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CRÍTICA | O DIABO VESTE PRADA 2

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 1 de mai.
  • 4 min de leitura


O primeiro O Diabo Veste Prada, de 2006, se tornou um clássico contemporâneo ao mostrar os bastidores de uma revista de moda (a Runway), o glamour dos vestidos caríssimos, desfiles de moda, viagens à Paris, uma Nova York cinematográfica, e claro, a rotina de Andy Sachs (Anne Hathaway), uma jovem recém-formada da universidade que buscava um lugar no mercado de trabalho – ainda que não seja exatamente na sua área de formação -. Mas mais que isso, o filme introduziu uma das personagens mais icônicas e amadas do cinema atual, Miranda Priestly (Meryl Streep), a egocêntrica e arrogante editora-chefe da Runway. Agora, há exatos 20 anos, é lançado uma sequência, trazendo a maioria dos atores e personagens do primeiro longa para um cenário mais atual - Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci, Emily Blunt -. Na trama, a renomada revista Runway está passando por diversas crises financeiras, e o principal motivo é a dificuldade para se adequar a era digital. Por ironia do destino, Andy acaba voltando a trabalhar para a revista, e agora tem a complicada missão de reerguer a credibilidade e a imagem da Runway.


O primeiro filme terminou de uma forma perfeita, - Andy saiu da revista, e Miranda continuou o seu legado na Runway, elevando o status da marca. Cada uma seguiu a sua vida -, então, não era necessário uma continuação, apesar que muitos queriam um novo filme. O risco de revisitar um filme lançado a duas décadas era grande, e poderia fazer o filme fracassar. Felizmente, O Diabo Veste Prada 2 supera as expectativas, e consegue ser tão bom quanto o original, principalmente por não repetir a fórmula que o tornou um sucesso. Ainda que o roteiro preserve a dinâmica da primeira e segunda assistente, e as personalidades das personagens, a roteirista Aline McKenna dá uma atualizada para os dias atuais: 20 anos atrás, a Runway estava no auge do seu sucesso, mas agora, na era digital, as edições físicas diminuíram, e o foco são nas edições online. Com isso, cortes financeiros e de funcionários precisam ser feitos, e a renomada revista começa a ter dificuldades em se adequar a essa nova realidade, precisando buscar novos leitores, os da era digital. Mais que isso, a beleza e o glamour passam a não serem mais prioridades, as corporações estão preferindo algo mais funcional, principalmente com o uso da inteligência artificial, indo na contramão da visão mais tradicional de Miranda. E agora, cabe a Andy Sachs a missão de resgatar o prestígio da Runway e o legado da sua chefe, Miranda Priestly.



Uma das principais características do primeiro “O Diabo Veste Prada” era o humor sarcástico e ácido do roteiro, com tiradas sensacionais e “humilhantes” vindas, principalmente, de Miranda Priestly e Nigel (Stanley Tucci). Mas agora, eles precisam ser mais cautelosos com o que dizem, especialmente Miranda – afinal, estamos na época do cancelamento, e suas atitudes abusivas podem não ser bem-vistas -. Meryl Streep retorna para a sua icônica personagem, e continua com o mesmo espírito de antes, só que mais polida (por obrigação, obviamente), ela precisa ter mais cuidado com o que fala, não ser tão direta. E o roteiro brinca com isso, mostrando uma Miranda mais tranquila, aceitando as condições impostas – inclusive a de viajar na classe econômica e pegar Uber -. Anne Hathaway também volta a interpretar Andy Sachs, que agora já tem mais experiência em jornalismo, mostrando estar mais madura e confiante, mas o roteiro ainda mostra a jornalista tentando agradar e ajudar a sua chefe, além de tentar provar o seu esforço na Runway. Stanley Tucci retorna para o acolhedor e conselheiro Nigel, que continua trabalhando para Miranda e ajudando a sua amiga Andy, e Emily Blunt, a nossa querida e ambiciosa Emily, agora é dona de uma empresa de moda.



A continuação sabe muito bem o legado que o primeiro “O Diabo Veste Prada” deixou no cinema, e acerta em não repetir, passo a passo, a dinâmica de antes. Os personagens amadureceram, mesmo continuando com suas personalidades marcantes; o mundo evoluiu e o roteiro soube usar essa mudança para criar a história – agora, a Runway precisa se adequar a nova realidade (a era digital, a IA, a era do cancelamento), e com isso, novos conflitos e novas confusões surgem. A única ressalva, que não afeta o resultado final, mas é bem visível, é a solução dos problemas que são fáceis demais, se comparados com o primeiro filme. No mais, O Diabo Veste Prada 2 é uma continuação totalmente nostálgica, com referências e momentos que os fãs certamente irão lembrar, mas tem personalidade própria, é uma continuação que tem um propósito, um motivo plausível para continuar a saga de Miranda Priestly e Andrea Sachs. Os desfiles estão lá, as roupas chiques, os eventos com famosos também, e tem até a participação divertida de uma artista da música. E ver Miranda Priestly chegando na cafeteria - que ela nem sabia que tinha - da Runway, voar de classe econômica, se controlando para não ser uma “megera” e ser cancelada, é impagável. São novos tempos, e é seguro dizer que O Diabo Veste Prada 2 conseguiu se adequar a nova era.






O DIABO VESTE PRADA 2


Ano: 2026

Direção: David Frankell

Distribuidora: 20th Century Studios

Duração: 119 min

Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci,

Emily Blunt, Lucy Liu



NOTA: 9,5














 

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