CRÍTICA | DEVORADORES DE ESTRELAS
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 20 de mar.
- 4 min de leitura

O cinema já nos apresentou amizades improváveis e inusitadas em diversos gêneros e histórias, mas acredito que nenhuma seja tão diferente como a do astronauta Ryland Grace e a pedra alienígena Rocky, em Devoradores de Estrelas. Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, e baseado na obra homônima “Project Hail Mary” de Peter Weir – que também teve uma outra obra sua adaptada para o cinema, Perdido de Marte -, Devoradores de Estrelas é um dos filmes mais “good vibes” do ano, uma aventura espacial divertida, emocionante e envolvente que transforma termos complexos da ciência e biologia em soluções fáceis de se entender, com sequências belíssimas no espaço e que ainda consegue fazer o espectador chorar e vibrar por causa de uma pedra alienígena e a sua amizade com um ser humano. Na trama, o professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling) acorda com amnésia a bordo de uma nave sem saber o motivo, mas que através de flashbacks vai descobrindo a sua missão: salvar o nosso sol que está sendo consumido por micro-organismos chamados astrofágicos. A atriz alemã indicada ao Oscar Sandra Huller também está no elenco.
Os filmes de ficção sempre nos mostraram que viver no espaço é bastante complicado – pincipalmente em produções como Gravidade, Perdido em Marte, Interestelar, entre diversos outros -, e em Devoradores de Estrelas não é tão diferente assim, porém, o foco maior é na solidão. Grace acaba indo sozinho para uma missão a uma estrela anos-luz de distância da Terra – a única que não está sendo devorada pelos micro-organismos -, precisando descobrir o motivo de isso estar acontecendo. O plot não é nada de novo no gênero, mas o grande diferencial narrativo é quando a pedra alienígena Rocky cruza o caminho de Grace, e descobrem que ambos tem a mesma missão. Entre missões espaciais, e lindas sequências mostrando planetas diferentes e nebulosas coloridas, o roteiro acaba focando mais na divertida e emocionante amizade entre Grace e Rocky, que acabam fazendo companhia um para outro, com uma química excepcional e cativante. Mas essa interação não é tão fácil assim, já que ambos vem de planetas diferentes, e cada um consegue sobreviver nas suas próprias condições, e é aí que genialidade da trama faz a diferença: a dupla encontra diversas formas para que possam interagir e chegar perto um do outro, com destaque para a forma como eles se comunicam entre si – em especial o sinal da mão que tem um significado importante para eles -.

Mesmo com efeitos especiais bem-produzidos e belas sequências no espaço, o destaque maior de Devoradores de Estrelas é a atuação de Ryan Gosling no papel do professor e astronauta Ryland Grace. O ator carrega o filme nas costas com um carisma incrível – como todos os seus papéis -, um herói vulnerável e espirituoso que se empolga com as descobertas científicas, e principalmente com o fato de ter encontrado um alienígena. E o maior acerto do filme é justamente essa amizade, esse vínculo que Grace e a pedra alienígena Rocky fazem, o maior acerto do filme, entregando momentos engraçados, emocionantes, mostrando que a conexão humana – no caso aqui extra-humana –, o respeito e empatia um com o outro, e principalmente a união, são as melhores forças para conseguir resolver os problemas. Sandra Huller também se destaca na trama, mas com um papel mais pragmático, frio, e focado – único momento mais vulnerável da personagem é quando canta uma música do Harry Styles no karaokê, cena essa adicionada de última hora e que foi bastante elogiada -, além de a personagem ser um contraponto interessante com o personagem de Gosling: Grace é mais leve, divertido, e representa a história no espaço, enquanto a personagem de Huller, Eva Stratt, é mais séria e autoritária, representando a trama na Terra.
Na parte técnica, Devoradores de Estrelas se destaca também por não usar excessivamente as famosas “telas verdes”, utilizando mais efeitos práticos. O diretor de fotografia Greig Fraser pegou enormes painéis de LEDs para simular as luzes cósmicas (nebulosas, as estrelas), enquanto para a criação do alienígena Rocky, a equipe de efeitos práticos criou o personagem em escala real para também interagir com Ryan Gosling, já que em muitos filmes de ficção os atores fazem as cenas com a tela verde. Já o interior da nave realmente era um set real de filmagens, o que passa uma sensação mais realista, e claro, o exterior da nave e algumas cenas no espaço foram inteiramente filmadas com bastante CGI. Essa escolha torna o filme mais realista, aumentando a tensão e o realismo das sequências de ação.

Em suma, além desse espetáculo visual, Devoradores de Estrelas é uma ficção-científica com alma, uma aventura espacial leve e imersiva cheia de reviravoltas, com uma amizade improvável, um “bromance” cativante que nos faz torcer para uma pedra alienígena. Equilibrando humor e emoção na medida certa, com o carisma de Ryan Gosling e sua amizade cheia de química com a pedra Rocky, o filme de Phil Lord e Christopher Miller vai te fazer rir, chorar, se emocionar, além de mostrar que a empatia, a ciência, e a colaboração podem ser as maiores forças do universo. Destaque para o desfecho, o final perfeito para a divertida e emocionante amizade intergalática entre Ryland Grace e a pedra Rocky, e que não poderia ser diferente disso. Devoradores de Estrelas já é um dos melhores filmes do ano.

DEVORADORES DE ESTRELAS
Ano: 2026
Direção: Phil Lord e Christopher Miller
Distribuidora: Sony Pictures
Duração: 156 min
Elenco: Ryan Gosling, Sandra Huller
★★★★★ 5,0
Disponível no Prime Vídeo + o serviço de streaming MGM















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