CRÍTICA | LILO & STITCH (2025)
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 26 de mai.
- 4 min de leitura

Já faz algum tempo que a Disney tem investido em live-actions de suas animações que encantaram uma geração - a última foi o desastre comercial da Branca de Neve -. Agora, a mais nova adaptação do estúdio é o fofíssimo Lilo & Stitch, lançada em 2002, e que encantou adultos e crianças com a bela amizade entre os personagens títulos (a garotinha Lilo e o animalzinho alienígena Stitch). Em 2002, os tempos eram outros, e Lilo & Stitch ganhou espaço e notoriedade entre animações que haviam inovado o cinema na época – Shrek e A Fuga das Galinhas -, e mesmo com essa “concorrência”, o filme se destacou e sobreviveu até hoje como uma das melhores animações da Disney. E de todas as animações que foram adaptadas em live-action, essa é a mais recente, e ainda está na memoria de muitas pessoas – as crianças se tornaram jovens adultos -, então, uma adaptação agora seria o certo?
Dirigido por Dean Fleischer Camp, o live-action de Lilo & Stitch mantém a magia e toda a essência da animação, seguindo passo a passo da história original, mas também com algumas liberdades criativas que somaram no resultado final. A trama do live-action é a mesma: Stitch, o experimento alienígena 626, foge de seu planeta natal, e acaba caindo na Terra, mais precisamente na paradisíaca ilha do Havaí. Lá, ele conhece uma garotinha solitária chamada Lilo, e ao verem que ambos tem personalidades e dramas pessoais parecidos, acabam formando uma bela amizade. Ao mesmo tempo, dois seres alienígenas do planeta de Stitch chegam na terra para trazer de volta o animalzinho extraterrestre para o seu planeta natal. Sydney Agudong, Maia Kealoha, Tia Carrere e Amy Hill estão no elenco.

Seguindo a estrutura narrativa da animação, o live-action de Lilo & Stitch segue pela “zona de conforto”, com algumas alterações na trama, mas sem muitas novidades ou surpresas; não é uma escolha muito boa, mas acabou funcionando, e o filme encanta tanto quanto a animação encantou o público lá em 2002. O que mais sustenta o live-action é o carisma e a fofura dos personagens – Lilo, Nani, e principalmente Stitch -, onde alguns acabam sendo mais desenvolvidos e ganhando mais destaques nos seus arcos dramáticos. A trama principal continua a mesma, mas ganha contornos mais profundos e com uma sensibilidade maior, e a filosofia de “Ohana significa família, e família significa que ninguém é deixado para trás ou esquecido" está presente. O cenário continua sendo o Havaí, representando melhor a cultura local, o povo acolhedor, e os ambientes paradisíacos, porém, muitos podem achar a fotografia não tão colorida quanto a animação, fato que não estraga em nada o filme.
Os personagens acabam ficando mais carismáticos do que a animação, graças a ótima sintonia e carisma dos personagens principais, Nani (Sydney Agudong) e Lilo (Maia Kealoha), e claro, o fofíssimo e travesso Stitch, feito por um incrível efeito em CGI. A química entre as irmãs é sensacional e o que mais prende a atenção do público – pelo menos até a chegada de Stitch -, e o arco dramático de Nani acaba sendo mais desenvolvido, além de ganhar mais relevância na trama em relação a animação. Maia Kealoha, a Lilo, é o maior destaque do live-action, conferindo um carisma ainda maior para a personagem, e um trabalho incrível e maduro em demonstrar os problemas que acaba enfrentando, sem falar da sua sintonia com Stitch, que explodem fofura. Ambos tem personalidades parecidas – impulsivos e agitados, arrumam confusão, são ridicularizados pelos outros, e quase não tem amigos -, e essa amizade é o laço que fortalece a trama. No live-action, o Stitch parece ser ainda mais fofo e divertido do que o da animação, graças ao ótimo CGI que o torna muito real (as feições, a textura, os movimentos). A parte negativa fica com os personagens alienígenas, Jumba (Zach Galifianakis) e Pleakley (Billy Magnussen), que acabam ganhando roupagens humanas. Os atores não conseguem ganhar o público, criando personagens pouco inspirados e fazendo piadas batidas e sem graça. Acho que seria mais divertido se os produtores tivessem deixado eles com a aparência alienígena mesmo.

A cena final do live-action é diferente da animação, fato que acabou recebendo muitas críticas e reclamações dos fãs, mas acho que foi uma boa escolha por ser uma abordagem mais realista, além de fazer sentido com o filme de uma forma geral. Uma mudança muito bem-vinda. No fim, o live-action de Lilo & Stitch acabou sendo um grande acerto da Disney – apesar de achar que se fosse lançado daqui a pelo menos uns cinco anos, ficaria melhor -, mantendo a essência e a magia da animação, e que funciona pelo carisma do trio principal: a incrível sintonia entre Lilo e Nani como irmãs, além de Stitch e Lilo, que acabam sendo ainda mais carismáticos, fofos, e pestinhas juntos. O filme de Lilo & Stitch diverte e emociona tanto quanto a animação, tem personalidade, e o equilíbrio entre o drama e o humor é perfeito. O carisma de Lilo, a fofura de Stitch, e a confusão que ambos causam, são garantidos.

LILO & STITCH
Ano: 2025
Direção: Dean Fleischer Camp
Distribuidora: Disney
Duração: 108 min
Elenco: Sydney Agudong, Maia Kealoha, Tia Carrere e Amy Hill
NOTA: 8,5
















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