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CRÍTICA | PÂNICO 7

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 28 de fev.
  • 4 min de leitura

Há exatos trinta anos atrás, em 1996, estreava o primeiro longa da franquia que reinventou o subgênero slasher, Pânico, e ao todo, são seis filmes, duas trilogias distintas, mas sempre conectadas de alguma forma. Dos lançamentos recentes, Pânico 5 foi que se saiu melhor, trazendo Jenna Ortega e Melissa Barrera como protagonistas, as irmãs Carpenter (uma delas era filha de Billy Loomis, o assassino original e namorado de Sidney), além do retorno do trio de protagonistas original, Neve Campbell, Courtney Cox e David Arquette. Já Pânico 6 foi um divisor de águas, levando a trama para a cidade de Nova York, mas sem as protagonistas – Melissa Barrera foi demitida após demonstrar apoio à Palestina, e logo depois, Jenna Ortega deixou a produção -, e sem Neve Campbell também, que recebeu uma proposta de salário muito abaixo do esperado.


Para reverter as críticas medianas do sexo filme (principalmente por causa da ausência das protagonistas), em Pânico 7, a Paramount teve que ceder ao valor exigido por Neve Campbell (justo), e trouxe de volta Kevin Williamson como roteirista – e que também assumiu a função de diretor -, além, claro, de Courtney Cox como a destemida Gale Weathers. Mas será que todo esse esforço valeu a pena? Será que a franquia do ghostface ainda tem fôlego? Na trama, Sidney Prescott, agora Sidney Evans, está morando em uma cidade no interior com seu marido, o policial Mark (Joel McHale) e sua filha Tatum (Isabel May), quando eles são atormentados por um novo ghostface. Para desvendar o mistério, e proteger sua filha dos assassinatos, Sidney terá que enfrentar o seu passado, contando com a ajuda de sua amiga Gale (Courtney Cox). Matthew Lillard, Anna Camp, Mckenna Grace, Mason Gooding e Jasmin Savoy Brown também estão no elenco.



O maior acerto de Pânico 7 foi trazer de volta Neve Campbell como protagonista da história, apesar de vários pesares sobre como a personagem foi construída – logo comentarei sobre -. A dinâmica do roteiro é ótima e repleto de nostalgia, resgatando alguns momentos dos outros filmes da franquia, principalmente o primeiro filme de 1996, além de referências, a típica metalinguagem da franquia (ainda que seja muito, mas muito pouco), e o humor ácido característico. E da mesma forma que Pânico 4 teve que se reinventar para se adequar a realidade da época (internet e aparelhos eletrônicos modernos), “Scream 7” também passa por uma “atualização”, mas agora, abordando inteligência artificial. A “IA” é a justificativa para o retorno de Matthew Lillard na franquia, o primeiro Ghostface, Stu Marcher – junto com Billy Loomis (Skeet Ulrich) -: será que o personagem ainda está vivo, ou é outra pessoa simulando Stu através da IA nas chamadas de vídeo? Será que Stu realmente morreu? Outro ponto a favor são as cenas dos assassinatos que ficaram mais violentas e criativas a partir do quinto filme, e aqui elas não decepcionam aqueles que gostam de algo mais gore, porém, as sequências carecem na construção do suspense – pelo menos são intensas -, muitas vezes se tornam previsíveis, e olha que os cenários e a ambientação são ótimos.


Sidney Prescott, que agora se casou e trocou o sobrenome para Evans, volta a ser o foco principal da trama, junto com sua filha Tatum (Isabel May), e que agora está morando em uma cidade pequena no interior. O desenvolvimento da personagem tem seus altos e baixos: Sidney surge como uma mãe “protetora” da sua família, principalmente em relação a sua filha, além de demonstrar traumas com tudo o que passou todos esses anos. Até aí tudo ótimo, é plausível, e ao longo do filme, a personagem começa a “se soltar” mais até se tornar a nossa querida e destemida final girl que conhecemos. Mas o que não funciona é o drama familiar com sua filha, principalmente em relação aos traumas de Sidney. Não funciona, muitas vezes se torna cansativo e chato, e essa proteção absurda com Tatum atrapalha o desenvolvimento da personagem: Tatum poderia se tornar a próxima final girl da franquia – e provavelmente irá -, mas não convence, não tem a “garra” da sua mãe.



Courtney Cox também retorna para Pânico 7, e acaba tendo um destaque menor (o que é uma pena), mas a sua entrada na trama é icônica. Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding (ambos de Pânico 5 e 6) também retornam, agora trabalhando para Gale – será que Mindy poderia ser a nova Gale Weathers? – E o restante do elenco praticamente não tem desenvolvimento algum, e sem nenhum carisma também, servindo apenas para somar o número de mortos. Porém, a dinâmica dos suspeitos é boa, seguindo a lógica da trilogia original: o namorado sendo o principal suspeito, o amigo que gosta de falar sobre crimes, a amiga que pode – ou não – ser assassinada. Será que o assassino é algum amigo de Tatum? Será que um dos assassinos possa ser Stu Marcher? Ou nenhum desses?


Pânico 7 parecia estar indo bem: mesmo com um péssimo desenvolvimento dos personagens – em especial o drama chatinho de Sidney e Tatum -, a história é boazinha, o mistério sobre Stu Marcher estar vivo ou não é interessante, os assassinatos são cruéis e violentos, as cenas de perseguição são ótimas, tudo certinho. Aí, chegamos na clássica sequência final da revelação dos assassinos, e o resultado: decepcionante, a pior revelação da franquia, motivações ridículas, pífias, sem nenhum sentido. A ideia parecia ser ótima porque realmente se afasta de quem a gente suspeitava que eram os assassinos, mas acabou se tornando anticlimático, uma grande porcaria. Às vezes, inovar demais pode ter um resultado diferente do esperado. De uma forma geral, Pânico 7 não é tão ruim, tem nostalgia, tem referências aos primeiros filmes, a cena dos assassinatos são bem violentas (exatamente como os fãs adoram), a história tem as suas inconstâncias, mas funciona, e o que peca realmente é o desfecho com a revelação dos assassinos. No mais, nostalgia é boa, mas perdeu o fôlego, principalmente por insistir em explorar mais a história de Sidney, o seu passado, e sua família. Talvez esteja na hora de deixá-la em paz e introduzir novos personagens centrais. Uma boa boa dica para Pânico 8.






PÂNICO 7


Ano: 2026

Direção: Kevin Williamson

Distribuidora: Paramount Pictures

Duração: 14 min

Elenco: Neve Campbell, Courtney Cox, Isabel May, Matthew Lillard,

Anna Camp, Mckenna Grace, Mason Gooding e Jasmin Savoy Brown.



NOTA: 7,5


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