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CRÍTICA | INSACIÁVEL

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 7 de ago.
  • 3 min de leitura


Insaciável, novo filme da diretora americana-australiana Natalie Erika James, aborda um tema muito comum nos dias de hoje: o padrão de beleza que a sociedade exige, principalmente das mulheres, e tudo o que as pessoas são capazes de fazer para conseguirem ter o corpo perfeito. Em 2024, Coralie Fargeat explorou esse tema em A Substância, que utilizou elementos do body horror para criar sua história, mas com uma abordagem diferente: o filme de Fargeat mostrava que a sociedade prefere mulheres mais jovens, enquanto o filme em questão, Insaciável, mostra que o padrão exigido é a mulher magra. Misturando body horror e assombração, Saccharine (no original) acompanha a estudante de medicina Hana (Midori Francis), que é complexada com o seu corpo e quer alcançar o padrão estético ideal. Desesperada por resultados rápidos, Hana acaba descobrindo pílulas milagrosas que fazem a pessoa emagrecer muito rápido, método esse que acaba funcionando para ela. Porém, essa escolha desperta uma entidade maligna que passa a tomar conta do seu corpo, transformando sua busca pela perfeição em um pesadelo de horror visceral.


Insaciável apresenta uma premissa criativa ao misturar o desespero por emagrecimento com uma trama sobrenatural, resultando em um dos filmes mais diferentes do ano. Assim como o longa de Coralie Fargeat, a diretora Natalie Erika James utiliza o subgênero do horror corporal para chocar o público, retratando de forma grotesca os efeitos da obsessão estética com cenas de devoração e transformações corporais intensas. Grande parte da trama gira em torno do mistério do porquê a tal entidade está perseguindo Hana, forçando-a a comer compulsivamente. Com os planos fechados da câmera focando no rosto da atriz, o simples ato de mastigar se transforma em uma situação grotesca e incômoda. Porém, o maior problema de Insaciável está no ritmo do roteiro. A partir da metade do filme, a narrativa fica presa em um ciclo repetitivo focado na rotina de alimentar a criatura, e apesar de criar sequências de suspense e aparições sinistras, a dinâmica gera a sensação de que já se passaram mais de uma hora de filme quando, na verdade, transcorreram pouco mais de trinta minutos. E suas quase duas horas de duração total não ajudam a aliviar esse cansaço.



Sobre as atuações, o longa é inteiramente carregado pela incrível performance de Midori Francis. A atriz entrega um trabalho visceral e extremamente físico, conseguindo transmitir perfeitamente o desespero psicológico da dismorfia corporal e a agonia de perder o controle do próprio corpo. É uma pena que os coadjuvantes não recebam a mesma atenção: os personagens secundários funcionam apenas como peças para mover a trama, sendo insuficientes na construção de relações mais humanas e envolventes. Personagens como Melissa (Annie Shapero), melhor amiga de Hana, e a treinadora física Alanya (Madeline Madden), interesse amoroso da protagonista, não têm um desenvolvimento adequado e poderiam estar mais envolvidas na trama.


Em seu novo filme, Natalie Erika James aborda temas importantes como a cultura do imediatismo (fazer de tudo por resultados rápidos), os padrões de beleza que a sociedade e a mídia exigem e o desespero da juventude atual pela validação estética. Infelizmente, essas críticas sociais não são tão aprofundadas, e a execução irregular do roteiro faz todo esse debate perder força. Apesar disso, o filme compensa por entregar conceitos visuais brilhantes: a transformação da comida em algo nojento através de closes fechados, o contraste grotesco entre carne humana e alimentos, e o uso excelente de efeitos práticos na maquiagem. E impulsionado pela atuação impecável de Midori Francis, Insaciável se consolida como uma experiência imersiva e corajosa para os fãs que adoram um terror mais visceral. Não é um filme perfeito, mas, mesmo com seus problemas de ritmo, consegue propor uma boa reflexão sobre os padrões de beleza atuais.






INSACIÁVEL


Ano: 2026

Direção: Natalie Erika James

Distribuidora: Diamonds Filmes

Duração: 112 min

Elenco: Midori Francis, Annie Shapero, Madeline Madden



★★★★ 8,0














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