CRÍTICA | A MORTE DO DEMÔNIO: EM CHAMAS
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- há 6 dias
- 3 min de leitura

O primeiro A Morte do Demônio, lançado em 1981, provavelmente é o maior filme de horror trash do cinema, um verdadeiro clássico do gênero que ficou marcado pelas cenas grotescas e nojentas, principalmente por usar efeitos práticos ao invés da computação gráfica. Dirigido por Sam Raimi, o filme originou uma bem-sucedida trilogia, além de uma refilmagem em 2013 (muito boa por sinal), uma continuação em 2023, intitulado de “A Ascensão”, e uma série chamada “Ash vs. Evil Dead”, estrelada por Bruce Campbell, protagonista da trilogia original.
Poucas franquias conseguiram se reinventar ao longo dos anos, e A Morte do Demônio conseguiu se manter viva ao longo de mais de quarenta anos, e agora, o novo filme com o subtítulo de “Em Chamas”, chega para mostrar que a franquia de gore e extrema violência ainda tem muito tempo de vida, e muitas ideias para expandir esse universo. Dirigido pelo cineasta francês Sébastien Vaniček, “Evil Dead Burn” é o filme mais pesado e visceral de toda a franquia – assisti-lo vai ser um desafio para quem tem estomago fraco -, e acompanha uma família que enfrenta o luto após a perda de um integrante, e decidem passar uns dias na casa de campo da família. Lá, o famoso “Livro dos Mortos”, conhecido como “Necronomicon Ex-Mortis”, acaba libertando forças demoníacas que vão matando um a um os membros da família.

Praticamente nenhum filme da franquia “Evil Dead” tinha uma história bem desenvolvida, ou um drama familiar mais estruturado, porque o chamativo maior eram as cenas de violência extrema com muito sangue; o remake de 2013 e o filme de 2023 até tinham arcos dramáticos melhores. Já “A Morte do Demônio: Em Chamas” tenta se aprofundar nos traumas de uma família que está de luto, mas carece de profundidade e um desenvolvimento mais real, não tendo o peso dramático esperado. As subtramas genéricas se juntam com o problema do desenvolvimento dos personagens, somados a falta de carisma e as decisões questionáveis que eles tomam, deixando tudo ainda mais previsível. Mas estamos assistindo a um filme da franquia A Morte do Demônio, e a última coisa que importa – mas deveria – é a trama e os personagens, e Em Chamas cumpre o que promete: entrega o filme mais visceral e violento de todos. Decapitações, perfurações, banhos de sangue, corpos mutilados, muitas possessões, o diretor Sébastien Vaniček sabe muito bem como testar e chocar o espectador com as cenas gráficas assustadoramente realistas, honrando o legado da franquia. Destaque para o longo desfecho em plano sequência, sem os cortes bruscos, aumentando ainda mais a tensão e o peso da cena.
Outro ponto positivo são as diversas referências e as conexões com os outros filmes da franquia, como a icônica Adaga Kandariana, uma lâmina mística que serve para enfrentar as forças demoníacas, o livro dos mortos – o Necronomicon -, a ligação com um dos personagens da franquia original, além de duas cenas pós-créditos que podem ditar os possíveis rumos que a franquia pode ter, a depender das bilheterias. Vale destacar também o visual perturbador da casa e dos arredores da floresta, dando a sensação de isolamento, potencializado pelo clima chuvoso e a neblina, deixando a ambientação ainda mais sinistra. No fim, A Morte do Demônio: Em Chamas é apenas um filme feito para chocar o público com a extrema violência típica da franquia, e isso é o que os fãs querem assistir, cenas chocantes com muito sangue, vísceras, mutilações, e mortes criativas. Mesmo com os problemas de estruturamento do roteiro e o desenvolvimento dos personagens e seus dramas familiares sem profundidade, o diretor Sébastien Vaniček entrega um espetáculo visceral perturbador feito para pessoas com estomago forte. E somando com um ritmo frenético que não perde tempo em mostrar sequências de extrema violência, o novo Evil Dead acaba se tornando o filme mais sangrento e pesado da franquia.

A MORTE DO DEMÔNIO: EM CHAMAS
Ano: 2026
Direção: Sébastien Vaniček
Distribuidora: Sony Pictures
Duração: 111 min
Elenco: Hunter Doohan, Luciane Buchanan, Souheila Yacoub.
★★★ ½ 7,5








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