top of page

CRÍTICA | O SEGREDO DO ABISMO

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 10 de set.
  • 8 min de leitura

ree

O Segredo do Abismo, lançado em 1989, é um dos filmes mais curiosos e menos conhecidos da carreira do diretor James Cameron (ao lado de Piranha 2: Assassinas Voadoras, que muita gente não acredita que ele dirigiu), e você provavelmente deve conhecê-lo mais pela franquia O Exterminador do Futuro, a franquia Avatar, e provavelmente o seu maior filme, Titanic. Na época do lançamento de “The Abyss”, no original, Cameron vinha de dois grandes sucessos – o primeiro “O Exterminador do Futuro (1984)”, e a sequência “Aliens: O Resgate (1986)” -, mas tinha também o fracasso de Piranha 2 no currículo, e então a FOX deu “carta livre” para ele produzir algo que ele bem entendesse. E temos “O Segredo do Abismo”, projeto que Cameron já tinha planejado fazer a alguns anos.


Poucos filmes de ficção-científica se passavam no fundo do mar, ainda mais em uma época em que a maioria desses filmes se passava no espaço – a primeira trilogia Star Wars, e os dois filmes da franquia Alien -, assim, o cenário aquático ainda era novidade e muito pouco explorado n o cinema (existiam produções muito menos conhecidas e que acabaram não ganhando muita relevância – alguns injustamente). “The Abyss” acabou se tornando um fracasso de bilheteria, mas anos depois foi considerado um clássico do gênero, além de ser se tornado referência para futuras produções do subgênero. Ao longo de décadas, vários diretores usavam conflitos, ou guerras, como plano de fundo para seus filmes, e em O Segredo do Abismo James Cameron abordou a Guerra Fria (que já estava no finalzinho) como plano de fundo para criar uma história de ficção com seres alienígenas aquáticos que buscam a paz. Na trama, durante a Guerra Fria entre a União Soviética e os EUA, o submarino nuclear americano SS Montana foi dado como desaparecido após um suposto ataque – pelo menos é o que os Estados Unidos acha que aconteceu -. Então, o governo americano envia uma equipe militar de resgate, contratando os mergulhadores de uma plataforma submarina de petróleo, a Benthic Explorer, que já estava perto do local do acidente. Ed Harris, Mary Elisabeth Mastrantonio, Michael Biehn, e Kimberly Scott estão no elenco.


ree

O Segredo do Abismo é um filme ficção-científica tecnicamente impecável, que segue mais para o lado mais fantástico, fantasioso, ao introduzir na trama de conspiração seres aquáticos que podem estar há séculos no fundo do mar. A ideia inserir no roteiro a tensão entre a União Soviética e os Estados Unidos é bem interessante, e o mistério que envolve a trama deixa o espectador bastante curioso, onde James Cameron soube dosar bem os momentos emocionantes envolvendo os personagens de Ed Harris e Mary Elisabeth Mastrantonio, a trama de conspiração dos militares, o abismo e os seres alienígenas, tem até os diálogos clichês e os momentos realmente dramáticos que se tornariam marca registrada do diretor. Mas a história parece não ter um foco definido (pelo menos não na versão do cinema): tensão entre os governos, uma equipe vai resgatar ogivas nucleares de um submarino, eles encontram um alienígena aquático, todos ficam loucos e tem embates -, parece tudo desconexo, aleatório. Porém, isso não é nenhum grande problema que vá atrapalhar quem for assistir ao filme, e provavelmente a maioria nem vai perceber isso. A tensão começa quando a equipe militar chega no Benthic Explorer, causando um certo atrito entre eles e os trabalhadores da plataforma de petróleo, comandada por Bud Brighman (Ed Harris). E entre segredos revelados, embates corporais, e perseguições com veículos aquáticos, Cameron consegue criar momentos angustiantes com os cenários claustrofóbicos e os perigos de estarem a metros abaixo da superfície (a água começa a entrar na plataforma, o oxigênio vai acabando). E entre uma briga e outra, os seres aquáticos dão as caras, mas no filme eles não são uma ameaça a nível de um xenomorfo.


