CRÍTICA | O PRIMATA
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 24 de fev.
- 3 min de leitura

Quando assisti o filme “Cujo”, baseado em uma obra de Stephen King, fiquei em choque e realmente triste – como não ficar com a história de um cachorro da raça São Bernardo que pega a doença da raiva e começa a atacar e matar seus donos, onde a única solução seria matá-lo? -. Essa é uma situação que facilmente poderia acontecer com qualquer pessoa que tem um cachorrinho. Agora, o diretor e roteirista Johannes Roberts (da trilogia Medo Profundo e Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City), pega essa mesma premissa da obra de king, mas ao invés do simpático São Bernardo, agora é um fofinho macaco de estimação, no terror O Primata. E pode não ser tão fofo quanto um cachorrinho, mas o impacto talvez seja quase o mesmo – e até poderia ser mais, porém, o roteiro clichê deixa tudo a perder -. Na trama, a estudante universitária Lucy (Johnny Sequoyah) decide passar as férias na casa de seu pai, Adam (Troy Kotsur), no estado do Havai, junto com seus amigos. Sua família tem um macaco como pet de estimação, mas ele acaba pegando a doença da raiva, e começa a aterrorizar e matar todo mundo.
Johannes Roberts já tem experiência em filmes com animais assassinos – a parte técnica e o terror já valem a pena de assistir -, mas o diretor acaba cometendo os principais erros do subgênero: história batida, cheia clichês, e personagens fracos. Para quem gosta de um bom slasher sangrento, O Primata é um prato cheio e bem servido: mortes brutais, violentas, criativas, e muitas cenas gore, com desmembramentos, corpos perfurados, carnificina e muito sangue. Os efeitos práticos potencializam ainda mais esses elementos trash, e deixam tudo mais real, principalmente pela concepção do chimpanzé Ben, que foi interpretado pelo ator Miguel Torres Zumba, usando uma fantasia realista e muita maquiagem. A ambientação e a trilha sonora são outros pontos positivos que ajudam na construção do suspense e da tensão, uma casa em uma ilha cercada por florestas, o que também dá uma sensação de claustrofobia, e Roberts consegue usar muito bem cada canto da casa para as cenas de perseguição.

O problema de O Primata está na trama e nos personagens mal desenvolvidos – com algumas exceções -. A história é direta (o que não é ruim), mas é bem simples, cheia de clichês típicos do subgênero de animais assassinos, e sem muita profundidade, funcionando mais pelo drama familiar das irmãs Lucy e Erin (Gia Hubter), e o seu pai, Adam, que é surdo: tem o pai ausente, a mãe que já morreu, a relação conturbada com a irmã, a paixão pelo amigo de infância que não se desenvolve (claro, o cara é um dos primeiros a morrer). Os demais personagens estão ali apenas para aumentar o número de mortes, e todos são mal desenvolvidos, chatos, e tem atitudes burras, nada de tão diferente dos outros filmes de monstros.
No geral, o filme de Johannes Roberts é bem funcional, direto, e uma ótima surpresa para o gênero, funciona perfeitamente dentro da proposta, tem bastante suspense, tensão, momentos de terror, violência extrema no melhor estilo trash, e a ambientação e a trilha sonora potencializam ainda mais essas sensações. Só o roteiro mesmo que é bem genérico, previsível, e repleto de clichês com personagens estúpidos e que fazem o espectador ficar com raiva das decisões burras que tomam. E a escolha de Roberts em não usar CGI foi certeira, deixando o macaco mais real e assustador. Apesar dos pesares, é um começo bem interessante para o terror em 2026.

O PRIMATA
Ano: 2026
Direção: Johannes Roberts
Distribuidora: Paramount Pictures
Duração: 89 min
Elenco: Johnny Sequoyah, Troy Kotsur, Gia Hubter
NOTA: 8,0









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