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CRÍTICA | SINAIS

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 13 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de jun.



Com o lançamento de O Sexto Sentido, em 1999, o diretor indiano naturalizado nos EUA, M. Night Shyamalan despontou em Hollywood como um dos cineastas mais promissores na época, e a cada lançamento de seus filmes, era envolto de grandes expectativas pelo público e pela crítica. Seu último filme realmente bom – ainda que tenha um final discutível -, foi A Vila, lançado em 2004, e a partir de então, a qualidade dos filmes de Shyamalan iam decaindo, sendo um que outro melhorzinho, mas nem perto do nível das suas primeiras produções. O Sexto Sentido é o filme definitivo da carreira do diretor, mas há um outro filme que “bate de frente” com ele: Sinais, o filme de extraterrestres estrelado por Mel Gibson e Joaquim Phoenix, lançado em 2002.


Quem já assistiu os filmes de M. Night Shyamalan sabe que, junto com sua história principal, o diretor aborda o drama pessoal de seus personagens, que geralmente são bem estruturados, além de ter uma trama repleta de suspense e tensão de “gelar a espinha”. E com Sinais não é diferente. A trama acompanha a família Hess, composta pelo pai viúvo Graham (Mel Gibson), seus filhos Morgan (Rory Culkin) e Bo (Abigail Breslin), e o seu irmão Merrill (Joaquim Phoenix), que moram em uma fazenda no interior de uma cidade na Pensilvânia. Um dia, ao acordarem, eles descobrem que o seu milharal foi danificado, mas que na verdade é um grande sinal em hieróglifo. Esse incidente coincide com as notícias de uma possível invasão alienígena, onde acabam sendo atormentados por algum ser misterioso.



Particularmente acho Sinais o melhor filme de Shyamalan, principalmente porque gosto do tema sobre extraterrestres, mas também porque é um filme surpreendente e genuinamente assustador. O suspense e mistério já começam desde a primeira cena, e a sensação de que algo está errado, fica presente durante a sessão toda. Shyamalan cria sequências impressionantes, daquelas de ficar arrepiado, tenso, e isso tudo praticamente sem nenhum susto. Seja a aparição no telhado da casa, ou a aparição no milharal a noite, a gravação de uma festa na cidade de Passo Fundo, no Brasil, momentos esses que nos fazem ficar ainda mais ligados na história. A trama é centrada na fazenda da família de Graham, e mesmo que esteja acontecendo uma invasão alienígena a nível mundial, pouco sabemos o que está acontecendo mundo afora, apenas através de noticiários na TV, ou quando eles vão até a cidade para um breve momento de distração. Essa escolha narrativa é eficiente porque nos conecta diretamente com os personagens e nos momentos tensos que estão passando. E as vezes parece que a trama com os alienígenas fica em segundo plano, já que Shyamalan também foca bastante no desenvolvimento dos personagens e nas relações familiares. A fé, Deus, religião, as vezes são temas mais importantes do que a trama alienígena.


Os personagens vão sendo sutilmente construídos de uma forma que a gente se importe com o que vai acontecer com eles, e à medida que a história vai se desenvolvendo, vamos descobrindo sobre o passado que moldaram as suas personalidades. E como de costume nos filmes de Shyamalan, cada detalhe, cada situação, são relevantes para o desfecho da trama, seja uma lembrança triste, ou um dos filhos ter asma, ou copos d’agua espalhados pela casa, aparentemente por estarem contaminados. A trama de Sinais vai muito além de uma invasão alienígena – mas sem naves espaciais ou cidades destruídas -, é também sobre a perda da fé de um homem religioso por um acidente que impactou sua vida e a de sua família. E esses momentos mais dramáticos se misturam com as cenas mais intensas, como quando os alienígenas estão tentando entrar na casa da família enquanto Graham conta detalhes sobre o nascimento de seus filhos, potencializando ainda mais a tensão e o nervosismo da situação.



A atuação de todo o elenco é fenomenal. Desde o jeito reservado de Graham (Mel Gibson), até o jeito mais marrento e tímido de Merrill (Joaquim Phoenix), cada um com seu drama particular, mas conectados por um trauma em comum, são interpretações simples, mas profundas e com um peso dramático perceptível. As crianças também estão ótimas: Morgan (Rory Culkin, o irmão de Macaulay Culkin) apresenta uma maturidade espetacular, cuida de todo mundo e tem controle da maioria das situações, e Bo (Abigail Breslin), a fofura e carisma em pessoa, com seu jeito mais inocente e doce que rouba a cena. Tem até a participação de Shyamalan – como de costume em todos os filmes, que se baseou em sua maior inspiração, Alfred Hitchcock -, que faz parte de um momento importante para a história, são atuações profundas, inspiradas e marcantes que potencializam ainda mais a tensão e a emoção dos acontecimentos.


O desfecho de Sinais é outro primor narrativo. Não é aquele final revelador, como o personagem que já está morto, ou que os moradores da vila estão isolados nos dias atuais (achando que estão no século 20), mas é um final impactante e arrepiante, visualmente principalmente, onde os detalhes mostrados ao longo do filme fazem todo sentido, tudo está conectado, ou são coincidências, como se cada momento fosse uma pista para um acontecimento no futuro, e que finalmente chegou. A fotografia de Tak Fujimoto cria uma sensação de isolamento e desconforto em torno da casa da família de Graham e da plantação de milho, e com a ajuda da trilha sonora composta por James Newton Howard, a sensação de que algo vai acontecer, o medo, o mistério, são iminentes, e só potencializam ainda mais a intensidade das cenas. É difícil encontrar um erro sequer de Sinais, talvez os efeitos em CGI dos alienígenas que aparentam um pouco artificiais, mas nada que comprometa o resultado final da obra. Sinais é um filme impecável, repleto de momentos tensos, muito suspense, situações impressionantes, um filme cheio de metáforas, abordando temas como luto, religião, fé, com uma sensibilidade profunda, e tudo isso no meio de uma invasão alienígena. É cinema puro.






SINAIS


Ano: 2002

Direção: M. Night Shyamalan

Distribuidora: Buena Vista

Duração: 109 min

Elenco: Mel Gibson, Joaquin Phoenix, Rory Culkin, Abigail Breslin


★★★★★ 10



Disponível no















A CENA DO ALIENÍGENA NA CIDADE DE PASSO FUNDO

















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