CRÍTICA | PASSAGEIRO DO MAL
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 26 de mai.
- 3 min de leitura

A maioria dos filmes de terror se passam em ambientes fechados – casas mal-assombradas, casas abandonadas, algum manicômio sinistro -, criando um clima de suspense e tensão com uma ambientação claustrofóbica que funciona (algumas vezes). Passageiro do Mal, novo filme do diretor norueguês André Øvredal (de A Última Viagem do Demeter, Histórias Assustadoras para Contar no Escuro, e A Autópsia) consegue passar essa mesma tensão, mas agora com a trama se passando em estradas isoladas no interior dos Estados Unidos, um “terror de estrada”, abordando a lenda urbana de uma entidade maligna que ataca motoristas em viagens. Na trama, o casal Tyler (Jacob Scipio) e Maddie (Lou Llobell) planejam recomeçar suas vidas, e decidem se aventurar em uma “road trip” pelo interior. No caminho, em uma estrada no meio de uma floresta sinistra, eles presenciam um acidente e decidem ajudar as vítimas. Porém, eles descobrem que uma entidade foi a causadora desse acidente, e agora, essa mesma entidade também está perseguindo-os. Melissa Leo também está no elenco.
Em seus filmes, André Øvredal sempre soube construir uma boa tensão atmosférica, principalmente em espaços fechados, como no ótimo a Autópsia, dando uma sensação de confinamento. Em Passageiro do Mal, o diretor norueguês consegue o mesmo feito, mas agora ao ar livre, em estradas isoladas e sinistras – como no seu filme de estreia, O Caçador de Troll (2010) -, e esse é o ponto forte do longa. Misturando elementos sobrenaturais e muita perseguição pelas estradas, “Passenger”, no original, consegue criar momentos de pura tensão e situações realmente assustadoras, como a sequência do estacionamento e a do cinema ao ar livre, intercalando com diversos “jumspcares” bem divertidos, apesar do excesso deles. As estradas escuras, as florestas sinistras, as luzes do farol dos carros, as aparições da entidade, até o barulho da chuva e o silencio, criam momentos de paranoia por estarem sendo perseguidos, e a van/trailer potencializa ainda mais a sensação de claustrofobia e a falsa sensação de segurança.

Outro ponto positivo é a dinâmica e a sintonia de Jacob Scipio e Lou Llobel, convencendo como os namorados/noivos Tyler e Maddie, respectivamente. O drama do casal não é diferente de algumas outras produções do gênero, mas funciona a ponto de o público torcer e se importar por eles. Mas nem tudo da certo em Passageiro do Mal, que acaba pecando bastante no roteiro assinado por Carter Blanchatrd e na edição. Toda a primeira parte é bem intensa, cheia de mistérios e situações tensas, criando um suspense psicológico efetivo – potencializado pelas aparições surpresas da tal entidade – além de uma imersão incrível na trama. Porém, toda essa atmosfera de tensão acaba na segunda metade por causa da edição inconstante que corta o clima de mistério, e quando o ritmo desacelera para que o roteiro explique – de forma bastante rasa - a mitologia da entidade. A direção de André Øvredal é muito melhor do que o roteiro que ele recebeu para filmar, e a prova disso é o ato final, que consegue criar momentos de puro suspense e terror com a ambientação do deserto que cerca a igreja, porém, os momentos finais acabam sendo um pouco exagerados (indo contra a construção do suspense até então). Mas de uma forma geral, o desfecho é bom, só não chega a ser tão marcante para o gênero.
No fim, Passageiro do Mal é uma viagem intensa e visualmente marcante, principalmente pela eficiente ambientação – as estradas escuras e os cenários ao ar livre -, que também funciona pela sensação de isolamento e claustrofobia causados pelos momentos em que a trama se passa dentro da van. No entanto, mesmo que o diretor norueguês André Øvredal seja um dos grandes nomes no cinema do terror contemporâneo, e que a sua direção em “Passenger” seja o maior acerto do longa, as limitações do roteiro – que tornam a segunda metade arrastada -, e a edição inconstante, cortam todo o clima de tensão e suspense criados. O suspense é eficiente, as aparições da entidade rendem diversos sustos, e conseguem manter o interesse do público na trama, mas de uma forma geral, falta um pouco de profundidade e um desenvolvimento melhor na mitologia da entidade. Em comparação com outros grandes sucessos do terror esse ano, Passageiro do Mal fica um pouco abaixo do esperado.

PASSAGEIRO DO MAL
Ano: 2026
Direção: André Øvredal
Distribuidora: Paramount Pictures
Duração: 96 min
Elenco: Jacob Scipio, Lou Llobel, e Melissa Leo
★★★ ½ 7,5









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