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CRÍTICA | HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 30 de jan.
  • 4 min de leitura


08 Indicações ao Oscar: Melhor FILME, Melhor Direção (Chloé Zhao), Melhor Atriz (Jessie Buckley), Roteiro Adaptado, Melhor Elenco, Trilha Sonora, Direção de Arte, e Figurino



Em 2020, a diretora, roteirista, produtora, e editora chinesa Chloe Zhao, despontou em Hollywood com Nomadland, produção ganhadora do Oscar de melhor Filme, e de direção para Zhao, e no ano seguinte com o filme da Marvel “Eternos”. Mas o auge da sua carreira chegou esse ano com Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, baseado no best-seller homônimo de Maggie O’Farrell sobre a criação de uma das maiores peças da dramaturgia mundial: “A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca”, conhecido apenas como “Hamlet”. Intimista e emocionante do início ao fim, e abordando temas sobre amor, luto, e tragédias, a história mostra como William Shakespeare (Paul Mescal) e Agnes (Jesse Buckley) se conheceram e construíram sua família, levando ao trágico destino que mudaria as suas vidas para sempre. Entre altos e baixos na vida do casal, eles acabam tendo três filhos, Susanna (Bodhi Rae Breathnach), e os gêmeos Judith (Olivia Lynes) e Hamnet (Jacobi Jupe), e Shakespeare acaba indo para Londres à trabalho, deixando Agnes sozinha em casa cuidando dos filhos, mas contando com a ajuda do irmão, Bartholomeu (Joe Alwyn). Quando uma tragédia causa a morte de Hamnet, a vida do casal começa a desmoronar, fazendo com que Shakespeare crie uma das maiores obras da história, Hamlet. Emily Watson também está no elenco.


Hamnet: A Vida Antes e Hamlet é um envolvente e poderoso drama sobre amor, perda, e luto, não se trata de uma biografia de William Shakespeare sobre como ele criou a famosa obra, e sim uma história intimista dele como pessoa, sua vida familiar com Agnes e seus filhos, os momentos felizes e as tragédias que mudaram a vida deles para sempre. Desde o início, o filme já nos prende a atenção, principalmente com a direção de arte e os cenários do século 16, a floresta, e a leveza como Chloe Zhao vai nos contando a história de amor de Shakespeare e Agnes. E forma como o roteiro constrói os personagens é tão eficiente que rapidamente conquista o público, tornando-os humanos, sensíveis, contribuindo tanto para os momentos felizes quanto para as cenas mais tensas e tristes. É confortante presenciar a alegria e a sintonia da família Shakespeare, mesmo com as dificuldades na relação do casal – ele passa grande parte do tempo em Londres -, mas também tem momentos impactantes e tristes que a família enfrenta, como a sequência do parto dos gêmeos, e a da morte de Hamnet, os pontos mais fortes da trama, e é difícil não se emocionar ou sentir a dor que os personagens passam. A cena de despedida de Shakespeare com seu filho, Hamnet, é tão forte – a última vez que o veria -, todos esses momentos dirigidos magistralmente por Zhao.



Não é à toa que Jessie Buckley tem ganhado todos os prêmios e os holofotes pela sua atuação como Agnes, em Hamnet. A atriz entrega uma atuação intensa em todos os momentos, seja os mais felizes junto com os seus filhos, ou os mais tristes, quando o seu marido viaja para Londres, e o luto pela morte de um dos seus filhos. Com apenas um olhar e algumas expressões, o espectador sente exatamente a dor e o sofrimento da personagem, assim como a alegria de estar com a sua família – a cena do parto, o choro seco da morte de Hamnet, e o ato final – são os momentos mais marcantes de Agnes. Para interpretar o maior dramaturgo da literatura mundial, coube ao astro irlandês Paul Mescal o desafio. Mescal cria um William Shakespeare bem diferente de outras interpretações já feitas, mais humano, sensível, um pai de família dedicado e amoroso, em uma atuação contida, sutil, mas emocionante quando precisa ser, principalmente nos momentos de luto. Lembrando que o filme não é sobre a biografia de Shakespeare, e sim a história da sua vida como um ser humano, um pai de família, e o ator entrega exatamente isso. Além disso, a química com Jessie Buckley é incrível, e é o ponto crucial para que a produção funcione. As crianças também merecem destaque, em especial os irmãos gêmeos Judith (Olivia Lynes) e Hamnet (Jacobi Jupe), mas com destaque para o intérprete de Hamnet. Jacobi eleva a carga emocional do filme com uma atuação cativante, além da ótima sintonia com suas irmãs, e seu pai, interpretado por Mescal.



O ato final de Hamnet, o da apresentação da peça de teatro, é o momento mais emocionante e marcante do filme, tem um impacto poderoso, é delicado, sensível, é impossível não se emocionar e chorar – e a atuação de Jessie Buckley só potencializa ainda mais esses sentimentos -. É o momento de deixá-lo ir embora, continuar com a vida, e finalmente sair do luto. De todos os indicados ao Oscar, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é o mais diferente de todos, e um dos melhores da temporada de premiações. Com uma direção de arte e fotografia belíssima que faz o publico imergir ainda mais na história, e diversas referências às peças de Shakespeare, o novo filme de Chloe Zhao é envolvente, emocionante, com atuações incríveis de todo o elenco, e acerta em não ser uma biografia barata de um dos maiores autores da dramaturgia mundial, e sim uma história de vida de como qualquer outra pessoa comum, e esse é o maior diferencial. Hamnet é uma história de amor, um filme sobre perdas, luto, e como isso tudo fez com que surgisse, provavelmente, a maior obra literária da história. Impossível não ficar indiferente após o término da sessão. O Oscar para Jessie Buckley é certo!



HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET


Ano: 2025

Direção: Chloe Zhao

Distribuidora: Universal Pictures

Duração: 126 min

Elenco: Jessie Bukley, Paul Mescal, Emily Watson, Joe Alwyn.



NOTA: 9,5





















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