CRÍTICA | A EMPREGADA
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 14 de jan.
- 3 min de leitura

A Empregada é um filme que tem se destacado bastante nesse início do ano, e tem levado um grande público para os cinemas – até agora, são mais de U$ 100 milhões arrecadados somente nos Estados Unidos -. Baseado na obra de Freida McFaden, e dirigido por Paul Feig (de Um Pequeno Favor e Missão Madrinha de Casamento), The Housemaid é um “thriller doméstico” repleto de mistério, segredos, e reviravoltas que surpreendem o espectador, mostrando que as aparências enganam, e muito. Abordando temas como violência doméstica, abuso psicológico, diferenças de classe, gaslighting, a trama acompanha a jovem Millie (Sydney Sweeney) que aceita trabalhar como empregada na mansão do casal Andrew e Nina (Amanda Seyfried). Parecia ser o emprego perfeito, mas a situação vai ficando cada vez mais tensa quando Nina começa a ter surtos psicológicos e culpar Millie por todos os seus erros, colocando o emprego da jovem em risco. Brandon Sklenar também está no elenco.
Exagerado e absurdo são as palavras que melhor definem o filme A Empregada, uma história de vingança muito bem arquitetada que prende a sua atenção o tempo todo, e que te surpreende com as revelações e segredos que vão surgindo durante a trama. Tudo é muito bem pensado para confundir o espectador, todas as situações parecem suspeitas, talvez você já possa desvendar o segredo antes da revelação - que acontece muito antes do ato final -, e nada é o que aparenta ser. E apesar desse tom mais exagerado, o filme não decepciona: os embates entre Nina e Millie são ótimos, com muitas indiretas, falsidades, cinismo, tem suspense e mistério do início ao fim, o ritmo frenético dos acontecimentos não deixa o filme cair no marasmo, os rumos que o roteiro leva surpreendem, e a maioria a gente não esperava. Mas o filme funciona, principalmente, pelas protagonistas, Millie (Sweeney) e Nina (Seyfried).

De um lado temos Millie, uma jovem mulher atraente, com um passado problemático, ingênua, e que realmente precisa de um emprego fixo para seguir com a sua vida. Do outro temos Nina, uma doméstica casada com um milionário, a mãe e esposa perfeita, mas muitas vezes é manipuladora, mentalmente surtada com suas constantes mudanças de humor, abusiva, e chantageia as pessoas (principalmente Millie). A rivalidade entre as duas é o que move a trama, que ainda tem no meio disso tudo o marido de Nina, o pai amoroso, gato, musculoso, e atencioso com todos, Andrew (Brandon Sklenar), incrivelmente paciente com os surtos da esposa. E com toda essa dinâmica, era obvio que poderia surgir um tórrido triangulo amoroso.
Amanda Seyfried simplesmente é o maior destaque de A Empregada, entregando exatamente o que a trama pede: uma Nina exagerada e cínica. As vezes sentimos raiva da personagem, outras pena, e apesar de uma atuação mais teatral e caricata, é impossível ficar indiferente quando a personagem surge em tela; a atriz domina totalmrnte a cena. Já Sydney Sweeney se mostra mais determinada a enfrentar toda a situação a partir da metade do filme, e demonstrando confiança, apesar de começar de forma mais ingênua e mais passiva. A atriz convence como uma jovem que precisa de um apoio, um salvador (outra crítica), alguém que a ajuda a crescer na vida – e esse cara pode ser o marido da sua patroa -.

A maior reviravolta acontece ainda na metade do filme, seguida por um longo flashback que explica tudinho e amarra as pontas soltas do roteiro. E é aí que aquele ditado de que “as aparências enganam” faz mais sentido. O terceiro ato tem um ritmo frenético, intenso, até violento, e claro, totalmente exagerado e “fora da casinha”, um amontoado de clichês e absurdos que, pasmem, funciona muito bem. No fim, A Empregada é uma das primeiras e grandes surpresas do ano, um filme divertido, caótico, exagerado, com personagens caricatos, histéricos, e mentalmente perturbados, repleto de suspense e mistério que prendem a atenção do público pela trama inusitada, e as diversas revelações que realmente vão te surpreender. Se você não leu o livro, nem se preocupa porque não atrapalha em nada, pelo contrário, é até melhor você ir ao cinema sem saber quais são as reviravoltas. Talvez, alguns já possam perceber o grande segredo muito antes, até porque, tudo parece muito perfeito, muito suspeito, muito bom para ser verdade. E se o livro é melhor que o filme, não sei, mas provavelmente deve ser (geralmente é), e pelos comentários, não mudaram muita coisa, mas é fato que A Empregada surpreende e diverte.

A EMPREGADA
Ano: 2026
Direção: Paul Feigh
Distribuidora: Paris Filmes
Duração: 133 min
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar
NOTA: 9,5
Disponível no










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