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CRÍTICA | SOBRENATURAL - AGORA ENTRE NÓS

Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
10 de out.
3 min de leitura


Quando o primeiro filme da franquia Sobrenatural (Insidious) estreou lá em 2010, o terror sobrenatural conseguiu dar uma repaginada no subgênero com um filme tenso, criativo, e muitas situações que o filme abordou – viagens astrais, o além, dons mediúnicos – era realmente possível de acontecer. Criado por Leigh Whannell e James Wan, os dois primeiros filmes da franquia Insidious focavam na família Lambert, enquanto o terceiro e quarto filmes funcionavam como “spin-off”, trazendo de volta apenas a personagem Elise (Lin Shaye). E apesar da recepção morna desses “spin-offs”, um quinto filme foi lançado, trazendo de volta – e finalizando de vez – o arco da família Lambert.


A franquia poderia ter parado aí, mas os produtores viram o potencial que tinham em mãos, e um sexto capítulo acabou sendo produzido, “Sobrenatural: Agora Entre Nós”, que apesar dos pesares, consegue dar um fôlego para a franquia e expandir a mitologia. Mas agora, o que nos espera do outro lado dessa vez? Se afastando, novamente, do núcleo original para explorar uma nova família sendo atormentada pelas entidades, a trama do novo filme acompanha Gemma (Amelia Eve), uma jovem mãe que cria sua filha na casa onde cresceu, e descobre que tem a habilidade de viajar para o além – a viagem astral -. Porém, uma entidade maligna começa a persegui-la, querendo voltar para o nosso mundo, e agora Gemma precisa dominar o seu próprio dom para enfrentar os segredos do seu passado e proteger a sua família.


Os dois maiores acertos de Sobrenatural: Agora Entre Nós, são expandir a mitologia da franquia, e a abordagem voltada mais para um suspense psicológico e dramático do que aquele terror característico da franquia. Ao criar novas regras para explorar o além, e mudar a perspectiva do funcionamento das viagens astrais, o roteiro prova que a franquia “Insidious” ainda tem espaço para ser explorado sem se limitar à família Lambert. Ainda tem os sustos e as aparições sinistras das entidades; o clima de tensão e a atmosfera sufocante também estão lá; cenas como a do consultório dentário, e a do labirinto do sofá – provavelmente a sequência mais tensa e angustiante da franquia – potencializam o horror característico dos outros filmes. Já o design de produção também é preservado pelo diretor Jacob Chase: a estética sombria com a névoa e a ambientação escura para representar que o personagem está no além, assim como a maquiagem grotesca das entidades, características essas que são marcas da franquia.  



No entanto, o maior diferencial em relação aos filmes anteriores é o apelo geracional que move os acontecimentos de Sobrenatural. Ao centrar a narrativa na ligação mediúnica entre avó, a mãe (Gemma) e a sua filha, o diretor resgata a essência emocional que também era uma característica da franquia: Gemma não apenas precisa proteger a sua filha, Maya, das entidades que querem voltar para o plano físico, mas ela também precisa resolver seu passado traumático com a sua mãe para quebrar a “maldição hereditária” que as coloca em risco, provando que “Insidious” não é somente um filme de sustos e aparições de fantasmas, mas também um forte drama familiar. Essa dinâmica funciona pelo carisma de Amelia Eva (Gemma), e da atriz mirim que interpreta sua filha, Maya, entregando atuações sólidas e carregadas de vulnerabilidade e medo que potencializam os momentos mais dramáticos. Lin Shaye, a nossa eterna médium Elise, também retorna para o novo filme com a mesma dinâmica do quinto capítulo: a personagem morreu no final do primeiro filme da franquia, então, ela aparece somente no além para ajudar Gemma contra as entidades malignas.


Sobrenatural: Agora Entre Nós prova que a franquia ainda tem fôlego e caminhos interessantes para continuar sem soar repetitivo. Focando mais em um suspense psicológico e dramático, mas mantendo os sustos, o ambiente sombrio e enevoado do além, e as aparições marcantes das entidades, o diretor Jacob Chase acerta em criar novas regras para explorar o além, e apesar do ritmo irregular em alguns momentos, o saldo final é positivo, uma ótima adição à uma franquia que conseguiu se destacar entre o cinema do horror sobrenatural. Se o próximo capítulo seguir por essa linha, será muito bem-vindo. Mas será que seis filmes já não bastam?






SOBRENATURAL: AGORA ENTRE NÓS


Ano: 2026

Direção: Jacob Chase

Distribuidora: Sony Pictures

Duração: 106 min

Elenco: Amelia Eve, Lin Shaye, Brandon Perea



★★★★ 8,5


Disponível no
























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