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CRÍTICA | UMA BATALHA APÓS A OUTRA

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 9 de jan.
  • 4 min de leitura




13 Indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor (Paul Thomas Anderson), Melhor Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro e Sean Penn), Atriz Coadjuvante (Teyana Taylor), Roteiro Adaptado, Direção de Elenco, Melhor Fotografia, Montagem, Design de Produção, Trilha Sonora, Melhor Som.



Paul Thomas Anderson é um diretor que não é tão conhecido pelo grande público, mas é um dos diretores mais versáteis e renomados do cinema, com um foco em um cinema mais “cult”. Boogie Nights e Magnolia, dos anos 90, Sangue Negro dos anos 2000, e Licorice Pizza, de 2021, são suas produções mais conhecidas. Agora, o diretor retorna com o seu filme mais ambicioso, Uma Batalha Após a Outra, um thriller político que dialoga perfeitamente com a atual situação política nos EUA, estrelado por Leonardo DiCaprio, Benicio Del Toro, Sean Penn, Teyana Taylor, Regina Hall, e Chase Infiniti. Abordando temas como xenofobia, racismo, supremacia branca, autoritarismo, opressão, e a situação dos imigrantes no país, a trama começa nos anos 70, quando Bob Ferguson (DiCaprio) e Perfídia (Teyana) se conheceram: ambos eram guerrilheiros deum grupo que atacavam campos de imigrantes do exército americano – liderado pelo coronel Steven Lockjaw (Sean Penn) - para libertá-los, mas acabaram se apaixonando, e tiveram uma filha, Willa (Chase). Anos depois, o coronel Lockjaw reencontra Bob e sua filha, Willa, e a sequestra, fazendo com que ele comece uma busca incansável para encontrar sua filha.


Uma Batalha Após a Outra não é um filme fácil de assistir, principalmente pela sua abordagem mais crua sobre a realidade, com cenas gráficas de violência. Os filmes de Paul Thomas Anderson são mais cults, mais intimistas – Licorice Pizza, por exemplo -, algo que o grande público não está tão acostumado ainda, mas agora, a sua nova produção ganha ares de blockbuster com sequências de ação mais engajadas e grandes perseguições que foram feitas para assistir em uma sala de cinema. A trama não para um minuto sequer, já começa de forma eletrizante contando como Bob e Perfídia se conheceram, suas “missões” quando eram guerrilheiros de um grupo chamado “French 75”, um grupo antifascista, e mudando para os tempos mais atuais, seguindo por vários momentos de tensão, com um ritmo intenso, frenético, e repleto de suspense e tensão. “One Battle After Another”, no original, é praticamente um thriller político com diversas críticas sociais que caem perfeitamente para o atual cenário político: temos personagens racistas e homofóbicos, a situação dos imigrantes nos EUA, discursos de classe e gênero, política de esquerda e direita amplamente definidos, conservadorismo, governos autoritários, a supremacia branca.



A base principal do roteiro de Uma Batalha Após a Outra é a personalidade marcante dos personagens, imperfeitos, reais, passíveis a erros, misturando sentimentos de raiva, humor e sensibilidade. Leonardo DiCaprio interpreta o ex-guerrilheiro Bob Ferguson, que atacava prisões no México para libertar imigrantes presos pelo governo autoritário. Longe de ser o típico herói que parte em busca de sua filha sequestrada, Bob é emocionalmente cansado, frágil, e com feridas causadas por um passado conturbado, que agora é colocado em prova quando ele precisa resgatar sua filha das mãos do governo extremista, liderado por Steven Lockjaw. O ator consegue criar um contraponto bem interessante entre o emocional abalado e o lado cômico de seu personagem, principalmente por não entender como funciona o mundo atual. O vilão da vez é o coronel Lockjaw, personagem de Penn, um homem extremista, autoritário, racista, machista, imbecil, sem nenhuma empatia com os outros, o que vale para ele é a sua masculinidade e virilidade que o torna “homem”. Penn cria um personagem que desperta antipatia, ódio e desconforto no espectador, tornando-o um dos personagens mais marcantes da temporada. Benicio Del Toro, que anda meio sumido, interpreta Sensei, um aliado de Bob na busca pela sua filha, Willa, uma parceria que rende momentos cômicos, ainda que pouca, e acaba sendo um grande alívio cômico para a trama pesada.


O elenco feminino é o grande destaque, mostrando personagens determinadas e prontas para enfrentar qualquer situação. Teyana Taylor aparece pouco na trama, mas sustenta toda a primeira parte de Uma Batalha Após a Outra com sua personagem Perfídia, uma mulher forte e voraz que não se intimida com o autoritarismo do governo americano, e que tem orgulho em ajudar os imigrantes e fazer parte do grupo revolucionário. Uma interpretação contagiante e marcante para a temporada de prêmios. Chase Infiniti interpreta Willa, a filha de Perfídia com o personagem de Leonardo DiCaprio, e provavelmente é a maior surpresa da produção. A atriz consegue segurar o peso emocional necessário da personagem de uma forma tão forte e incrível quanto aos de seus colegas de elenco veteranos. Willa é a alma da segunda metade do filme, que cresceu em um mundo caótico e precisa lidar com os conflitos ao longo da história, intercalando magistralmente entre uma personagem vulnerável e forte para enfrentar as situações de perigo que acaba enfrentando. E por fim, ainda que em um papel menor na trama, tem a eterna Brenda da franquia Todo Mundo em Pânico, Regina Hall, que interpreta Deandra, peça-chave para diversos momentos decisivos na trama, equilibrando drama e intensidade.



Baseado na obra “Vineland”, de Thomas Pynchon, Uma Batalha Após a Outra é um thriller político bastante realista, pesado, violento, crítico, um retrato perfeito do atual cenário mundial, misturando ação, humor satírico, e drama na medida certa. A fotografia e a trilha sonora de Jonny Greenwood (o guitarrista da banda britânica Radiohead) complementam para o impacto emocional do filme de Paul Thomas Anderson, com destaque para a frenética e intensa perseguição de carros no final do filme, um primor técnico de montagem. Toda a crítica política do roteiro tem um sentido, nada é avulso, e tudo foi esquematizado para encaixar perfeitamente com a realidade, resultando em um filme envolvente, atual, e emotivo, com performances intensas e arrasadoras de todo o elenco. Um dos favoritos para o prêmio de melhor Filme no Oscar 2026.




UMA BATALHA APÓS A OUTRA


Ano: 2025

Direção: Paul Thomas Anderson

Distribuidora: Warner Bros. Pictures

Duração: 161 min

Elenco: Leonardo DiCaprio, Benicio Del Toro, Sean Penn, Teyana Taylor, Regina Hall, e Chase Infiniti.


NOTA: 9,0


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