Amaldiçoada, a “Hill House”, que agora se chama “Hell House”, ou Casa do Inferno, mas também parodia O Exorcista (a cena inicial é sensacional e já vale pelo filme todo), Poltergeist, Hannibal, até As Panteras é parodiado, entre outras referências. E o mais legal disso é que “Scary Movie 2” é muito ruim, mas é isso que torna o filme tão bom e um clássico da franquia. As piadas e o humor continuam sendo machistas, sexistas, e politicamente incorretas (provavelmente ainda mais que o original), algumas cenas e situações ficam fora de nexo com a trama – talvez esse seja o maior problema do filme -, é completamente sem noção, mas diverte bastante se você não for exigente. As cenas também acabam sendo mais nojentas, como da abertura que parodia o Exorcista, e todas as cenas em que o mordomo da Hell House, Hanson (Chris Elliott), usa a sua mãozinha estranha. Aliás, Hanson é o melhor e mais divertido personagem novo da continuação, criando situações desconfortáveis e nojentas.

Sim, os novos personagens são horríveis, não tem carisma nenhum, são chatos caricatos e forçados – não que os protagonistas não sejam forçados e caricatos também, mas pelo menos tinham carisma e eram engraçados -. Tori Spelling fica o filme todo indo atrás do fantasma do patriarca com quem transou, David Cross interpreta o irritante e sem noção cadeirante Dwight, que lidera a pesquisa cientifica do sono junto com o professor Oldman (Tim Curry). Aliás, Curry é uma grata surpresa na produção, uma atuação exagerada, mas que combina com o tom de paródia do filme. Kathleen Robertson também surpreende, sendo a mais inteligente do grupo – sim, é possível ser um pouco inteligente em Todo Mundo em Pânico -, e Christopher Masterson é Buddy, o “namorado” de Cindy, bobão e romântico, mas de inocente não tem nada – e esse romance do casal é muito forçado e não funciona (apesar de combinarem) -. Um dos grandes acertos foi trazer de volta os personagens – e elenco – do primeiro filme. Cindy e Brenda continuam sendo as melhores personagens, as almas da franquia toda. Anna Faris retorna para a desastrada e inocente Cindy, que continua igualzinha, mas agora em situações diferentes, e Regina Hall também volta para interpretar Brenda – a melhor personagem de toda a franquia – (a sequência da perseguição do esqueleto é hilária e um grande exemplo do porquê ela é tão amada) -. e continua exagerada e sem filtro; melhor impossível. Os irmãos Marlon e Shawn Wayans também voltam para seus respectivos personagens, Shorty (o maconheiro que passa por uma “inversão de papéis”) e Ray (que continua confuso com sua sexualidade, e também passa por uma situação inusitada).

As piadas e o humor ácido são tão ruins que Todo Mundo em Pânico 2 se torna um filme ridículo e sem noção, consegue ser mais ofensivo do que o primeiro, mas é engraçado e faz rir – mas eu não ri tanto assim -. É uma comédia escrachada, não tem nenhuma preocupação em ser séria, ou que faça algum sentido, algumas situações são desconexas, tudo é forçado e exagerado, mas é isso que faz com que a franquia seja o sucesso que sempre foi. Com um elenco em perfeita sintonia, humor duvidoso e sem filtro nenhum, Todo Mundo em Pânico 2 é uma continuação que se iguala ao primeiro filme, você vai dar altas risadas e se divertir, isso se você entrar no ritmo das piadas e relevar algumas falas problemáticas que certamente seriam canceladas nos dias de hoje.

TODO MUNDO EM PÂNICO 2
Ano: 2001
Direção: Keenen Ivory Wayans
Distribuidora: Miramax/Dimension Films
Duração: 83 min
Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Marlon Wayans), Shawn Wayans,
Tim Curry, Kathleen Robertson, Christopher Masterson, Chris Elliott,
David Cross, e Tori Spelling
NOTA: 8,0
Disponível no Prime + Paramount Plus












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