CRÍTICA | F1 - O FILME
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 10 de ago.
- 4 min de leitura

F1 – O Filme é uma daquelas produções que muita gente vai torcer o nariz em assistir, principalmente por ser um filme sobre corrida de Fórmula 1, mas no fim, vai acabar se surpreendendo. O diretor é Joseph Kosinski, o mesmo que trouxe Tom Cruise de volta para pilotar aeronaves em Top Gun: Maverick em 2022, continuação do clássico de 1986, e que agora coloca o astro Brad Pitt para pilotar carros de Fórmula 1, em um filme repleto de emoção, adrenalina, tensão, e ótimas sequências de corrida, mas que acaba caindo em alguns clichês do gênero – o que não é tão ruim, na minha opinião -. Seguindo a estrutura narrativa de Gran Turismo: De Jogador a Corredor, e do próprio Top Gun: Maverick, F1 – O Filme acompanha o ex-piloto Sonny Hayes (Brad Pitt) sendo convidado pelo seu amigo de longa data, Ruben (Javier Barden), para integrar a sua equipe de corrida, a ApexGP. Motivo? O seu piloto principal, Joshua Pearce (Damson Idris) não consegue uma posição boa na tabela de classificação, e Hayes precisa ajudá-lo a se recuperar e a salvar a equipe da Agex até o final da temporada. Porém, Pearce e Hayes acabam não se dando bem, e essa rivalidade pode acabar com tudo.
F1 – O Filme é uma produção impecável em todos os sentidos, tanto na parte técnica quanto na sua trama envolvente que prende a sua atenção desde os primeiros minutos. O roteiro não é tão diferente dos filmes do gênero – o conflito de gerações, a história de superação do protagonista (Sonny Hayes), rivalidades entre os pilotos, amadurecimento, até um romance tem -, mas toda a dinâmica da história, a química entre os personagens, e a dosagem perfeita entre emoção, drama, e as cenas realísticas de corrida, já valem o ingresso. De um lado, temos um piloto veterano que, há trinta anos atrás, tinha um futuro brilhante, mas um fatídico acidente mudou tudo; do outro, um piloto mais jovem, rebelde e imaturo, que precisa de uma orientação para se destacar entre os melhores corredores de fórmula 1 da atualidade. Adiciona um esporte como plano de fundo, e temos uma fórmula de sucesso para essa história de superação e amadurecimento (o famoso “coming of age”) em um filme só. E por mais que essa premissa seja tão básica e fácil para atrair o público, F1 chega à frente desses problemas, e consegue surpreender, principalmente pela parte técnica da produção. Mais uma vez, Kosinski cria um filme totalmente imersivo, levando o espectador para dentro da corrida junto com o personagem de Brad Pitt (um carro com mais de dez câmeras embutidas em tamanho real foi construído para o longa), e as locações em pistas de corrida de Abu Dhabi, Las Vegas, Monaco, além das gravações em campeonatos de verdade, tornam a experiência em assistir ainda mais real.

O roteiro de F1 – O Filme apresenta um conflito entre os personagens de Brad Pitt (Sonny Hayes) e Damson Idris (Joshua Pearce), que é a base do filme, mas esse arco dramático não chega a ser tão intenso. Talvez, poderia ter mais embates, mais aprofundamento nesse conflito; - em contrapartida, o drama pessoal de cada um é bem desenvolvido -. Felizmente, a química entre a dupla é incrível, ambos têm carisma o suficiente para carregar o filme sozinhos, mesmo Pearce sendo um babaca imaturo – sim, provavelmente você vai torcer mais para Hayes do que Pearce -. Pitt desenvolve bem as intensas camadas de seu personagem, criando um protagonista de fácil conexão, o público abraça as loucuras incompreendidas que seu personagem decide fazer, e fica contra os membros da sua equipe quando eles o julgam pelas suas decisões. Idris interpreta Joshua Pearce, um jovem e promissor piloto que quer se destacar entre os melhores da fórmula 1, porém, a sua arrogância e a imaturidade podem por um fim a sua carreira. O ator britânico não fica para trás, e mesmo que o arco dramático de seu personagem não seja tão profundo quanto o de Hayes, sua performance é convincente o suficiente para fazer o público detestá-lo. Um jovem piloto que tem muito que a prender sobre a vida e sobre as corridas de fórmula 1, e um veterano com uma extensa bagagem de vida que pode ensiná-lo se tornar um dos maiores pilotos da atualidade. Seria a combinação perfeita para eles ganharem o campeonato, mas a personalidade de ambos vai entrar em choque, e muitos problemas podem surgir. E no meio desse "embate de titãs", temos dois grandes nomes no elenco: Kerry Condon e Javier Bardem, que interpretam Kate e Ruben, respectivamente. Kate é a diretora técnica da equipe que desenvolve os carros de corrida, e que acaba se envolvendo amorosamente com Sonny – mas felizmente, o roteiro quase nem desenvolve muito esse romance, evitando de cair em mais um clichê típico (ainda bem) -. Bardem interpreta Ruben, chefe da equipe, e dono da ApexGP, que confere um carisma incrível para o personagem, mas a falta de um arco dramático para um personagem que é importante para a trama, o torna praticamente irrelevante.

Com menções a outros pilotos de fórmula 1 (incluindo o nosso eterno Airton Senna), e até participações especiais de pilotos da atualidade – Lewis Hamilton não só tem uma participação especial como também é produtor do filme -, F1 – O Filme repete a fórmula que deu certo em Top Gun: Maverick, mas agora em terra firme. O diretor Joseph Kosinski entrega mais um filme imersivo e envolvente que conquistará até mesmo aqueles que não curtem produções esportivas, e não é só pela presença do astro Brad Pitt. E apesar de alguns clichês que não atrapalham muito, e ser um pouco previsível, F1 é um filme perfeito em todos os sentidos, desde a parte técnica, desenvolvimento dos personagens, o roteiro bem estruturado, uma história cativante que vale a pena assistir, e muita adrenalina nas pistas de corrida, e são 2h30 minutos que passa voando, literalmente. Talvez não faça o mesmo sucesso que Maverick, mas é tão bom quanto.

F1 - O FILME
Ano: 2025
Direção: Joseph Kosinski
Distribuidora: Warner Bros./ Apple TV
Duração: 156 min
Elenco: Brad Pitt, Damson Idris, Kerry Condon, Javier Bardem.
NOTA: 9,5
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