CRÍTICA | MICHAEL
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- há 6 dias
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Já está entre nós um dos filmes mais aguardados de 2026, a cinebiografia do maior artista da música POP mundial de todos os tempos, Michael Jackson. E o filme chega com diversas polêmicas no currículo. Dirigido por Antoine Fuqua, "Michael" já começou a ficar conturbado ainda na pré-produção: a ideia original era inserir na história as polêmicas envolvendo o artista que começaram a surgir a partir dos anos 90, mas isso tudo foi descartado por causa de uma cláusula nos direitos de imagem do cantor que impediam mencionar/ tocar no assunto relacionado ao abuso infantil, ou em qualquer outro polêmico nesse nível. Sendo assim, o roteirista John Logan optou por contar a história a partir da infância de Michael, com a formação dos “ The Jackson 5”. O problema é que essa cláusula só foi descoberta durante as filmagens do longa, e muitas delas já haviam sido filmadas. A solução? Cenas tiveram que ser cortadas, um novo final teve que ser reescrito, o elenco precisou voltar para as filmagens, além de problemas logísticos e atrasos na produção, resultando em um orçamento adicional de mais de U$10 milhões.
A polêmica ainda se estende com os filhos e familiares de Michael Jackson. Enquanto os filhos Prince Jackson (Michael Joseph Jackson Jr.) e Bigi (Prince Michael Jackson II) aprovaram o filme do pai – Prince inclusive é produtor executivo do longa -, a filha Paris Jackson abandonou a produção porque não aprovou os rumos que a história iria seguir, alegando que amenizaram muitos fatos da história do seu pai, como se a vida do astro fosse um “conto de fadas”. Porém, a maior surpresa foi Janet Jackson, irmã de Michael, que se recusou participar da produção, sem nenhum motivo aparente, e sim apenas uma escolha pessoal da cantora. Janet sequer é mencionada no longa, e nem compareceu as première. Polêmicas à parte, “Michael” já foi lançado nos cinemas, mas tem um caminho difícil pela frente: a crítica especializada não provou a biografia dirigida por Antoine Fuqua, amargando com pouco mais de 30% de aprovação no famoso site Rotten Tomatoes, porém a provação do público foi superior a 95%. Mas e aí, será que a biografia do Rei do Pop vale a pena, essas mudanças na história estragaram o filme? “Michael” é estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho de Michael Jackson, que interpreta o seu tio, e ainda estão no elenco, Colman Domingo, Miles Teller, Kat Graham, e Nia Long.

A trama de “Michael” começa ainda na infância do astro do POP, com a formação do grupo “The Jackson 5”, até o lançamento do álbum e da turnê “Bad”, passando pelo seu icônico álbum “Thriller”, no final dos anos 80, bem antes das polêmicas virem a público. O filme de Antoine Fuqua basicamente faz um recorte da vida do astro, ameniza diversos momentos tensos da sua vida, a sensação é que ele era perfeito, não cometia erros, um mito, e esse é o motivo principal das críticas negativas. É uma biografia básica, nada de diferente do que já vimos em outras produções do subgênero, mas isso não tira o mérito da produção: sim, é um filme muito bom, empolgante em diversos momentos, tem seus altos e baixos, mas é uma história interessante e nos deixa curioso para desvendar a vida pessoal e artística de Michael Jackson. Sem poder abordar as acusações contra Michael – o que provavelmente iria deixar o filme ainda mais interessante de assistir -, a saída para o roteirista John Logan foi focar nos conflitos que o cantor teve com seu pai, Joe Jackson (Colman Domingo), além claro, das criações de seus icônicos álbuns (até o Bad em 1987), e a ascensão do astro com o “Rei do Pop”.
A produção se apoia muito nos elementos nostálgicos, como a criação das músicas e dos icônicos videoclipes “Beat It” e “Thriller”, incluindo shows e performances incríveis e coreografias perfeitas (Jaafar Jackson está perfeito, e logo comentarei sobre), o figurino, o design de produção, a fotografia e a direção de arte também estão incríveis, transportando o espectador para a época em que cada parte da história se passa. Outro ponto positivo são os shows e a apresentação no palco – tanto quando o astro estava com os “The Jackson 5” ainda na infância, quanto na sua carreira solo -, a parte técnica é impecável. No quesito de atuação, “Michael” tem intepretações poderosas e marcantes: Colman Domingo interpreta o pai do astro, criando um “vilão” intenso, complexo, e com uma ambição em ganhar dinheiro às custas dos seus filhos, principalmente de Michael Jackson, conseguindo deixar o espectador com tanta raiva do personagem que em alguns momentos quando ele se dá mal, o público chega até comemorar. Nia Long interpreta a mãe de Michael, Katherine Jackson, e é uma pena que o roteiro não dá tanto espaço para desenvolver a personagem, mas a atriz entrega com profundidade todo peso de ser o “pilar” da família Jackson, ainda que Katherine “feche os olhos” para os abusos do seu marido contra ela mesmo, e com o próprio filho. Vale destacar a energia contagiante do astro mirim Juliano Valdi, que interpreta Michael Jackson na infância. O ator, que também é dançarino, impressiona na capacidade de capturar a essência de Michael na infância e na presença de palco, além de ter um carisma maravilhoso.

E claro, grande parte dessa nostalgia se deve a impressionante atuação de Jaafar Jackson como o astro do Pop. O ator – que é o sobrinho de Michael Jackson – incorpora o astro de uma forma tão perfeita que é como se realmente estivéssemos vendo o próprio Michael: os passos, os gestos, a postura, o sorriso, a voz (até os gritinhos icônicos), a habilidade nos números musicais. Nas sequências dos shows, a sensação é que estamos assistindo a transmissão de um show ao vivo, de tão perfeito que está, o cuidado com todos os detalhes é sensacional. Jaafar, que não era ator, passou por um treinamento intenso de atuação, e também aprendeu perfeitamente os passos e dança do seu tio. Uma interpretação fascinante e com muita dedicação.
Dentro das limitações impostas pela decisão judicial, Antoine Fuqua, e o roteirista John Logan, optam por seguir um caminho mais confortável ao mostrar a vida e a ascensão da carreira de Michael Jackson, e isso foi uma decisão boa porque respeitou e manteve o legado do Rei do Pop. Claro que as críticas sobre terem amenizado a vida dele são válidas, - ele não era um ser perfeito, com certeza devia ter defeitos como artista e pessoa, e realmente, o filme dá uma “exagerada” nessa perfeição -, mas provavelmente tudo isso será abordado de alguma forma na continuação, principalmente sobre as polêmicas na carreira, prevista para ser lançada em 2028. Sim, o filme termina de forma repentina, no meio de uma apresentação da turnê “Bad”, surgindo uma mensagem dizendo que Michael Jackson vai retornar. Mesmo com suas inconstâncias no roteiro, “Michael” é uma ótima biografia do Rei do Pop, com atuações incríveis, uma parte técnica primorosa que empolga, e uma interpretação espetacular de Jaafar Jackson. “Michael” é nostálgico, empolgante, emocionante, uma bela homenagem ao maior artista da história da música POP.

MICHAEL
Ano: 2026
Direção: Antoine Fuqua
Distribuidora: Universal Pictures
Duração: 128 min
Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Miles Teller, Kat Graham,
e Nia Long
NOTA: 9,0












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