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CRÍTICA | TERROR EM SILENT HILL: REGRESSO PARA O INFERNO

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 27 de jan.
  • 4 min de leitura


O terreno das adaptações cinematográficas de videogames sempre foi “amaldiçoado”, foram raros os filmes que deram certo e que agradaram o público em geral – as vezes nem os próprios fãs aprovaram -. Ainda que nos anos 90 tivemos algumas adaptações, foi no início dos anos 2000, com os filmes Lara Croft: Tomb Raider e Resident Evil: O Hóspede Maldito, que essas produções alavancaram nos cinemas. Entre elas, Terror em Silent Hill (2006) fez um sucesso modesto, mas se consagrou como uma das melhores adaptações de um jogo de videogame. Apesar de algumas mudanças, como o protagonista ser uma mulher com sobrenome brasileiro – Rose da Silva -, e no game ser um homem – Harry Mason –, além de algumas mudanças na trama, a adaptação do game homônimo da Konami (lançado em 1999) foi muito fiel, mantendo o básico da história, os personagens, monstros, cenários, e tudo mais. Além disso, a trama era ótima, bem estruturada, e com conflitos convincentes.


Em 2012, uma continuação mequetrefe que a maioria dos fãs quer esquecer, foi lançada em 3D, época que esse formato estava no auge, e que era baseada no jogo Silent Hill 3 (sequência direta dos eventos do primeiro game). E agora, mais de uma década depois, foi anunciado um terceiro filme, trazendo o retorno do diretor que comandou o filme de 2006, Christophe Gans, e adaptando o segundo game, Silent Hill 2, lançado para o PS2 em 2001, sem nenhuma ligação com o primeiro filme. A trama de Terror em Silent Hill 2: Regresso Para o Inferno acompanha James Sutherland (Jeremy Irvine), que decide voltar para a cidade fantasma de Silent Hill após receber uma carta de sua falecida namorada, Mary Crane (Hannah Emily Anderson). Lá, além de enfrentar as criaturas demoníacas da cidade, James precisa lidar com a culpa de ter abandonado Mary antes de sua morte.



Infelizmente, Terror em Silent Hill: Regresso Para o Inferno deixa muito a desejar, e acaba se tornando uma das piores adaptações de videogames já lançadas. E pode até parecer uma “desculpa” dos fãs para defender, mas o filme realmente é uma adaptação fiel ao jogo de videogame: os cenários são iguais – a vista do Lakeview Hotel no início do filme, o hospital, o próprio hotel, a cidade de Silent Hill -, os personagens e a trama são fiéis ao game, os monstros (enfermeiras, o pyramid head, as “baratas” monstruosas, as criaturas sem braços, e os “mannequin”). Porém, a maioria dos efeitos em CGI são péssimos, alguns parecem ser gráficos de videogame, e a estrutura ficou similar a um gameplay. E por fim, visualmente, os cenários são ótimos e impressionam devido a fidelidade com o jogo de videogame.


O problema maior é mesmo no roteiro preguiçoso e confuso, e é de se admirar que foi escrito por dois roteiristas. No filme de 2006, apesar da história principal ter diferenças com a história do videogame, o terror psicológico era bem maior, a trama era envolvente, tinha um motivo plausível, um desenvolvimento bom, e uma sequência final marcante. “Regresso Para o Inferno” erra justamente por ser extremamente fiel ao enredo do game, e a história foi condensada em pouco mais de 100 minutos, resultando em um filme sem nexo e mal desenvolvido. O sentimento de culpa do personagem (o principal motivo que move a história do game) é raso, os flashbacks excessivos atrapalham bastante a trama, e ao invés do horror psicológico sobre os sentimentos do passado de James, o roteiro apela no melodrama do personagem com a sua namorada, o que até não tem nada de errado em seguir por esse caminho, mas o problema é que tudo é mal desenvolvido.



Outro problema são os personagens sem carisma nenhum e com seus arcos dramáticos chatos e sem profundidade. O James de Jeremy Irvine é apenas um homem amargurado por ter abandonado a sua namorada no momento que ela mais precisava, e isso é culpa do roteiro que não desenvolveu corretamente essa questão – nem o excesso de flashbacks ajuda -. O carisma é de uma porta, e mais para a metade da história, o personagem se torna apático. Já Mary Crane (Hannah Emily Anderson) é uma personagem curiosa. No filme, ela tem mais importância do que no videogame, que estava no enredo apenas para James seguir as pistas para encontrá-la. Através dos flashbacks, o roteiro consegue desenvolver mais o relacionamento de Mary e James – que acaba sendo a base do filme -, e potencializa a emoção do desfecho sentimental. A atriz interpreta dois personagens, Mary, e uma versão mais sexy da personagem, Ângela.


Mas infelizmente, o retorno para Silent Hill não é dos melhores. Apesar da fidelidade com o jogo de videogame (cenários, personagens, monstros), Terror em Silent Hill: Regresso Para o Inferno não convence, a narrativa é confusa e sem nenhuma surpresa ou grande reviravolta, e o horror psicológico que James enfrenta não funciona. Uma pena, porque Silent Hill 2 é um dos jogos mais amados pelos fãs da franquia de terror, e acabou se tornando um melodrama chato e sem a alma da franquia ao invés de um terror psicológico tenso e emocionante.




TERROR EM SILENT HILL: REGRESSO PARA O INFERNO


Ano: 2026

Direção: Christophe Gans

Distribuidora: Paris Filmes

Duração: 108 min

Elenco: Jeremy Irvine, Hannah Emily Anderson


NOTA: 5,0



















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