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CRÍTICA | BUGONIA

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 2 de jan.
  • 4 min de leitura



04 Indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Atriz (Emma Stone),

Roteiro Adaptado, e Trilha Sonora



Os filmes do diretor grego Yorgos Lanthimos são bizarros e diferentes das produções mais “convencionais”, e geralmente tem alguma mensagem ou crítica social por trás – A Favorita, Pobres Criaturas, Tipos de Gentileza, O Sacrifício do Cervo Sagrado -, por exemplo. O seu mais novo filme, Bugonia, talvez seja o mais estranho e comercial da sua carreira, e é um daqueles filmes que você ou vai amar ou vai odiar, sem meio termo, principalmente após o “plot twist” no final. Estrelado por Emma Stone (que repete a parceria com Yorgos pela quarta vez), e Jesse Plemons (que também trabalhou com o diretor em Tipos de Gentileza), Bugonia é uma refilmagem de um filme sul-coreano de 2003 chamado “Jigureul Jikyeora! (Save the Green Planet!) ”, e foca em assuntos polêmicos, como negacionismo, teorias da conspiração, diferenças de classes, fake News, entre outros temas. Na trama, dois homens, Teddy Gatz (Jesse Plemons) e o seu primo Don (Aidan Delbis), sequestram a CEO de uma empresa farmacêutica, Michelle Fuller (Emma Stone), pois acreditam que ela é um ser alienígena da galáxia de Andrômeda que tem a intenção de destruir a Terra. Alicia Silverstone e o comediante Stavros Halkias, completam o elenco.


Yorgos Lanthimos cria um thriller psicológico de suspense onde a tensão vai sempre aumentando, com muito humor ácido, sátiras e críticas sociais, em um intenso jogo de “gato e rato” entre os personagens de Plemons e Stone. E claro, Bugonia é um filme muito estranho, exagerado em diversos momentos, mas diverte com as situações cômicas e bizarras que vão acontecendo ao longo da fita. O roteiro de Will Tracy deixa o espectador em dúvida se a personagem é uma alienígena, ou não, até nos minutos finais, tudo graças ao texto rico em detalhes, principalmente quando fala sobre ufologia, universo, e pelas características de um ser alienígena - a nave espacial, localização, comunicação, fraquezas -, detalhes esses que convencem, junto com as teorias da conspiração que os primos acreditam. Bugonia demora um pouco para ficar interessante, e dá uma engrenada após o sequestro da personagem, principalmente quando o roteiro começa a apresentar os fatos e plantar a dúvida, tanto no espectador quanto nos personagens.



Jesse Plemons se destaca bastante, conseguindo envolver o público com toda a loucura e obsessão do seu personagem por achar que a personagem de Emma Stone realmente é uma alienígena. Teddy é um homem surtado, não tão inteligente, negacionista, um retrato fiel sobre aqueles que acreditam em notícias tendenciosas e fake news, as principais críticas sociais que Bugonia aborda. Emma Stone, que repete novamente a parceria com Yorgos, tem uma performance intensa e cheias de nuances, conseguindo convencer que sua personagem não é uma alienígena. A atriz dosa perfeitamente entre a loucura e o lado cômico de sua personagem, e consegue enganar o espectador: as vezes, achamos que ela é uma “andrômedana”, mas outras vezes não temos mais certeza. E o grande destaque dessa louca história é esse embate entre os dois personagens. Teddy realmente acredita que Fuller é uma alienígena, mas ela tem certeza de que não é, ambos são bastante convincentes em suas justificativas, e podem acabar passando o limite da sanidade para cada um provar seu ponto de vista.



Para quem conhece os filmes do diretor Yorgos Lanthimos, sabe que o seu estilo é um pouco controverso, “fora da caixinha”, e com Bugonia não seria diferente: é um filme repleto de humor e piadas ácidas, criticas sociais relevantes, situações que acabam causando – de alguma forma – um certo desconforto no espectador, algumas cenas violentas, e claro, isso tudo aliado a uma trilha sonora exagerada e intensa, feitas para o público sentir a emoção da sequência, o horror, e as situações chocantes que os personagens passam. E ainda que seja uma produção diferenciada, Bugonia acaba sendo o filme mais fácil de se entender, e de atingir um público maior, da carreira de Yorgos, principalmente pela dinâmica fácil do “mocinho vs. vilão”, o personagem que faz uma refém e a tortura, mas aí é que tem uma virada na trama: se o espectador não sabe se Michelle Fuller (Emma Stone) é uma alienígena da galáxia de Andrômeda, também é difícil de saber quem realmente é o vilão – ou vilã – e o (a) mocinho (a).


No fim, Bugonia é uma das produções mais interessantes dessa temporada de premiações, que se destaca pelas potentes atuações e Emma Stone e Jesse Plemons, o intenso jogo psicológico e as conversas com bastante humor ácido e críticas, e claro, o grande mistério da trama. E só vamos descobrir nos dez minutos finais, no plot twist que vai definir se o público vai gostar ou odiar o novo filme de Yorgos Lanthimos. E, particularmente, amei.



BUGONIA


Ano: 2025

Direção: Yorgos Lanthimos

Distribuidora: Universal Pictures

Duração: 118 min

Elenco: Emma Stone, Jesse Plemons, Alicia Silverstone e Stavros Halkias



NOTA: 9,0


Disponível para aluguel/compra no



















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