CRÍTICA | INVOCAÇÃO DO MAL 3: A ORDEM DO DEMÔNIO
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 4 de jun. de 2021
- 6 min de leitura
Atualizado: 8 de set.

Postado originalmente em 2021. Atualizado em 2025.
Quando o primeiro Invocação do Mal estreou, em 2013, ninguém esperava o sucesso que se tornaria, inclusive ter se tornado uma franquia chamada de "invocaverso". The Conjuring deu uma revigorada nos filmes de casas mal-assombradas, utilizando os clichês típicos do gênero a seu favor com uma trama real, e cenas de assombrações assustadoras. Os filmes eram baseados nos arquivos de Ed e Lorraine Warren, e cada caso envolvia alguma família sendo atormentada por alguma entidade: no primeiro filme, era a bruxa Bathsheba que assombrava os Perron, já em Invocação do Mal 2, era a freira demoníaca Valak. O Invocaverso ainda tem seus filmes derivados, três filmes da Annabelle, e dois de A Freira, além da inclusão de A Maldição da Chorona. Desde 2017, ano do lançamento do segundo filme, os fãs estavam “órfãos” de mais um capítulo assustador dos arquivos pessoais de Ed e Lorraine, até o lançamento de Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio, produção que dividiu a opinião do público e da crítica por não seguir a dinâmica dos filmes anteriores. James Wan não retorna para a direção, ficando a cargo de Michael Chaves, de A Maldição da Chorona, e a trama acompanha Arne (Ruairi O’Connor), um jovem que cometeu um assassinato enquanto estava possuído, e acabou preso em um sanatório. Ed e Lorraine (Patrick Wilson e Vera Farmiga) aceitam ajudar o garoto a provar a possessão, e acabam descobrindo uma terrível maldição envolvendo bruxarias e rituais satânicos.
O enredo dos dois primeiros Invocação do Mal se passavam na casa de alguma família, e a história se desenrolava toda no local, onde a tensão e os sustos se sustentavam com os cômodos de cada canto da residência, além da clássica cena de exorcismo no ato final. Já A Ordem do Demônio segue um caminho bem diferente, o da investigação. Tem a casa da família, mas o foco não é esse, tem o exorcismo no final, mas é diferente, e o caso de possessão é de outra forma. O que mais deixou o público dividido foi essa grande mudança, já que esperavam mais uma história de casa mal assombrada. Mas isso não deixa o filme menos interessante, muito pelo contrário. Há cenários diferentes para serem explorados, e tem sim os sustos e as cenas de suspense. A trama de investigação funciona, tem bastante mistério e cria teorias para o público desvendar, mas o problema é que tudo é muito simples e a reviravolta no final é previsível. Há também uma história paralela, que tem relação com o caso que os Warren estão investigando, e a trama poderia ter explorado mais o fato de Arne ser condenado, como aconteceu no ótimo O Exorcismo de Emily Rose. Outra ressalva é que o roteiro também poderia ter explorado mais os rituais de bruxarias.

Patrick Wilson e Vera Farmiga são as almas de Invocação do Mal, e é difícil imaginar um filme sem a presença dos atores. Sempre disse que o carisma deles soma muito na franquia, conseguindo criar uma empatia enorme com o público, e aqui não é diferente, provando que a química entre eles é incrível. E esse vínculo que o público tem com o casal Warren aumenta ainda mais quando conhecemos melhor sobre um momento especifico da vida deles. Mas quem se destaca também é Ruairi O’Connor, que interpreta o rapaz possuído, Arne, se saindo muito bem dentro das limitações de seu personagem. O roteiro poderia ter focado também na sua história pessoal com sua namorada, Debbie (Sarah Chaterine Rook), e na trama jurídica que envolve o caso. Aliás, a atriz consegue consegue ter bastante química com Ruari O'Connor, ajudando no apelo dramático do casal (Arne faz de tudo para proteger Debbie). Os outros personagens da família não se destacam tanto na trama, e também não tem muito carisma - as famílias Perron e Hodgson eram bem mais simpáticos - mas vale mencionar o garotinho David, interpretado por Jullian Hilliard, que confere um carisma incrível e muita sensibilidade ao personagem.
Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio não tem a direção de James Wan, e isso trouxe alguns problemas. Faltou brilho ou alguma cena marcante, e também faltou um "vilão demoníaco" no estilo Annabelle e a freira Valak, para depois criarem um "spin-off" - tem um vilão mas não é demoníaco -, os clichês aqui não funcionam tanto (parece que só James Wan consegue fazer funcionar), e o diretor Michael Chaves pega elementos dos filmes anteriores da franquia e adiciona seu toque pessoal, se saindo bem melhor do que A Maldição da Chorona, mas ainda sem aquela “magia” que os filmes de Invocação do Mal tem. O novo capítulo da franquia não é tão ruim, acerta em dar um tom investigativo na trama - que poderia só ser mais desenvolvida -, tem os sustos que todos gostam, os mistérios, as possessões, sessões de exorcismos, situações exageradas, os clichês, mas sim, é inferior aos outros. Talvez, o que mais tenha deixado os fãs menos empolgados é pelo fato de a trama seguir um rumo diferente - a investigação -, o que não é ruim, até porque, mais um filme de mansão mal assombrada poderia não dar certo.

