CRÍTICA | OBSESSÃO
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 22 de mai.
- 3 min de leitura

O amor não correspondido geralmente é o tema central da maioria das comédias românticas, com o personagem fazendo o possível e o impossível para conquistar a sua amada (ou o seu amado). Agora, imagina esse “plot’ adaptado para um filme de terror, qual seria a abordagem? E as consequências desses atos? Foi isso que o diretor Curry Barker, conhecido por vídeos no Youtube, em parceria com o famoso estúdio A24, pensou ao dirigir o seu novo filme, Obsessão, um terror que se destacou nos festivais do ano passado, e agora está fazendo o maior sucesso nos cinemas pelo mundo. O que Barker faz com Obsessão é pegar uma ideia clichê dos filmes românticos – querer um amor que seja correspondido - e criar uma trama extremamente original, intensa, e com consequências absurdas e inimagináveis.
E se a pessoa que você está apaixonada – mas ela não sente a mesma coisa – se apaixonasse instantaneamente por você? É isso que acontece com romântico e inseguro Bear (Michael Johnston): ele sempre foi apaixonado pela sua amiga Nikki (Inde Navarrette), mas ela nunca teve os mesmos sentimentos por ele. Isso tudo muda quando o rapaz entra em uma loja de exotéricos, e encontra um tipo de “amuleto mágico” que torna seus desejos em realidade. É aí que Bear tem a ideia de desejar que Nikki se apaixone por ele. E funciona. O problema é que a jovem começa a ficar obcecada e a agir estranho, e essa obsessão vai crescendo aos poucos, resultando em consequências aterrorizantes.

O sucesso todo que Obsessão vem fazendo no cinemas não é à toa: Curry Barker pega uma ideia clichê e cria um terror desconfortável e chocante que leva tudo ao extremo. Sim, o filme de Baker aposta no absurdo, no exagero para fisgar o espectador com a sua intrigante trama, e acerta em cheio. À medida que a obsessão de Nikki por Bear vai aumentando, as situações vão ficando cada vez mais perturbadoras, com cenas de violência, gore, e muito sangue. Seja em situações mais simples, como Nikki parada ao lado da cama observando seu amado dormir, um simples jantar a dois, ou a cena do estacionamento, Barker sabe muito bem como criar suspense, tensão e impressionar o seu público, que fica na expectativa em saber qual vai ser o próximo absurdo que vai acontecer. E o principal motivo que potencializa ainda mais os momentos de tensão, é a “perturbadora” atuação de Inde Navarrette (da série Superman e Louis). A transformação de Nikki, é assustadora, a atriz nos convence de toda a vulnerabilidade de sua personagem, o desespero, os surtos psicóticos, as expressões faciais e trejeitos assustadores, causando uma aflição e um desconforto no espectador, uma performance cheia de camadas onde nada parece ser forçado – tem os extremos, claro, mas isso faz parte da construção da personagem -. Michael Johnston também se destaca com o tímido e romântico Bear, que impressiona com os seus olhares de angústia e pavor diante das situações que começa a enfrentar, e claro, o jeito romântico e inseguro do personagem. Mas será que ele é a vítima ou o vilão da história?

Obsessão acaba gerando um debate sobre as atitudes de Bear, e até onde alguém pode ir para conseguir o que quer, mesmo que sem intenções de prejudicar alguém – mas também, com imaginar que um simples desejo podia ter consequências terríveis? -. O personagem é inseguro, tímido, não sabe expressar os seus sentimentos, não consegue dizer que é apaixonado por Nikki, e acaba recorrendo a um desejo inconsequente. É aquele típico personagem das comédias românticas que o público acha “fofo” e sensível, mas que em “Obsession”, no original, Baker inverte os papéis de um homem bonzinho e romântico para um homem egocêntrico e manipulador que, de certa forma, tirou o livre arbítrio de uma pessoa, é um desejo não consentido (a cena em que a Nikki “real”, não a Nikki possuída, começa a falar enquanto a "outra Nikki" dorme é marcante). E você, acha que Bear é vítima ou o vilão? No fim, Obsessão é um dos filmes mais surpreendentes do ano até agora, Curry Barker pega uma premissa simples – fazer alguém que você está apaixonado te amar incondicionalmente -, e cria um terror psicológico que mantém o clima desconfortável e de tensão durante o tempo inteiro, com consequências que beiram ao absurdo e ao exagero (no ótimo sentido), e ainda com muito sangue e violência feita para chocar o público, e Barker consegue. Com uma atuação assustadora de Inde Navarrette, Obsessão é emocionalmente inquietante, imersivo, um dos melhores filmes de terror do ano, aquele filme que você vai sair indiferente depois que assistir.

OBSESSÃO
Ano: 2026
Direção: Curry Barker
Distribuidora: A24/ Universal Pictures
Duração: 109 min
Elenco: Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson,
Megan Lawless
NOTA: 9,5








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