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CRÍTICA | SUPERGIRL

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 26 de jun.
  • 4 min de leitura


Quando assumiu o comando da DC, James Gunn tinha a difícil tarefa de recolocar o nome do estúdio nos holofotes após uma sequência de produções que fracassaram, tanto de crítica quanto comercialmente. Fugindo daquela pegada mais sombria do universo de Zack Snyder, Gunn deu o pontapé inicial com o “carro chefe” da DC, Superman, lançado em 2025, entregando uma aventura mais alto astral e que realmente lembra um filme de super-herói, como os filmes clássicos estrelados pelo eterno Christoph Reeve; até o de 2006 também tinha essa pegada mais de HQ. Como mostrado nas cenas pós-créditos, o próximo passo era levar as telonas a prima de Clark Kent, Kara Zor-El, conhecida como “Supergirl”, com a atriz Milly Alcock no papel da heroína. Baseado na HQ “Supergirl – A Mulher do Amanhã”, o filme dirigido por Craig Gilespie ganha o espectador no carisma da personagem e em um “road movie” simpático, mas falha em seguir um caminho seguro e um roteiro genérico sem aproveitar o potencial dramático da história da HQ.


Na trama, a Supergirl Kara está comemorando seu aniversário em bares em diversos planetas, quando uma garotinha chamada Ruthye (Eve Ridley) aparece no mesmo bar que ela pedindo ajuda para se vingar de Krem (Matthias Schoenaerts), que matou toda a sua família. Primeiramente, ela se nega ajudar a jovem, mas após seu cachorrinho Krypto ser atingido por um dardo venenoso – e tendo apenas 3 dias de vida -, Kara decide ajudá-la a encontrar Krem, que possui um antídoto que pode salvar Krypto. Jason Momoa, David Corenswet, e Emily Beecham também estão no elenco.



A adaptação de Supergirl tinha forte potencial para ser um dos melhores filmes de super-heróis da DC – protagonista carismática e que mantém toda a essência da personagem, uma aventura no melhor estilo “road movie” (ou uma ópera espacial marcante), diversos mundos para explorar -, mas a direção inconstante e sem autoria de Craig Gilespie, e o roteiro que segue por caminhos básicos, coloca tudo a perder. E colocar a heroína como a segunda adaptação do universo da DC comandado por James Gunn foi acertada, fazendo um contraponto interessante com Kal-El: enquanto o homem de aço se consolida como uma esperança para a humanidade, a Supergirl tem um peso dramático maior ao carregar as cicatrizes de tudo o que presenciou ao ver a destruição de sua terra natal, Krypton – Kal-El fugiu antes da destruição, e quando ainda era bebê -. E o roteiro de Ana Nogueira (não, ela não é brasileira, mas eu também achei que era) explora bem essa parte, usando flashbacks e ligando pontos com a história do Superman, ainda que muito pouco.


O filme começa bem, mostrando as ações da nossa heroína e estabelecendo a personalidade forte da personagem, mas acaba perdendo força quando começa o “road movie”, que de certa forma funciona, mas o seu desenvolvimento limitado estraga o ritmo. O principal motivo é o desenvolvimento do vilão Krem, que praticamente passa o filme todo fugindo, e além de mostrar uma atuação contida, não se torna uma grande ameaça, anulando a sensação de perigo iminente, e atrapalhando a jornada de vingança. Outro detalhe que pode incomodar os fãs, mas não se torna tão relevante no resultado final, é a direção de Craig Gilespie ao ecoar diversas vezes o trabalho do próprio James Gunn em Guardiões da Galáxia, utilizando elementos da cultura pop – incluindo as músicas -, potencializada pela dinâmica ser parecida com as aventuras do Senhor das Estrelas.



O maior acerto de Supergirl é o desenvolvimento da própria heroína ao mostrar as cicatrizes dos traumas que carrega, moldando a sua personalidade mais rebelde e caótica, mas que confere um carisma incrível, potencializada pela ótima escolha de Milly Alcock para interpretar a personagem. Fugindo do estereótipo de boa moça, a heroína certinha, Alcock entrega uma Kara magnética e real, demonstrando força e vulnerabilidade perante a tudo que passou, e a sua dinâmica com a jovem Ruthye é o que da alma ao longa-metragem, ainda mais que ambas tem traumas parecidos. Uma adição inusitada é o personagem de Jason Momoa, que interpreta o caçador de recompensas Lobo, que soa mais como tentativa de criar um universo compartilhado, porque para a trama não é relevante.


Finalizando, Supergirl está longe de ser aquela bomba cinematográfica que justifique o fracasso total nas bilheterias, entregando uma introdução mediana que peca pelo roteiro conveniente, como limitar os poderes de Kara, seguir por caminhos básicos, e um vilão nada ameaçador, mas acerta na construção da personagem, mostrando-a mais humana e imperfeita, carregando as cicatrizes do seu passado; Milly Alcock entrega uma heroína carismática, complexa e maravilhosamente maluca. Acho que faltou um pouco mais de complexidade no roteiro, se comparado com a HQ, o que torna a trama de “road movie” de vingança sem o apelo dramático necessário. Não é um início tão promissor para a DC, mas de uma forma geral, mesmo sendo uma aventura bem genérica, Supergil funciona, é divertido, e simpático.




SUPERGIRL


Ano: 2026

Direção: Craig Gillespie

Distribuidora: Warner Bros. Pictures

Duração: 110 min

Elenco: Milly Alcock, Eve Ridley, Matthias Schoenaerts,

Jason Momoa, David Corenswet, e Emily Beecham



★★★ ½ 7,5














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