INVOCAÇÃO DO MAL 3: A ORDEM DO DEMÔNIO
Ano: 2021
Direção: Michael Chaves
Distribuidora: Warner Bros
Duração: 112 min
Elenco: Patrick Wilson, Vera Farmiga, Ruairi O’Connor, Sterling Jerins
NOTA: 8,0
Disponível na
O CASO REAL DA POSSESSÃO DE ARNIE JOHNSON
O caso de possessão de Arne Johnson (que aconteceu entre 1980 e 1981) foi o primeiro caso usado como defesa em um tribunal dos EUA para inocentar uma acusação de assassinato. Tudo começou quando o garotinho David Glatzel disse ter sido ameaçado por um idoso que falava em latim, e pouco tempo depois, David começou a ter comportamentos estranhos – falar idiomas diferentes, agir de forma estranha, ter pesadelos constantes, e ver entidades demoníacas -. Então, a família Glatzel decidiu chamar um padre, que acabou indicando Ed e Lorraine Warren para ajudá-los, e após algumas sessões de exorcismos, foram identificados diversos demônios no corpo do garotinho. Assim como no filme, em uma sessão de exorcismo, o jovem Arne Johnsson estava presente – ele era o namorado da irmã de David -, e ele acabou desafiando o demônio a possuir o seu corpo ao invés de David.

Semanas depois, Arne também começou a agir de forma estranha - situações parecidas com a de David -, e no dia 16 de fevereiro de 1981, o jovem esfaqueou e matou Alan Bonno, dono de um canil onde sua namorada, Debbie, trabalhava. Nesse fatídico dia, Arne e Debbie estavam em um almoço com familiares, Bonno estava bêbado, importunou as mulheres, e Arne pediu para ele parar. Nesse momento, ele começou a mostrar sinais de possessão, pegou faca e matou Bonno, segundo relatos das testemunhas, e Arne foi encontrado vagando pela estrada a cerca de 3km do local do assassinato. O jovem foi preso, e logo depois, Lorraine foi até a delegacia da cidade e disse que Arne estava possuído por um demônio na hora do crime, fato que foi usado para a defesa do acusado; a expressão usada pela sua defesa, "o diabo me obrigou a fazer", ficou bastante famosa. Durante o julgamento, Ed e Lorraine Warren confirmaram o caso de possessão de Arne, e Debbie disse que ele também agia da mesma forma que seu irmão, David, quando estava possuído. Apesar dos esforços, Arne foi condenado a até vinte anos de prisão, onde cumpriu apenas cinco por bom comportamento. E quando saiu, ele se casou com Debbie.

Alguns acontecimentos foram criados para o filme, e não tiveram nenhuma relação com o caso de possessão de Arne.
O culto dos carneiros que Ed e Lorraine descobrem, assim como o totem de bruxa que havia sido encontrado embaixo da casa dos Glatzel, não existem no caso real.
O ritual de exorcismo de David realmente aconteceu, porém, muitas coisas foram adicionadas para deixar tudo mais assustador, como fato de o garotinho se contorcer todo na mesa.
Isla - chamada no filme de "a ocultista" -, uma satanista que amaldiçoou a família Glatzel, não tem nenhuma ligação com o caso de possessão de Arnie, e muito menos existe nos arquivos de Ed e Lorraine.
No filme, Ed e Lorraine ajudam a polícia a investigar um caso de assassinato: Jéssica estava possuída quando assassinou a facadas sua amiga, Kate, em uma floresta no estado de Massachusetts. Essa caso também foi inventado para o filme, porém, é verdade que Lorraine ajudou a polícia a investigar diversos casos.
Como tática de defesa, Ed e Lorraine mencionam para a advogada que havia um caso na Inglaterra onde uma possessão demoníaca foi usado em tribunal. O caso que o filme fala é de Michael Taylor, um homem que assassinou a sua esposa em um ritual de exorcismo, onde estava possuído. No final, Michael foi absolvido por questões de insanidade mental, sendo internado em um hospital psiquiátrico, e liberado anos depois.


ENTREVISTA DE ED E LORRAINE SOBRE O CASO DE ARNIE











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