CRÍTICA | MESTRES DO UNIVERSO
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 8 de jun.
- 4 min de leitura

Antes das animações e do live-action de 1987, He-Man e Os Mestres do Universo eram brinquedos e bonecos criados pela Mattel (a mesma da Barbie), mas acabaram sendo mais conhecidos pelos desenhos dos anos 80 mesmo. A criação da linha de brinquedos Mestres do Universo, em 1982, foi uma estratégia para salvar a empresa que, anos antes, havia recusado uma proposta para lançar uma linha de brinquedos de um filme de ficção-científica – a proposta foi oferecida por ninguém menos que George Lucas, e o filme em questão era Star Wars -. Em 1983, os primeiros desenhos foram lançados pela Filmation, fizeram sucesso tremendo e se tornaram um dos maiores fenômenos da cultura pop dos anos 80: He-man, Teela, Esqueleto, o mago Gorpo (eles apareciam nos finais dos episódios para dar uma “lição de moral”, e inclusive aparecem também no filme), e outros personagens, o mundo de Eternia, que ficaram marcados na infâncias de todos.
Em 1987 um filme em live-action foi lançado, que se tornou um fracasso de público, crítica e bilheteria, onde a trama se passava praticamente toda na Terra, ignorando Eternia – o ponto mais criticado -. Quarenta anos depois, a Amazon e a MGM levam os fãs de volta a Eternia com a nova adaptação de Mestres do Universo, dirigido por Travis Knight e com Nicholas Galitzine no papel do herói He-Man. Mantendo toda a essência da animação clássica, e corrigindo o erro de a história se passar totalmente na Terra, a trama mostra como o príncipe de Eternia se tornou o He-Man: após o ataque do Esqueleto (Jared Leto), o jovem Adam (Nicholas Galitzine) é mandado para a Terra junto com a Espada do Poder, mas acaba perdendo-a. Durante anos, o jovem Adam procurou a sua espada, ao mesmo tempo que aprendeu a conviver entre os humanos, e finalmente quando ele a encontra, sua amiga de infância Teela (Camila Mendes) aparece para busca-lo e leva-lo de volta para Eternia com a missão de derrotar Esqueleto, e libertar o povo da sua terra natal. Alison Brie, Morena Baccarin e Idris Elba também estão no elenco.

O novo filme dos Mestres do Universo é a adaptação que todos os fãs mereciam: traz de volta toda a nostalgia oitentista das animações, a representação fiel aos personagens clássicos, abraçando o exagero e a fantasia sem medo de ser o que realmente é. O design de produção é um dos maiores acertos do longa, que junto com os ótimos efeitos em CGI – e alguns práticos também -, reconstroem os cenários clássicos com perfeição, como o Castelo de Grayskull, a montanha da Serpente, e todo o cenário de Eternia, totalmente colorido e com paletas saturadas, um espetáculo visual que aumenta ainda mais a nostalgia. Já a trama tem seus altos e baixos, pecando mais no ritmo, no excesso de subtramas, e na sua longa duração de quase 2h30 min. O roteiro de Chris Butler, Aaron Nee e Adam Nee, acerta em contar a história de Adam antes de se tornar He-Man, começando pela infância do herói, até a chegada na Terra, mostrando já ele adulto e como tem se adaptado no nosso planeta, para depois retornar para Eternia – aliás, outro acerto foi em não repetir o erro do filme de 1987, onde a trama se passava totalmente na Terra -. A jornada de autodescoberta do príncipe Adam é divertida e rende bons momentos, mas peca no excesso de piadas e subtramas que atrapalham o ritmo do filme, ainda mais por ter 2h20 minutos de duração.
O diretor Travis Knight sabe muito bem o que está fazendo, criando cenários incríveis e imersivos de uma Eternia colorida, com ótimas sequências em CGI, cenas de ação empolgantes e coreografadas, e claro, um dos momentos mais esperados, a transformação do príncipe Adam no He-Man, quando ele ergue a espada e um show de luzes e cores que remetem ao desenho animado – tudo no jeito mais cafona e brega possível (no bom sentido), enfatizando o seu corpo musculoso e a sua roupa clássica no melhor clima de uma produção dos anos 80 -. Mas o coração de Mestres do Universo e que faz o filme funcionar é a atuação de Nicholas Galitzine no papel de He-Man, que consegue dosar bem entre o herói que está predestinado a ser, e toda a vulnerabilidade e bom coração que ele tem, e com o carisma de Galitzine, a sua jornada de ascensão se torna espirituosa e rende momentos divertidos e repletos de humor. O Esqueleto, interpretado brilhantemente por Jared Leto, também se destaca com uma performance mais teatral e totalmente caricata, se tornando um vilão engraçado, não tão ameaçador quanto deveria, mas funciona. Camila Mendes (Teela) e Idris Elba (Mentor) também estão ótimos e com uma química boa, eles interpretam pai e filha, mas acabam tendo papeis, mas coadjuvantes e não se destacam tanto quanto deveriam.

Por fim, embora tenha alguns problemas no ritmo da trama e nas piadas excessivas, Mestres do Universo é uma aventura nostálgica e vibrante por manter toda a essência do universo da animação, e abraçar a fantasia, o exagero e a cafonice. Típico filme dos anos 80, e com diversas referências ao material original, “Masters Of The Universe” é a versão definitiva que os fãs restavam esperando, que se mantém fiel à estética, o figurino clássico de He-Man enfatizando sues músculos, até as clássicas frases de efeito, tudo isso embalado por cenas de ação épicas e extremamente coloridas. É um filme carismático, divertido, de bom coração, um típico filme de uma sessão da tarde de domingo. Fique atento para duas cenas pós-créditos, onde a segunda poderá ditar os rumos que a – possível – continuação poderá seguir, se o filme for bem nas bilheterias.

MESTRES DO UNIVERSO
Ano: 2026
Direção: Travis Knight
Distribuidora: Sony Pictures
Duração: 132 min
Elenco: Nicholas Galitzine, Jared Leto, Alison Brie,
Morena Baccarin e Idris Elba
★★★ ½ 7,5












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