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CRÍTICA | A LONGA MARCHA: CAMINHE OU MORRA

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 18 de set.
  • 4 min de leitura

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Stephen King é um dos autores que mais tem suas obras adaptadas para o cinema – perdendo somente para William Shakespeare -, com mais de 50 adaptações para o cinema e para a TV. King é considerado o mestre do terror, mas nem sempre suas obras são necessariamente de terror, como por exemplo, Um Sonho de Liberdade, A Espera de Um Milagre, e até o recente A Vida de Chuck, que seguem mais para o lado dramático, mas com alguns toques sobrenaturais. E é por esse caminho que a nova adaptação, A Longa Marcha: Caminhe ou Morra, vai – claro que sem os elementos sobrenaturais -; a abordagem aqui é mais realista, e cruel.


“The Long Walk” é a primeira obra que Stephen King escreveu – mas não a primeira publicada -, entre 1966 e 1967, e sendo lançada somente em 1979, usando o pseudônimo de “Richard Bachman”. Dirigido por Francis Lawrence (da franquia Jogos Vorazes, menos o primeiro filme que não dirigiu), A Longa Marcha parte de uma premissa bem interessante, brutal e impactante. Os Estados Unidos foi assolado por um conflito específico não mencionado, e agora vive em um regime autoritário onde, todo ano, um grupo de 50 jovens participam de uma competição mortal: uma longa caminhada com um limite mínimo e máximo de velocidade, com o risco de serem fuzilados por soldados americanos se pararem de caminhar, ou saírem da estrada. Cooper Hoffman, David Jonsson, e Mark Hamill estão no elenco.


Sem muitos rodeios, já adianto que A Longa Marcha: Caminhe ou Morra entra facilmente no top 10 das melhores adaptações de Stephen King para os cinemas. Francis Lawrence dirigiu quatro filmes da franquia Jogos Vorazes – que curiosamente foi inspirado nessa obra de King -, então o diretor sabe muito bem como prender a atenção do público. Lawrence cria um filme tenso, e até emocionante em certos momentos, explorando os limites físicos e psicológicos dos jovens nessa longa caminhada onde restará apenas um sobrevivente. “The Long Walk” mexe com os nervos do espectador à medida que vamos conhecendo os “caminhantes”, já que o roteiro de JT Mollner foca bastante nos diálogos e no desenvolvimento dos personagens, garantindo assim uma conexão genuína com o público. E isso ajuda bastante nas situações em que eles começam a ficar cansados e desesperados, momentos antes de levarem um tiro; a trilha sonora mais dramática potencializa esse sentimento ainda mais, então, não se espante se você se emocionar um pouco. Brutal, violento, nu e cru, o diretor não poupa o espectador com mortes gráficas e impactantes, com sangue e vísceras espalhadas pela estrada, e outros momentos de necessidades fisiológicas em que os personagens acabam passando, mas nada de exagerado, impactando mais pelo ato e pela situação desesperadora em si. Não é a toa que a classificação etária foi de 18 anos.


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A Longa Marcha é um filme que se sustenta nos personagens, na conexão entre eles, e todos são bem desenvolvidos pelo roteiro, o que facilita a conexão com o público. O jovens estão ali por vontade própria, ninguém foi obrigado a participar da caminhada, e cada um tem algum motivo específico, seja por vingança, dinheiro, ou pela necessidade de sobreviver. E a medida que a história se desenvolve, o companheirismo entre eles vai aumentando, a conexão vai se estabelecendo, e se antes eram apenas desconhecidos, agora acabam se tornando amigos e companheiros de jornada, ajudando um ao outro nos momentos de exaustão física e mental. Cooper Hoffman, de Licorice Pizza e filho do falecido ator Phillip Seymour Hoffmann, e David Jonsson, o Andy de Alien: Romulus, são os protagonistas de A Longa Marcha, e acabam criando uma conexão incrível desde o início, e que vai sendo aprofundada à medida que os problemas vão surgindo. A dupla está incrível e bem à vontade nos seus respectivos papeis, o caminhante nº 47 Ray Garraty, e o caminhante nº 23, Peter McVries, passando para o público todo o medo e sofrimento pela situação que estão passando – seja através de olhares ou pelas suas reações genuínas -, principalmente quando os seus amigos vão sendo mortos aos poucos. Os coadjuvantes também se destacam, são bem desenvolvidos pelo roteiro de JT Mollner, e contribuem para a tensão e os momentos tristes quando vão sendo mortos de forma brutal. Entre eles, se destacam os caminhantes nº 46 (Ben Wang), o nº 5 interpretado por Charlie Plummer, e Garret Wareing, o caminhante nº 38. Judy Greer também está no elenco, interpretando a mãe do personagem de Cooper Hoffmann, que aparece muito pouco na trama, mas está em um dos momentos mais sensíveis do longa.


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Quando Stephen King escreveu A Longa Marcha, nos anos 60, ele se inspirou na Guerra do Vietnã para criar o argumento que justificasse a existência dessa marcha. Mas agora são outros tempos, então, Frances Lawrence cria um mundo distopico pós-conflito, onde os Estados Unidos está passando por problemas socioeconômicos em um governo autoritário. E apesar de o filme manter toda a essência e os principais momentos da obra de King, o roteirista TJ Mollner fez algumas alterações, como o número de participantes (que eram 100 no livro, e no filme são 50), e o final: o vencedor do filme é diferente que o da obra literária, e o desfecho com o Major, interpretado por Mark Hamill, é diferente. A Longa Marcha: Caminhe ou Morra é uma das maiores surpresas do ano, um filme angustiante, repleto de momentos tensos e emocionantes, e que mostra o retrato de um governo autoritário e maldoso, e também as relações humanas entre um grupo de desconhecidos que acabam se unindo para superarem os desafios dessa caminhada mortal, onde somente um deles vai sobreviver. “The Long Walk” é muito bem construído, com foco nos diálogos e na interação entre os personagens para que o espectador se comova com a situação deles, principalmente nos momentos em que eles são mortos, além de ser um pouco brutal e chocante em vários momentos, então, não é um filme tão fácil de assistir, mas merece ser visto. Com certeza, uma das melhores adaptações das obras de Stephen King.



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A LONGA MARCHA: CAMINHE OU MORRA


Ano: 2025

Direção: Francis Lawrence

Distribuidora: Paris Filmes

Duração: 108 min

Elenco: Cooper Hoffman, David Jonsson, e Mark Hamill



NOTA: 9,5
















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