CRÍTICA | TOY STORY 5
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- há 5 dias
- 4 min de leitura
Atualizado: há 2 horas

Quando o primeiro Toy Story estreou em 1995, o filme revolucionou o cinema ao ser a primeira animação completamente feita em computação gráfica (CGI), além de ser o primeiro longa-metragem da Pixar. E como de costume nos filmes do estúdio, Toy Story tinha uma mensagem mais profunda, uma lição de vida, não tão adulta quanto Divertida Mente, ou Viva – A Vida é uma Festa: a franquia do xerife Woody e do patrulheiro espacial Buzz Lightyear abordava o crescimento e amadurecimento das crianças, as mudanças, e claro, a lealdade e saber respeitar as diferenças. O primeiro Toy Story focava mais na lealdade e nas diferenças – Woody era o brinquedo preferido de Andy até a chegada de um novo brinquedo, o Buzz Lightyear -. Já do segundo filme em diante, a abordagem era o crescimento das crianças, que elas acabavam perdendo o interesse nos brinquedos ao chegar na adolescência – como aconteceu com Jessie e o seu cavalo Bala no Alvo em Toy Story 2, e com Andy doando seus brinquedos para uma criança em Toy Story 3 (impossível não se emocionar com aquele final) -, por que estava entrando para a faculdade.
No desfecho de Toy Story 4, o xerife Woody decidiu ir embora e seguir a sua vida como um “brinquedo perdido”, indicando que, provavelmente, ele poderia não estar em um possível novo filme. Sete anos depois temos Toy Story 5, dirigido por Andrew Stanton (de Procurando Nemo e Procurando Dory), trazendo a vaqueira Jessie como protagonista da nova história, e que também aborda o crescimento das crianças, mas agora com o foco na tecnologia, que ela pode substituir os brinquedos como diversão das crianças. Na trama, Bonnie ganha um tablet chamado Lilypad onde conversa e joga online com suas novas amigas, mas acaba deixando de lado os seus brinquedos favoritos, Jessie, Buzz, Bala no Alvo, e todos os outros. Para tentar reconquistar o carinho de Bonnie, os brinquedos recorrem ao xerife Woody para ajuda-los.

Toy Story 5 comprova que a franquia mais amada da Pixar ainda tem bastante folego para novas aventuras, além de provar que funciona muito bem sem Woody e o Buzz como protagonistas. E esse é um dos grandes acertos do longa: colocar Jessie como o centro da trama principal, trazendo um ar de novidade para a franquia. Jessie já teve seu passado explorado na trama de Toy Story 2, mas agora ela revisita as suas origens voltando para a sua antiga casa, que está bem diferente, enquanto tenta encontrar uma forma de ajudar Bonnie e resgatar nela a essência de ser uma criança, de brincar com seus brinquedos usando a sua imaginação. E mesmo com Woody e Buzz ficando como coadjuvantes, a trama flui perfeitamente, onde eles têm os seus momentos de destaques. Outro ponto positivo é a adição da Lilypad como protagonista, um tablet em forma de sapo, ao invés de mostrar brinquedos cruéis, ou uma criança surtada. Lilypad cada vez mais vai isolando Bonnie do mundo real e dos seus brinquedos, onde Andrew Stanton acaba fazendo uma crítica de como a IA e a tecnologia afetam as crianças. Lembrando que em nenhum momento o filme “demoniza” a tecnologia, até porque o roteiro não se aprofunda nesse assunto, e sim critica a interação virtual, mostrando o valor das interações reais entre as crianças, e que o uso da tecnologia deve apenas somar, não substituir.
Toy Story 5 diverte, emociona, além de ser nostálgico para quem acompanhou a franquia ao longo das décadas, mas nem tudo é perfeito no longa. O excesso de personagens atrapalha bastante a trama, deixando diversos brinquedos clássicos como mero coadjuvantes (Rex, Sr. Cabeça de Batata e Slinky), além da introdução dos novos brinquedos, onde alguns ficam sem muita relevância. Falta também mais emoção, algum momento marcante, ou uma sequência final repleta de ação e perigos, mas ainda funciona – e tem sim os momentos mais sentimentais e bonitos, principalmente envolvendo Jessie, e você provavelmente vai chorar -. Já a construção da vilã Lilypad é um caso curioso. Embora a personagem tenha uma crítica social bem relevante sobre inteligência artificial e o uso dela pelas crianças, Lilypad acaba não sendo, de fato, uma vilã, como por exemplo o boneco rosa Lotso, de Toy Story 3, provavelmente pela forma como roteiro a desenvolveu: as intenções dela não são ruins, são apenas escolhas erradas, o que a torna a antagonista da história, não necessariamente uma típica vilã.

Toy Story 5 poderia muito bem não funcionar, ser apenas mais um filme para ganhar dinheiro, mas ao promover um conflito entre o real (os brinquedos) e o virtual (a tecnologia e o mundo digital), o diretor Andrew Stanton faz uma importante reflexão sobe o isolamento contemporâneo e como os brinquedos digitais afetam a infância e as crianças, ainda que sem se aprofundar no tema – as cenas mostrando Bonnie fascinada pelo tablet, e muitas vezes com um olhar vazio e apático é assustadoramente real -. No mais, o quinto filme não chega a ser tão marcante quanto os antecessores (é melhor que o quarto), mas realmente tem algo a dizer, e acerta ao passar o bastão do protagonismo para Jessie, que carrega o carisma e o peso emocional da trama, provando que a franquia pode continuar sem Woody ou Buzz como protagonistas. É divertido, emocionante, nostálgico, dosa bem os momentos cômicos com os mais dramáticos, é uma aventura que nos ensina a importância de manter as conexões reais, especialmente na infância. Fique atento para uma divertida cena pós créditos envolvendo os vários Buzz Lightyear.

TOY STORY 5
Ano: 2026
Direção: Andrew Stanton
Distribuidora: Disney/Pixar
Duração: 102 min
Elenco: vozes de Tom Hanks, Joan Cusack, Tim Allen
Greta Lee, Keanu Reeves
★★★★ 9,0













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