CRÍTICA | TODO MUNDO EM PÂNICO 5
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 19 de abr.
- 4 min de leitura

Para ou para o mal, a franquia Todo Mundo em Pânico marcou a sétima arte com o seu humor besteirol que satirizava filmes – principalmente de terror –, e marcou uma geração que procurava algo novo, rir sem compromisso e se divertir. Originalmente criado pelos irmãos Wayans (Marlon, Shawn e Keenen Ivory), que produziram/dirigiram os dois primeiros filmes, e depois entrou David Zucker nos terceiro e quarto filmes, a franquia introduziu duas personagens amadas pelos fãs, Cindy (Anna Faris) e Brenda (Regina Hall), as únicas que apareceram em todos os filmes até então.
Sendo bem direto, a franquia era para ter acabado em Todo Mundo em Pânico 4 – e parecia que ia, já que o arco de Cindy e Brenda terminou ali, e também a franquia já estava mostrando sinais de cansaço -, e como eu já disse na outra crítica, Todo Mundo em Pânico não é Todo Mundo em Pânico sem as duas personagens. Pois bem, sete anos depois, alguém achou que seria uma boa ideia fazer mais um filme da franquia, e os produtores receberam sinais que não deveriam ressuscitar a série, já que Anna Faris e Regina Hall se recusaram a voltar para seus papéis. David Zucker, que havia assumido o terceiro e quarto filmes, ficou apenas como produtor – os irmãos Wayans nem sinal -, e agora a direção tinha ficado nas mãos de Malcolm D. Lee (não conheço, mas ele dirigiu a continuação Space Jam: Um Novo Legado, em 2021). Resultado? O pior filme da franquia, uma sucessão de erros e de piadas sem graça nenhuma, uma chatice total.

A história principal satiriza Mama e Atividade Paranormal, mas também faz referências a Planeta dos Macacos, A Origem, Cisne Negro e A Morte do Demônio, entre outros; até Cinquenta Tons de Cinza (mas não o filme, o livro) foi satirizado. A trama começa com Charlie Sheen e Lindsay Lohan interpretando eles mesmos, onde Sheen acaba sendo morto por Lohan, que ficou possuída por um demônio. Ele tinha três filhos que acabaram desaparecendo e foram parar em uma casa abandonada junto com a presença de uma entidade chamada Mama. Anos depois, as crianças são encontradas, e acabam indo morar com seus tios, Jody (Ashley Tisdale) e Dan (Simon Rex), mas Mama acabou indo com elas, e a partir daí coisas estranhas começam a acontecer na casa. Snoop Dog, Erica Ash, Molly Shannon, e Ben Cornish (idêntico ao Leonardo DiCaprio) também estão no elenco.
Todo Mundo em Pânico 5 é cansativo de assistir, tudo fica chato e arrastado demais, e você vai dar risadas pouquíssimas vezes; os erros de filmagens nos créditos finais provavelmente são mais engraçados que o filme todo. Tudo no filme é desconexo, a edição perde o ritmo das piadas e o timing cômico não funciona, tem cenas que não tem ligação nenhuma com a trama principal, é como se fossem separadas do filme, adicionadas somente para serem engraçadas, mas acabam sendo ridículas e nada divertidas. A sequência de abertura com Charlie Sheen e Lindsay Lohan é constrangedora, a pior da franquia, e a intenção foi até válida, fazê-los debocharem de si mesmos, mas o que acontece logo em seguida – quando decidem transar – é uma longa sequência desastrosa e sem graça; literalmente você fica parado assistindo sem reação nenhuma. As piadas e as cenas engraçadas ao logo do filme se resumem aos personagens caindo, levando socos, chutes, objetos caindo em cima deles, e tudo piora quando o filme faz referência a Atividade Paranormal, com as câmeras espalhadas pela casa mostrando longas sequência com os personagens fazendo bizarrices sem graça.

Todos os personagens de Todo Mundo em Pânico são bobos, imaturos, mas pelo menos eram engraçados, carismáticos, e tinham uma personalidade marcante, e isso sempre foi o charme da franquia. Em Todo Mundo em Pânico 5, não se salva nenhum. Sem o retorno de Anna Faris e Regina Hall, os produtores foram atrás de Ashley Tisdale – esse tipo de humor não combina com ela, e ainda não consegue transmitir nenhum carisma para a personagem -, que na época estava em alta nos filmes High School Musical, e pelos seus dois álbuns lançados, Headstrong e Guilty Pleasure. Até fica visível uma tentativa repetir a dinâmica de duplas entre Tisdalde e Erica Ash, mas que não funciona. Simon Rex é um dos rostos conhecidos, que participou do terceiro filme, e agora ganha o protagonismo, mas o timing cômico do ator é péssimo. Lindsay Lohan e Charlie Sheen beiram ao ridículo – Lohan ainda mais, e Sheen já era de se esperar pelo jeito do personagem nos outros filmes da franquia -, e vale mencionar que Ben Cornish, que satiriza o personagem de Leonardo DiCaprio em A Origem, é a cara do DiCaprio, se falassem que eles eram irmãos, eu ia acreditar. O único personagem que mais consegue ser engraçado é o do Snoop Dog, que acaba sendo ele mesmo.
Realmente, Todo Mundo em Pânico 5 não deveria ter saído do papel, tudo é sem graça, desconexo, arrastado demais, os filmes parodiados não foram boas escolhas, e as piadas vão se repetindo a todo instante, resultado de um roteiro preguiçoso que acha engraçado os personagens caírem no chão, levarem paneladas na cara, e fazer idiotices nas câmeras. Até os erros de filmagens que aparecem nos créditos finais são mais engraçados que o filme inteiro. Mas também não vou ser tão injusto, porque algumas vezes as piadas e humor escrachado funcionam e conseguem tirar boas risadas do público, seja porque é ridículo de tão ruim, ou porque são realmente engraçadas. Tem gente que vai gostar do filme, e está tudo bem.

TODO MUNDO EM PÂNICO 5
Ano: 2013
Direção: Malcolm D. Lee
Distribuidora: Dimension Films
Duração: 85 min
Elenco: Ashley Tisdale, Simon Rex, Charlie Sheen, Lindsay Lohan,
Snoop Dog, Erica Ash, Molly Shannon, e Ben Cornish
NOTA: 3,0
Não está disponível em nenhum serviço de streaming.













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