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CRÍTICA | DIA D

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • há 5 dias
  • 5 min de leitura


Steven Spielberg é um dos maiores diretores do cinema, e um dos maiores contadores de histórias que nos levou para mundos incríveis: um parque cheio de dinossauros, acompanhamos as aventuras de um arqueólogo – e professor nas horas vagas -, presenciamos uma invasão alienígena, um ataque de tubarão branco em uma praia, entramos em um mundo computadorizado, fomos até uma guerra para encontrar um soldado, nos encantamos com um ET que queria ligar para casa, entre tantas outras histórias que capturaram a imaginação do público. Embora tenha sido minoria entre os diversos gêneros que Spielberg explorou, os filmes sobre alienígenas sempre foram grandes destaques de sua carreira - seu primeiro filme sobre o tema foi Contatos Imediatos do Terceiro Grau, em 1977, mas também explorou esses seres em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, além dos já citados Guerra dos Mundos e ET – O Extraterrestre.


Antes de começar a crítica de fato, aqui vai uma curiosidade sobre a filmografia de Steven Spielberg. O primeiro longa-metragem lançado profissionalmente do diretor foi Louca Escapada, em 1974, embora muitos considerem Encurralado, de 1971, seu primeiro filme – especialmente porque foi produzido para a TV -. Porém, uma década antes, em 1964 e com 16 anos de idade, Spielberg fez seu primeiro longa chamado “Firelight”, e adivinha o tema: extraterrestres, que se passava em uma cidadezinha no Arizona onde os moradores investigavam o avistamento de discos voadores e desaparecimentos de pessoas e animais. “Firelight” foi produzido de forma independente e lançado em uma única apresentação pública, em um cinema em Phoenix, no estado do Arizona. O problema é que o rolo do filme acabou ficando perdido e não foram recuperadas integralmente, apenas com alguns trechos disponíveis na internet.



Agora, depois de décadas, Spielberg volta a explorar a temática alienígena em “Dia D” (Disclosure Day em inglês), que significa “o dia da revelação”, que mostra o que aconteceria se a humanidade soubesse que nós não estamos sozinhos no universo – embora esse não seja o foco principal da trama, e pouco mostra o que aconteceria de fato -. Misturando thriller de conspiração com arquivos secretos, corporações do governo, muito mistério e cenas de perseguição, a trama de Dia D acompanha Daniel Kellner (Josh O’Connor), que durante anos trabalhou para uma empresa do governo e acaba descobrindo uma conspiração que mantém em segredo evidências da existência de alienígenas. Junto com a repórter Margareth (Emily Blunt), ele precisa fugir do líder da corporação Noah (Colin Firth) para revelar a verdade sobre os extraterrestres para a humanidade. Colman Domingo e Eve Hewson também estão no elenco.


Escrito pelo próprio Steven Spielberg, em parceria com seu amigo de longa data, David Koepp, Dia D é um filme que foca bastante no lado humano, nas pessoas, do que nos extraterrestres propriamente, mas sim eles existem e estão lá no filme. Não dá para dizer que a trama é totalmente revolucionária, Spielberg conta uma história de conspiração alienígena com muita perseguição e os protagonistas fugindo da corporação que tenta impedir que eles revelem a verdade para o mundo, e o roteiro também não é totalmente perfeito. Mas tudo funciona, a trama tem bastante mistérios envolvendo Daniel e Margareth que mantem o espectador interessado na história, e que aos pouco vai se desenvolvendo, jogando pistas e revelações para a gente fazer conexão entre elas. Dia D vai muito além de uma história sobre extraterrestres, não tem nenhuma invasão alienígena, os Ets pouco aparecem, a mensagem principal é mais humana – ora, o plot principal é sobre a revelação da existência deles -, o comportamento da sociedade diante uma revelação que mudará a história como conhecemos, e também sobre crença e fé; inclusive Spielberg consegue fazer uma relação bem interessante entre religião e vida extraterrestre, mas sem se aprofundar totalmente.



Os personagens de Emily Blunt e Josh O’Connor são as peças fundamentais para resolver os mistérios que cercam a trama: eles tem um propósito, uma missão, não estão passando por essa situação sem nenhum motivo, e juntos intensificam a parte mais emocional da história, eles representam o lado mais humano das pessoas. Blunt entrega uma performance incrível como a jornalista Maragreth, misturando humor e sensibilidade, principalmente com seus olhares expressivos, nos guiando pelos mistérios mais interessantes da trama. Josh O’Connor também se destaca como Daniel, um analista de segurança que trabalhou para o governo, criando um personagem mais contido, mais humano também, fugindo do estereótipo de “herói dos filmes de ação” para um personagem mais real, que carrega um peso de ter as informações que podem mudar a visão do mundo. A química entre ambos é palpável, principalmente quando eles se encontram pela primeira vez, resultando em uma cena bastante emocional. Colin Firth também está no elenco, interpretando o agente do governo Noah – e líder da corporação que persegue os protagonistas -, um vilão que consegue nos irritar profundamente, e Eve Hewson, que interpreta uma ex-freira que também irrita o espectador com suas atitudes lá no início. Fechando o elenco ainda tem Colman Domingo, que interpreta Hugo, que também trabalhou para a corporação com Noah e Daniel, sendo que ele foi quem descobriu todos os segredos e roubou os dados com as evidências.



O desfecho de Dia D provavelmente vai dividir a opinião do público entre genialidade e frustração, principalmente nos segundos finais. Spielberg e David Koepp conseguem criar momentos tensos e incríveis com a cena toda da revelação, mantendo a atenção do espectador até o fatídico momento que todos descobrem a verdade, em uma sequência de vídeos impressionantes que vão deixar aqueles que adoram temas de extraterrestres bastante empolgados. Só esse final já vale o ingresso. Sem invasão alienígena e destruições de cidades, Dia D é um filme maduro, um intrigante thriller de suspense jornalístico que resgata a essência que Contatos Imediatos do Terceiro Grau tinha, é o retorno de Steven Spielberg à ficção científica no melhor estilo. Entre mistérios, conspirações, sequências de perseguições que mantem o espectador ligado na trama, junto com as atuações magnéticas e dramáticas de Emily Blunt e Josh O’Connor, Dia D não entrega respostas fáceis – principalmente com o desfecho marcado por um tipo de “cliffhanger” repentino -, é um filme que obriga o espectador a refletir sobre o papel da comunicação e da informação, sobre as nossas atitudes e a empatia da nossa espécie; em “Disclosure Day”, os verdadeiros vilões não são os alienígenas, e sim o próprio governo controlando a informação, e também a humanidade como um todo. É um filme no mínimo interessante. Como será que as pessoas vão reagir diante essa revelação surpreendente?





DIA D


Ano: 2026

Direção: Steven Spielberg

Distribuidora: Universal Pictures

Duração: 147 min

Elenco: Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Colman Domingo

Eve Hewson



NOTA: 9,0























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