CRÍTICA | SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 19 de fev.
- 3 min de leitura


01 Indicação ao Oscar: Melhor ATRIZ (Rose Byrne)
Na primeira cena de “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”, a câmera da um close no rosto da personagem de Rose Byrne enquanto ela desabafa com seu psiquiatra durante quase dois minutos. Esse “close” na atriz vai ser recorrente ao longo do filme, mostrando que se trata de uma produção sobre um “estudo de personagem”, que foca no psicológico do protagonista, um estudo de suas atitudes e motivações. Lançado pela A24, “If I Had Legs, I’d Kick You”, no título original, ganhou o prêmio de “Melhor Protagonista para Rose Byrne (mesma que coisa que a categoria melhor atriz em outras premiações) no Festival de Berlim do ano passado, inclusive a atriz foi indicada ao Globo de Ouro (não ganhou), e ao Oscar desse ano, despontando como uma das favoritas para o prêmio. Dirigido por Mary Bronstein, que se baseou em uma experiência própria, a trama acompanha Linda (Byrne), uma psicóloga que está à beira de um colapso mental por conta de seus problemas: cuidando sozinha da filha doente (o marido está em uma viagem), problemas no seu apartamento e teve que morar em um motel fuleiro, problemas com uma de suas pacientes, além de beber todos os dias. E aí, o roteiro vai abordando os surtos que a personagem acaba tendo diante dos problemas. O apresentador Conan O’Brien, o rapper ASAP Rocky, e Christina Slater também estão no elenco.
Em “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”, a diretora Mary Bronstein instiga o espectador a viver e sentir todos os problemas que Linda, personagem de Rose Byrne, está passando. O filme é um drama intenso, pesado, e realista sobre cansaço mental, no caso aqui envolvendo – principalmente – a maternidade, contando com um excelente trabalho de fotografia, com cores mais escuras e cenários melancólicos, que combinam com a situação que a personagem passa. O roteiro também proporciona debates sobre depressão, cansaço mental, a dificuldade de ser mãe em tempo integral e ter que lidar com diversos problemas, nem todo mundo – e nem toda mãe – consegue equilibrar toda essa pressão psicológica que a vida entrega; e provavelmente muitos vão se identificar com algum desses temas.

Mas é impossível não falar sobre “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” sem mencionar a atuação visceral de Rose Byrne no papel principal. Chuto dizer que Byrne tem a melhor interpretação de todas as protagonistas indicadas ao Oscar de melhor Atriz. O espectador sente na pele todos os problemas de sua personagem, em um mix de frustação, cansaço, desespero, vulnerabilidade, uma mãe que quer ser compreendida e que precisa de uma orientação. A atriz dosa bem os momentos de drama e os de humor, com seus surtos, situações cômicas, e diálogos ácidos, conseguindo sempre manter o e público ligado na trama e nos acontecimentos, e tudo isso através – também – de olhares e expressões vivas e intensas que transmitem exatamente a situação. Linda é uma personagem complexa, problemática, uma mãe à beira de um colapso mental, e Byrne consegue entrar na personagem de uma forma tão devastadora que sentimos tudo somente através de olhares e expressões, que se intensificam com uma atuação marcante. Vale destacar a interessante participação de Conan O’Brien como o chefe da personagem de Rose Byrne, (para quem não lembra, ele apresentou a cerimonia do Oscar ano passado, e esse ano vai apresentar novamente).
“Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” envolve o espectador no meio do caos da vida de Linda, um drama poderoso que mostra os problemas da maternidade, da depressão, e o esgotamento mental de uma forma crua e verdadeira. Tudo é intenso, melancólico, são poucos os momentos de alegria, é um filme que incomoda e mexe com o público pela forma como a diretora Mary Bronstein aborda essas questões, principalmente para aqueles que passam por problemas parecidos. Rose Byrne abraça e vive a personagem com intensidade e um realismo impressionante que convence o espectador, uma das melhores performances dessa temporada.

SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA
Ano: 2025
Direção: Mary Bronstein
Distribuidora: A24
Duração: 113 min
Elenco: Rose Byrne, Conan O’Brien, ASAP Rocky, e Christina Slater
NOTA: 9,0
Disponível na








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