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CRÍTICA | MALDIÇÃO DA MÚMIA

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 17 de abr.
  • 3 min de leitura


Os filmes clássicos com múmias sempre foram mais para o lado do horror do que para a aventura em si, como na franquia “A Múmia”, estrelados por Brendan Fraser, que tinham uma pegada mais “Indiana Jones”. E a Universal Pictures bem que tentou trazer o universo da múmia novamente para o terror com o filme estrelado por Tom Cruise, em 2017, dando início ao “monsterverse” do estúdio – que acabou sendo um fracasso de crítica e bilheteria -. Agora, o diretor Lee Cronin traz de volta o universo da múmia para o horror com o visceral “Maldição da Múmia”, uma mistura de filme de múmias com possessão demoníaca, casa mal-assombrada, e um “body horror” (horror corporal) no melhor estilo, e mais nojento também. Na trama, o jornalista Charlie Cannon (Jack Reynor), e sua família, moram no Egito, quando a sua filha mais nova, Katie, é sequestrada. Oito anos se passam, Charlie e sua família se mudam para o Novo México, seguiram com as suas vidas, até que eles recebem a notícia que Katie foi encontrada, mas dentro de um sarcófago. E o que era para ser um reencontro emocionante, se torna algo assustador que pode pôr a vida de todos em risco.


Lee Cronin dirigiu o último “A Morte do Demônio: A Ascensão”, então, seu novo filme vai ter diversos elementos e referências com a franquia “Evil Dead”. E esse é o maior acerto da produção: a violência. “Maldição da Múmia” é nojento, visceral, tem sequências agoniantes, com muito sangue, cenas gore – que vão desde arrancar os dentes, tirar a pele, vômitos na cara, e outras nojeiras -, aqueles que são mais sensíveis, se preparem. O terror e o suspense são muito bem construídos, e à medida que a trama vai se desenvolvendo, vamos descobrindo os segredos que envolvem o desaparecimento de Katie. Porém, aqueles elementos característicos dos filmes de múmias – tumbas, escaravelhos, escorpiões, as pirâmides, a mitologia egípcia - pouco aparecem, e o foco acaba sendo mais a possessão demoníaca. E é aí que o filme peca, já que usa diversos elementos clichês do gênero, e tem resoluções previsíveis, mas Lee Cronin pouco se importa com isso. O que ele quer é impressionar o público com as cenas grotescas, e isso ele consegue. E junto com a possessão demoníaca, o roteiro também trabalha na dinâmica familiar, nos traumas dos personagens, a família se voltando um contra o outro por causa da múmia, nada de tão convincente, profundo, ou dramático, mas funciona.



Todo o elenco de “Maldição da Múmia” entregam ótimas atuações que ajudam a desenvolver o clima de tensão por tudo que estão passando, mas destaco aqui Natalie Grace, a garotinha endemoniada da vez. Primeiro que o visual da personagem é incrível, um ótimo trabalho de maquiagem – principalmente nas cenas de mutilação (o body horror) -, e isso inclui as bandagens para cobrir o corpo de Kate, afinal, ela ficou oito anos dentro do sarcófago. E a atuação da atriz mirim? Impecável e assustadora. Natalie Grace impressiona bastante, desde os momentos em que se contorce e os que ela fica imóvel e sem reação, além das sequências em que a personagem faz as maiores atrocidades – tanto com ela quanto contra os outros personagens -. Há tempos que não se via uma atuação tão convincente de uma atriz mirim como a dela.


De uma forma geral, "Maldição da Múmia" termina com saldo positivo, trazendo a criatura egípcia de volta ao gênero do terror, ainda que não seja totalmente um filme de múmias, focando mais em um terror sobre possessão demoníaca. Não é um filme assustador, é apenas gráfico, tem cenas pesadas e cheias de nojeiras com sangue, mutilação, muito gore, vários elementos trash, e um terceiro ato bem trabalhado – um pouco longo demais, e exagerado -, mas que já vale pelo filme todo. "Maldição da Múmia" é aquele filme que diverte momentaneamente, não inova o gênero, mas é difícil sair indiferente da sessão, e se você é mais sensível e não gosta de cenas nojentas, não assista porque você vai se sentir desconfortável. Mas se você curte uma vibe no estilo “A Morte do Demônio”, “Lee Cronin: The Mummy”, no original, é um prato cheio, um ótimo filme de horror.





MALDIÇÃO DA MÚMIA


Ano: 2026

Direção: Lee Cronin

Distribuidora: Warner Bros. Pictures/ Blumhouse

Duração: 129 min

Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy,

Veronica Falcon e Shylo Molina



NOTA: 8,5















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