Já a parte técnica de O Segredo do Abismo é realmente impecável, a direção de arte, a fotografia azulada, os cenários da plataforma e os do lado de fora embaixo d’água, tudo parece tão real, e isso aumenta ainda mais a imersão do público. Os efeitos em CGI também foram ótimos e bem-produzidos para a época do lançamento, utilizando efeitos práticos, além do famoso “chroma key”, cenários recriados em tanques nos estúdios, e claro, efeitos de computação gráfica em momentos específicos e importantes, já que o CGI ainda era muito precário e difícil de fazer. Não é atoa que o filme ganhou um Oscar na categoria de Efeitos Especiais, além de ter sido indicado como Melhor Direção de Arte, Fotografia e Som. As filmagens não foram fáceis: os atores filmavam as cenas à 10 metros abaixo d’água durante várias horas seguidas, as filmagens levaram em torno de cinco meses para concluírem, e Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrantonio tiveram problemas físicos e psicológicos durante as gravações. A trilha sonora de Alan Silvestri também contribui bastante para causar uma comoção maior no público, seja nos momentos mais tensos, ou nos mais emocionantes e reveladores, com um tipo de coral com toques mais fortes e dramáticos – a sequência final é o melhor exemplo -.


ree

James Cameron sempre soube criar histórias fantásticas e marcantes, mas em relação ao desenvolvimento dos personagens, o diretor sempre teve seus altos e baixos, com arcos dramáticos clichês e chatos. Em O Segredo do Abismo, o foco principal é a trama envolvendo o submarino e os seres aquáticos, mas existe uma “história de amor” no meio de tudo isso. Bud (Ed Harris) e Lindsey (Mary Elizabeth Mastrantonio) estão se divorciando, mas ainda se amam, trocando farpas e indiretas a todo instante, inclusive o casal está envolvido em dois dos momentos mais dramáticos e emocionantes do filme, e tudo faz mais sentido na versão estendida (logo falarei sobre). É legal também ver como a equipe de Bud é unida e sempre estão um do lado do outro, inclusive quando a equipe militar chega, querendo mandar em tudo – entre os integrantes da equipe de Bud, destaco Lisa (Kimberly Scott), extremamente carismática e divertida, e Hippy (Todd Graff), com seu ratinho de estimação -. Michael Biehn é outro nome conhecido no elenco – o ator já havia trabalhado com James Cameron em Aliens: O Resgate – e interpreta o soldado militar do governo americano Coffey, claramente o vilão do filme, criando um antagonista durão e misterioso que começa a enlouquecer por passar muito tempo embaixo d’agua.


Apesar de algumas inconstâncias no roteiro, O Segredo do Abismo é um filme marcante e muito bem-produzido, com uma direção de arte espetacular, ótimos efeitos especiais, e é original ao levar a trama envolvendo alienígenas para o fundo do mar – tendo em vista que a maioria dos filmes do gênero se passavam no espaço -. É um dos filmes menos desconhecidos de James Cameron, mas acaba se tornando um dos melhores da sua filmografia, com sequências intensas e emocionantes, uma trama de ficção-científica e mistério que prende a atenção do espectador, e um desfecho sensacional, provavelmente um dos mais impressionantes e bonitos do cinema. E realmente a versão estendida faz tudo ter mais sentido, além de ser a versão definitiva que Cameron queria originalmente.




ree

O SEGREDO DO ABISMO


Ano:1989

Direção: James Cameron

Distribuidora: 20th Century Studios

Duração: 149 min/ 171 min

Elenco: Ed Harris, Mary Elizabeth Mastrantonio, Michael Biehn, Kimberly Scot


NOTA: 10


Disponível no


ree










TRAILER ORIGINAL




TRAILER RELANÇAMENTO EDIÇÃO ESPECIAL EM 4K






A VERSÃO ESTRENDIDA/ EDIÇÃO ESPECIAL


Durante as gravações de O Segredo do Abismo, ocorreram diversos contratempos, desde atrasos nas filmagens por causa de problemas e dificuldades com os cenários, e até questões envolvendo os atores (mencionadas anteriormente), principalmente Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrantonio. Além disso, apesar da tecnologia ter avançado consideravelmente para a época, os recursos de efeitos em CGI ainda eram precários, e algumas cenas no roteiro se tornariam caras demais para fazer, e por fim, o orçamento da produção já estava ultrapassando a média de valor disponibilizado pela FOX (hoje em dia, 20th Century Studios). Originalmente, o filme teria em torno de 2h50 minutos de duração, o que era bastante tempo para um filme ser lançado no cinema na época, e juntando com os problemas no orçamento, James Cameron foi obrigado a fazer cortes na pós-produção, reduzindo o tempo de duração para 2h20 minutos.


