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CRÍTICA | VALOR SENTIMENTAL

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 23 de jan.
  • 3 min de leitura



09 Indicações ao Oscar: Melhor FILME, Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz (Renate Reinsve), Melhor Diretor (Joachim Trier), Ator Coadjuvante (Stellan Skarsgard), Atriz Coadjuvante (Inga Ibsdotter Lileaas e Ellen Fanning), Roteiro Original, e Melhor Montagem.



Valor Sentimental tem se destacado na temporada de premiações desde o ano passado, quando foi ovacionado no Festival de Cannes pelo público presente durante 19 minutos, e é também um dos principais concorrentes de O Agente Secreto no Oscar de Melhor Filme Internacional. Dirigido por Joachim Trier (de A Pior Pessoa do Mundo), Valor Sentimental é como qualquer outra produção dramática sobre relações familiares, mas a forma como o tema é abordado interfere no resultado final, resultando em um drama delicado, tocante, diferente, real, e que surpreende bastante o espectador. Na trama, o diretor de cinema Gustav Borg (Stellan Skarsgard) retorna para a vida de suas filhas, Nora (Renate Reinsve) e Agnes (Inga Ibsdotter Lileaas), com a intenção de gravar uma produção na casa onde as irmãs cresceram. O problema é que Gustav abandonou suas filhas quando elas eram ainda novas, e esse retorno do pai vai acabar mexendo com os sentimentos de cada uma delas, inclusive dele mesmo. Elle Faming também está no elenco.


Valor Sentimental é um filme bem intimista sobre a relação entre pai e filhas, e essa abordagem torna a produção bastante pessoal, independente. Os típicos problemas familiares estão presentes, mas tudo parece real e não atuações, não tem exageros, reviravoltas, melodramas baratos e clichês do gênero. A imersão é tanta que parece esquecemos que estamos assistindo a um filme, e pensamos que estamos vivenciando a situação. A câmera trêmula e em plano sequência em determinadas cenas, torna tudo mais “amador”, é mais intimista porque o ambiente é familiar – a casa que as irmãs cresceram potencializa essa sensação de acolhimento -, o espectador se “sente em casa”. O principal tema abordado é o abandono – Gustav esteve ausente em grande parte do crescimento de suas filhas -, e agora, ele busca uma reconciliação, e para isso, ele usa a “desculpa” de gravar o seu último filme na sua antiga casa, e ainda convida Nora para ser a protagonista; é a arte mexendo com as relações familiares, uma forma de buscar perdão, uma forma de expressar os ressentimentos e lidar com as situações.



O filme de Joaquim Trier funciona graças as incríveis atuações do elenco principal, todos indicados ao Oscar desse ano. Renate Reinsve interpreta Nora, uma atriz de teatro que sofreu pelo abandono de seu pai, e agora guarda sequelas disso, com crises de pânico e dificuldades em suas relações. O grande acerto é que Renate foge das atuações exageradas e dramáticas, ela entrega tudo com uma intensidade marcante, a cada olhar, expressão, até nos momentos de silêncio, a atriz transmite todas as nuances de sua personagem: o ressentimento, a dor, os traumas pelo abandono do pai, atuação que lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar. Stellan Skarsgard, que ganhou o Globo de Ouro de Ator Coadjuvante, e que também está indicado ao Oscar na mesma categoria, tem se destacado como uma das melhores atuações da sua carreira. Seu personagem Gustav, carrega o peso e a culpa de ter abandonado suas filhas, e o ator intercala bem entre o jeito arrogante, a vulnerabilidade e sensibilidade de um pai que busca uma reconciliação com suas filhas. E fechando a trinca de atuações, Inga Ibsdotter Lilleaas interpreta Agnes, irmã de Nora, que também ficou marcada pelo abandono do pai, mas parece lidar um pouco melhor com essa questão, ajudando sua irmã a superar os traumas. Inga é a primeira atriz norueguesa a ser indicada ao Oscar, criando uma personagem sutil, complexa, e sua conexão e dinâmica com Renate Reinsve é um dos destaques da trama.



Cada cômodo da casa, os móveis, são gatilhos e lembranças dos momentos tristes, e dos momentos alegres também, que as irmãs tiveram na casa, tudo tem um valor sentimental para elas e para todos os personagens que viveram no local. E esse retorno do pai promete mexer com as emoções e memorias de todos. Valor Sentimental é um filme maduro, sensível, um drama familiar mais intimista que foge dos melodramas e exageros do gênero, focando nos sentimentos dos personagens e na conexão entre eles, além do desfecho que foge dos padrões do gênero. Com um estilo de filmagem mais independente, Valor Sentimental nem parece que é um filme, o espectador consegue entender e se conectar melhor com os personagens, que fogem dos clichês dramáticos e exagerados. Um ótimo filme, com temas delicados e profundos brilhantemente dirigido e escrito.






VALOR SENTIMENTAL


Ano: 2025

Direção: Joachim Trier

Distribuidora: Neon/Mubi

Duração: 133 min

Elenco: Stellan Skarsgard, Renate Reinsve, Inga Ibsdotter Lileaas

e Elle Fanning


NOTA: 9,0



Disponível na MUBI


























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