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CRÍTICA | UNABOMBER

Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
26 de set.
3 min de leitura


O subgênero “true crime” – produções que abordam algum crime real - tem ganhado espaço nos cinemas e na TV nessa última década. Filmes como “O Enfermeiro da Noite”, a série “Dhamer”, e o documentário do Ted Bundy, todos da Netflix, “A Garota da Vez”, além do brasileiro “A Menina que Matou os Pais” – e as continuações - são os exemplos mais recentes. Agora, o novo exemplar é “Unabomber”, filme (também) da Netflix sobre o terrorista/ serial killer “Ted Kaczynski”, que enviava/ deixava bombas em diferentes locais nos EUA; seus ataques mataram três pessoas e feriram outras dezenas. A trama é dividida em dois tempos distintos – a juventude de Ted (Jacob Tremblay) quando ele ingressou em Harvard e participou dos experimentos psicológicos comandados por Henry (Russell Crowe), e na década de 90, quando a agente do FBI Joanne (Shailene Woodley) lidera a caçada ao terrorista.


Os filmes de true crime sempre são interessantes, inclusive os de ficção - que são levemente inspirado em casos reais, como O Silêncio dos Inocentes, clássico com Anthony Hopkins e Jodie Foster que foi inspirado no serial killer Ted Bundy -, e o filme em questão, “Unabomber”. Porém, o grande problema é da narrativa que condensa uma história tão complexa em apenas 97 minutos de duração, passando aquela sensação que poderiam ter explorado mais sobre o terrorista, o que compromete o ritmo da produção. E o problema nem é pela narrativa se desenvolver em duas linhas de tempo. A caçada liderada por Joanne é muito superficial, faltou uma investigação mais detalhada, mais momentos de tensão ou perseguição. E nem seria muita “invenção”, porque Joanne foi criada especialmente para o filme. O núcleo sobre o terrorista Ted Kaczynski também tem um problema parecido. Apesar da brilhante interpretação de Jacob Tremblay como Ted, o roteiro perde a oportunidade de desenvolver a transição psicológica do jovem prodígio no infame terrorista apelidado de Unabomber. O teste psicológico que o personagem passa é exemplar e repleto de momentos tensos, mas o foco somente nisso deixou a produção muito limitada.



Por outro lado, o elenco principal é o ponto alto da produção, onde todos entregam excelentes performances que compensam as fragilidades do roteiro. Jacob Tremblay brilha como o jovem Ted, construindo um personagem melancólico, instável, e com uma mente perturbadora de maneira mais contida, fugindo do estereotipo comum de serial killers do gênero. O conflito psicológico da trama ganha forças com o personagem de Russell Crowe, que interpreta o professor universitário de Harvard, um homem manipulador que esconde segredos por trás da sua simpatia, enquanto Shailene Woodley faz o que pode para dar peso e determinação a agente do FBI Joanne que, infelizmente, foi pouco desenvolvida no roteiro.


Mas quem foi Ted Kaczynski? Conhecido como “Unabomber”, Ted foi jovem prodígio da matemática que se tornou um dos terroristas mais caçados da história dos EUA. Apesar de ter matado três pessoas, o FBI não o considera um serial killer típico, já que ele foge do padrões comuns de um. Ele ingressou na Universidade de Harvard com apenas 16 anos, se tornando um professor acadêmico de matemática mais jovem. No entanto, no início da década de 70, desiludido com o avanço tecnológico e da sociedade moderna, abandonou a carreira acadêmica e se isolou em uma cabana. Entre 1978 e 1995, motivado pelos seus ideais anti-tecnologia, Kaczynski fabricou e enviou 16 bombas caseiras para universidades e companhias aéreas – por isso o apelido de Unabomber. A caçada só chegou ao fim em 1996, quando o terrorista publicou um manifesto em um jornal, intitulado de A Sociedade Industrial e Seu Futuro. O estilo de escrita chamou a atenção seu irmão, David, que achou parecido com a de Ted, denunciando-o as autoridades. Em 1996, Ted Kaczynski foi capturado, condenado a prisão perpétua onde, supostamente, cometeu suicídio em 2023.



Ainda que lançado pouco depois dos “true crimes” estarem em alta, Unabomber é um bom exemplar do gênero, que deixa o espectador ligado na trama, na investigação, e no desenvolvimento do antagonista, mas tentar condensar a trajetória complexa de Ted Kaczynski de forma apressada, o filme da Netflix acabou ficando com um ritmo irregular, que peca na tensão investigativa e na construção psicológica do terrorista. Porém, são as atuações magnéticas de Jacob Tremblay e Russell Crowe que salva a produção, garantindo que o fator humano e o embate psicológico se sobressaem às falhas do roteiro e mantenham o interesse do público até o fim.





UNABOMBER


Ano: 2026

Direção: Janus Metz Pedersen

Distribuidora: Netflix

Duração: 97 min

Elenco: Russell Crowe, Jacob Tremblay, Shailene Woodley


★★★ ½ 7,5



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