CRÍTICA | FRANKENSTEIN
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 16 de jan.
- 4 min de leitura


09 Indicações ao Oscar: Melhor FILME, Melhor Ator Coadjuvante (Jacob Elordi), Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Design de Produção, Trilha Sonora, Maquiagem e Penteado, e Melhor Som.
O romance Frankenstein, da escritora Mary Shelley lançado em 1818, já teve diversas adaptações cinematográficas, sendo a mais famosa a de 1931, dirigido por James Whale (1889 – 1957), considerado um dos maiores diretores de filmes de terror de monstros do cinema. Agora, temos mais uma versão do clássico monstro, dirigido por nada menos que Guilhermo Del Toro, lançado pelo serviço de streaming Netflix. O diretor e roteirista mexicano já tem experiência em criar cenários mágicos, fantasiosos, e criaturas magnificas – O Labirinto do Fauno, A Forma da Água, Pinóquio, Hellboy -, então, o legado de Frankenstein está em ótimas mãos. Mas será que está mesmo? E o interessante é que Del Toro sempre sonhou em adaptar o romance de Mary Shelley, e tem mais: o universo de Frankenstein realmente é a cara do diretor.
O novo filme respeita e mantém toda a essência do romance original, mas com aquele toque mais emocional e dramático típico do diretor, e acompanha o cientista Victor Frankenstein (Oscar Isaac) que, após a morte de sua mãe ainda criança, sempre sonhou em encontrar uma “fórmula para a eternidade”. Durante a faculdade, Victor desenvolve um jeito de trazer cadáveres de volta a vida, o que assusta todos os docentes, mas acaba chamando a atenção de Henrich Harlander (Christoph Waltz), que o convida para continuar os seus experimentos. Após meses, e preso na sua própria ambição, Victor consegue trazer à vida uma criatura através de partes de vários corpos humanos, e agora, o cientista precisa lidar com as consequências da sua criação. Mia Goth, Chalres Dance, e Felix Kammerer também estão no elenco.

Dividida em duas partes (após a sequência de introdução), a do ponto de vista do criador, Victor, e do ponto de vista da criatura, interpretada por Jacob Elordi, a nova versão de Frankenstein de Guilhermo Del Toro não é, necessariamente, um filme de terror, aliás, o próprio diretor disse que não é. Mesmo com os cenários góticos, a ambientação assustadora de época, o sangue e os corpos mutilados, o novo filme está mais para um drama com toques de terror, mas isso não tira o mérito da produção. A direção de arte, figurinos, são espetaculares – não é atoa as indicações ao Oscar nessas categorias -, a torre da mansão é gótica e incrivelmente bela, os cenários grandiosos se destacam em todas as sequências, a experiência em uma tela de cinema seria muito mais aproveitada. O problema maior é que o roteiro é estendido demais, principalmente o início, mas nada que deixa a produção tão cansativa – são 2h30 de duração -. Seguindo a linha dos filmes de Del Toro, o texto do novo Frankenstein é mais dramático, sentimental, refletindo bastante na criatura: ele não é um monstro, ele não entende por que foi criado, realmente não sabe nada, nem falar, caminhar, não entende a realidade, e o interessante é que a criatura começa a aprender a ser um humano, interagir com os outros, criar laços e sentimentos. O monstro de verdade acaba sendo o seu próprio criador.
Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, Jacob Elordi é o maior acerto de Frankenstein, desde os trejeitos, a postura, os movimentos, as feições, além de ter uma performance mais contida, silenciosa, mas que consegue transmitir toda a dor, a solidão, o medo, o sofrimento do personagem, e o mais interessante é que, em grande parte do filme, ele mal tem diálogos longos. Com apenas um olhar, ele consegue deixar a criatura com uma sensibilidade incrível, potencializando ainda mais o drama do "criador vs. criatura" que o roteiro propõe. Guilhermo Del Toro elogiou o ator em diversas entrevistas, e uma curiosidade: Elordi passou diariamente por um intenso processo de maquiagem que durou cerca de dez horas. Oscar Isaac também se destaca no papel de Victor, o criador da criatura, conseguindo demonstrar toda a loucura, obsessão, e a excentricidade do personagem, fugindo um pouco do estereótipo do “cientista louco”, que também acaba se tornando mais humano – claro, estamos assistindo um filme de Del Toro -.

Já o mesmo não se pode dizer de Mia Goth e Christoph Waltz. A atriz e filha da também atriz Maria Gladys, tem pouco destaque na trama, apesar do carisma e dos ideais da personagem, e meio que forma um par romântico com a criatura interpretada por Jacob Elordi, mas esse romance não funciona. Goth também interpretou a mãe de Victor Frankenstein no início do filme, e curiosamente, a atriz tinha um certo medo de insetos, mas conseguiu superar. Waltz também é muito pouco aproveitado na história, e sua interpretação não tem nada de diferente dos seus outros papéis no cinema. Seu personagem, um fabricante de armas que financia os experimentos de Victor, poderia ter um papel maior, mas contribui para a loucura de seu pupilo, Victor.
Em suma, a nova adaptação de Frankenstein de Guilhermo Del Toro funciona mais pelo seu apelo visual e a incrível atuação de Jacob Elordi, do que pela história em si. O diretor mexicano dá o seu toque pessoal para a história do “cientista louco” que cria algo assustador, com uma trama mais sentimental, ficando claro na sequência final, no reencontro emotivo de Victor Frankenstein com a sua criação. O monstro, na verdade, é o próprio Victor, o criador, e não a criatura gerada pela sua loucura e obsessão, que não desejou nascer, e que agora não consegue ter o seu descanso eterno. Guilhermo Del Toro da o seu toque pessoal típico de seus filmes para a nova versão do romance de Mary Shelley, mas mantém todos os elementos básicos que tornou Frankenstein um clássico gótico da literatura mundial, e do cinema.

FRANKENSTEIN
Ano: 2025
Direção: Guilhermo Del Toro
Distribuidora: Netflix
Duração: 150 min
Elenco: Jacob Elordi, Oscar Isaac, Mia Goth, Christoph Waltz
NOTA: 8,5
Disponível na











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