CRÍTICA | O FIM DA RUA
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- há 5 dias
- 3 min de leitura

Os blockbusters de aventura dos anos 80 são realmente nostálgicos, e é incrível como esses filmes evocam a nossa memória afetiva desses bons tempos de cinema. De Indiana Jones a E.T. - O Extraterrestre, passando por Os Goonies e até Jurassic Park (já dos anos 90), são obras que marcaram uma geração e trazem a assinatura de Steven Spielberg, seja na direção ou na produção. Filmes mais recentes, como Super 8 e a série Stranger Things, também nos transportaram para essa época, e é por esse mesmo caminho que “O Fim da Rua” (The End Of Oak Street) segue. Dirigido por David Robert Mitchell — conhecido por suas produções de terror psicológico —, o longa resgata esse espírito “spielberguiano” de aventura ao misturar dinossauros, anomalias temporais, drama familiar, sustos e ao ambientar sua história em um bairro tipicamente oitentista. Na trama, uma misteriosa tempestade cósmica atinge Oak Street, um pacato bairro suburbano, transportando a rua inteira, com suas casas e moradores diretamente para o período pré-histórico. Isolados no passado e cercados por dinossauros famintos, todos os moradores precisam lutar pela sobrevivência. Entre eles está a família Platt, liderada por Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor), que, junto de seus dois filhos, precisam resistir aos ataques das criaturas, descobrir a origem dessa anomalia e encontrar uma forma de trazer sua vizinhança de volta à realidade atual.
O grande mérito de O Fim da Rua é que ele não se preocupa em tentar ser original ou complexo, mas sim em ser uma aventura jurássica despretensiosa e familiar, no melhor estilo “Sessão da Tarde”. Geralmente, filmes com dinossauros se passam em alguma ilha remota e dependem de uma explicação científica. The End Of Oak Street, no original, segue a lógica oposta: ao transportar as sequências de ação para um bairro suburbano — ainda que o lugar vá parar na época dos dinossauros -, David Robert Mitchell aposta em um suspense claustrofóbico. O diretor utiliza as casas, os quintais e as ruas para criar sequências de perseguição empolgantes e inusitadas, com muitos sustos, violência moderada, momentos genuínos de terror, situações impossíveis e humor na medida certa. Um detalhe técnico que chama a atenção é a concepção dos dinossauros: em vez da aparência clássica de répteis escamosos, eles aparecem com penas, trazendo uma proposta visual mais realista e diferenciada.

A estrutura e a dinâmica entre os personagens funcionam muito bem para a proposta do longa. Ainda que o roteiro recorra a alguns clichês familiares previsíveis — como as típicas discussões de casal e a rebeldia dos filhos —, o núcleo principal ganha camadas interessantes à medida que o perigo aumenta. A família Platt não é composta pelos tradicionais heróis de ação, e muito menos por especialistas em sobrevivência; eles cometem erros e tomam decisões equivocadas, mas a lealdade incondicional entre eles conecta o público. Anne Hathaway e Ewan McGregor conferem um carisma incrível aos seus respectivos papéis, fazendo com que o espectador embarque nessa absurda (no bom sentido) jornada jurássica. Hathaway brilha ao liderar os momentos de maior tensão física, enquanto McGregor entrega um equilíbrio perfeito entre o desespero e o instinto de proteção, resultando em sequências divertidíssimas onde ambos enfrentam ameaças das formas mais inusitadas possíveis, seja usando objetos domésticos ou o próprio carro da família.

Longe de ser aquele clássico cult ou uma produção que tenta reinventar a roda, O Fim da Rua cumpre o papel de transformar o absurdo em puro entretenimento. David Robert Mitchell entrega um filme honesto e descompromissado; uma história bizarra que mistura sustos (uma cena específica vai deixar você em choque), humor, drama familiar, ótimas sequências de ação, muito suspense e diversão. O desfecho pode parecer simples à primeira vista, mas acaba indo além da ação física ao introduzir um conceito intrigante sobre linhas temporais que fará o espectador pensar mesmo após o fim da sessão. No fim das contas, O Fim da Rua se consolida como um longa empolgante, carismático e assustador, servindo como um ótimo exemplo de como um bom blockbuster de aventura e ficção científica devem ser. Nostalgia pura.

O FIM DA RUA
Ano: 2026
Direção: David Robert Mitchell
Distribuidora: Warner Bros. Pictures
Duração: 101 min
Elenco: Anne Hathaway, Ewan McGregor, Christian Convery
Maisy Stella, Jordan Alexa Davis.
★★★★ ½ 9,5










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