CRÍTICA | TODO MUNDO EM PÂNICO 4
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 15 de abr.
- 4 min de leitura

A franquia Todo Mundo em Pânico se consagrou como uma das melhores comédias que satirizavam outros filmes, e chegamos agora no quarto – e último (pelo menos com o elenco principal) – filme da franquia, que termina o arco de Cindy Campbell e Brenda Meeks. Shawn e Marlon Wayans assumiram a produção dos dois primeiros filmes, que tinham humor mais escrachado, ácido, e muitas piadas de mau gosto (o segundo principalmente), mas que caíram no gosto do público. No terceiro filme, os irmãos Wayans saíram da produção, entrando no lugar deles o veterano David Zucker, que já tinha experiência no subgênero lá nos anos 80, com Apertem os Cintos...O Piloto Sumiu e Corra que a Polícia Vem Aí. O resultado: um humor bem mais leve, sem piadas ofensivas e bem mais divertido do que os originais.
Agora, David Zucker retorna para Todo Mundo em Pânico 4, que continua engraçado, mas já demonstra sinais que deveriam parar de fazer mais filmes da franquia. O quarto filme tem com o base principal do roteiro parodiar os filmes Guerra dos Mundos, O Grito, e Jogos Mortais, mas também faz referências a Menina de Ouro, O Segredo de Brokeback Mountain, A Vila, e até a bizarra entrevista de Tom Cruise no programa da Oprah, em 2005. Na trama, Cindy (Anna Faris) aceita o trabalho de cuidadora na casa assombrada de uma senhora idosa, onde acaba conhecendo o seu vizinho Tom Ryan (Craig Bierko). Quando uma invasão alienígena começa, Cindy precisa encontrar uma forma de acabar com os ataques, e a resposta tem ligação com a maldição da casa onde está morando. Regina Hall, Carmen Electra, Leslie Nielsen, Kevin Hart, Bill Pullman, e Michael Madsen também estão no elenco.
Todo Mundo em Pânico 4 é engraçado, divertido, você vai rir horrores com as piadas, o humor duvidoso, e as situações insanas em que os personagens se metem, isso é certo. Mas apesar de sempre ter novos filmes para parodiar, uma hora, esse humor vai acabar cansando, e as piadas vão se repetindo. E mesmo que “Scary Movie 4” esteja indo para esse caminho, a produção ainda acerta em diversos momentos. O diretor David Zucker consegue fazer uma mistura na abordagem do quarto filme, pegando um pouco do humor e as piadas escrachadas e de mau gosto dos dois primeiros filmes, com o jeito mais leve do seu filme anterior. Piadas com diarreias, urinas, até o Michael Jackson é atacado de novo – mas agora é mais direto e talvez cruel -, piadas com teor sexual, e os clichês típicos, se juntam com um humor mais refinado, pastelão, bobo e simples do terceiro capítulo. E o roteiro? Continua não fazendo sentido algum, e isso é uma marca registrada da franquia, uma mistura de subtramas e sequências desconexas da história principal. E aqui o quarto filme repete o erro dos dois primeiros capítulos: algumas cenas fora de contexto, apenas para fazer rir e ter motivos para parodiar, mas ainda em menos quantidade se comparado com o segundo filme.

Anna Faris e Regina Hall retornam, mais uma vez, para aos papeis que marcaram suas carreiras, Cindy e Brenda, respectivamente. E sim, Todo Mundo em Pânico 4 pode não ser aquelas “mil maravilhas”, mas são elas que seguram a franquia nas costas e que fazem os fãs irem ao cinema. O timing cômico delas é incrível, são as almas da franquia, e Todo Mundo em Pânico não é Todo Mundo em Pânico sem essas personagens – por isso que o quinto filme foi um desastre total -. Mesmo repetindo os jeitos e a personalidade de cada personagem, elas conseguem se reinventar a cada filme. Leslie Nielsen também retorna, voltando a interpretar o presidente dos EUA (a sequência da sala de conferência é genial). Charlie Sheen também volta, mas em uma participação especial, na cena de abertura que faz parodia de O Grito, assim como Kevin Hart e Anthony Anderson, que entraram na franquia em “Scary Movie 3”. Os novos personagens acabam não se destacando tanto, mas vale destacar a participação de Bill Pullman fazendo um contraponto com o seu personagem em O Grito, e Craig Bierko, que interpreta Tom Ryan, que faz paródia de Tom Cruise em Guerra dos Mundos. Craig é o maior destaque do elenco novo, acertando em criar um personagem divertido que realmente lembra bastante o astro Tom Cruise. Aliás, a sequência em que o filme faz piada da entrevista de Cruise no programa da Oprah é demais, e já vale pelo filme todo.

Outro destaque de Todo Mundo em Pânico 4 são os cenários que replicam exatamente os filmes que fazem paródia: a reconstrução dos cenários, o jogo de câmera, até as naves alienígenas e o banheiro de Jogos Mortais são iguaizinhos, parece o mesmo set de filmagem. No mais, o quarto filme tem seus erros, como a trama que se arrasta em alguns momentos, cenas e situações fora de contexto, e apesar de mostrar sinais de cansaço, a franquia ainda consegue divertir e fazer o público dar altas risadas na sessão. O humor continua escrachado e sem vergonha (e ainda sem as piadas de mal gosto), resultando em cenas e situações hilárias e absurdas – a cena de abertura onde o personagem corta o pé errado, Brenda passando IST para os alienígenas (para o roteiro isso foi genial), a conversa entre Cindy e a criança fantasma, tem até a criança sofrendo (mas pelo menos não é atropelada) que satiriza a personagem de Dakota Fanning em Guerra dos Mundos -. Mesmo com um ritmo irregular, e outros problemas já citados, Todo Mundo em Pânico 4 ainda funciona, mas já está no limite, e é um ótimo fechamento para o arco de Cindy Campbell e Brenda Meeks.

TODO MUNDO EM PÂNICO 4
Ano: 2006
Direção: David Zucker
Distribuidora: Miramax/Dimension Films
Duração: 84 min
Elenco: Anna Faris, Regina Hall, Carmen Electra, Leslie Nielsen,
Kevin Hart, Bill Pullman, e Michael Madsen
NOTA: 7,5
Não está disponível em nenhum serviço de streaming













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