Algumas cenas deletadas realmente não acrescentavam muita coisa para a história, mas outras eram importantes e fizeram o filme ter mais sentido, se aprofundando mais nos temas abordados. A questão da Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos era mais explorada, enfatizando os ataques entre os países e a tensão entre os governos, onde a maioria eram mostradas por reportagens na TV. Isso explicaria melhor o fato de o exército americano querer buscar as ogivas nucleares no submarino, e o motivo de Coffey (Michael Biehn) ficar paranoico, não somente pela pressão do fundo do mar, mas também por achar que a URSS estava por perto. Além disso, o relacionamento complicado de Bud e Lindsey também faz mais sentido na versão estendida: tem mais conversas entre eles explicando os motivos de se separarem, descobrimos mais sobre a personalidade de ambos, ficando mais evidente o fato de eles ainda se amarem. Isso tudo potencializa as duas sequências mais emocionantes do filme – quando Lindsey se afoga (mas sobrevive), e a descida de Bud no abismo para desativar a ogiva nuclear - cena totalmente questionável e impossível fisicamente, mas tudo bem -.


ree

E por fim, a sequência mais importante e o divisor de águas da produção: os seres alienígenas aquáticos, a nave deles, e as suas motivações, explicando melhor sobre o porquê desses seres estarem na Terra. Após Bud desativar a ogiva nuclear, restavam somente cinco minutos de oxigênio, o que não seria suficiente para ele voltar todo o percurso. Mas havia uma “luz no fim do abismo”, e um dos seres aquáticos, que já havia aparecido anteriormente, pega na mão de Bud e o leva em direção a nave deles, em uma das sequências mais belas e psicodélicas do cinema, um visual espetacular e impressionante, e a trilha sonora emocionante de Alan Silvestri deixa a cena ainda mais incrível (veja logo abaixo a cena). Essa sequência toda estava na versão do cinema, porém, a edição faz um corte considerado "brusco" e incoerente por todos na época. Mas porque os esses seres misteriosos estão no fundo do mar? O que eles querem? E tudo faz sentido na versão estendida. Já em uma sala dentro da nave, o ser que o resgatou exibe reportagens de um canal de TV mostrando uma enorme tsunami prestes a invadir Los Angeles, fato que também está acontecendo em várias cidades litorâneas do planeta. Bud, então, percebe que são eles que estão provocando as tsunamis. Mas por qual motivo esses seres que parecem buscar a paz, estão querendo acabar com a humanidade? Seguem-se diversas cenas de guerras, conflitos, ataques de bombas nucleares, violência, tudo causado pelo homem, como que se a gente fosse destruir o planeta, e que a gente nunca iria mudar, buscar a paz. Claro que, por causa da ligação emocional e do amor entre Bud e Lindsey, os seres alienígenas acabam percebendo que nem todo mundo age assim, dando uma segunda chance para a humanidade de fazer o bem. Essa sequência toda faz mais sentido se comparado com a versão do cinema, onde simplesmente a nave surge na superfície do oceano, resgatando Bud e a estação de Petróleo.


ree

Nesse caso específico, as cenas não foram totalmente finalizadas, e muitos efeitos em CGI deveriam ter sido adicionados na pós-produção, mas por não ter ainda a tecnologia adequada para fazer, e pelo estouro do orçamento, Cameron acabou optando por excluir da versão final. Tudo foi possível três anos depois, somente após o sucesso estrondoso de O Exterminador do Futuro 2, também dirigido por ele: James Cameron acabou assinando um contrato com a Lightstorm – parceira da Fox – destinando U$ 500 mil dólares para finalizar O Segredo do Abismo. As cenas dos tsunamis, por exemplo, sequer tinham sido feitas por causa da tecnologia da época, e só foram introduzidas e finalizadas pelas Industrial Light And Magic em 1992. Além disso, as cenas deletadas não tinham sido remasterizadas, e alguns diálogos, e até a trilha sonora tiveram que ser regravadas, fazendo com que Cameron chamasse a maioria do elenco e equipe para gravar.


ree

ree

 



A REVELAÇÃO DOS SERES AQUÁTICOS/ ALIENÍGENAS





SEQUÊNCIA DO TSUNAMI






MAKING OF (EM INGLÊS) | O SEGREDO DO ABISMO






DOCUMENTÁRIO (EM INGLÊS) "THE MAKING OF THE ABYSS"






ree

ree

ree

ree

ree

ree

ree

ree

ree



Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

 

Contate-nos

Obrigado!

© 2025 O Maravilhoso Mundo da Sétima Arte. Design criado em Wix.com

bottom of page