CRÍTICA | FOGO NO CÉU
- Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
- 16 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 19 de jun.

Se você parar para pesquisar, verá que existem diversos casos de abdução alienígena – não existe um número exato, mas são mais 1.500 casos documentados, fora os que não foram catalogados oficialmente -. Desde o caso do fazendeiro Antonio Villas-Boas, no Brasil, até a abdução de Betty e Barney Hill nos EUA, entre milhares de outros, esses relatos sempre são taxados como falsos e como forma de ganhar atenção na mídia – se já descredibilizam os casos de avistamentos de ovnis, imagina os de abdução -. E para nível de curiosidade, a maioria dos casos de abdução relatados envolviam os alienígenas chamados de “Greys”. Nos anos 70, um dos casos mais famosos de abdução aconteceu com o americano Travis Walton, no Arizona, que desapareceu por cinco dias até ser encontrado em um posto de gasolina, totalmente atônito e sem reação. Anos depois, Walton lançou o livro “The Walton Experience”, um relato sobre a sua abdução, que posteriormente se tornaria o polêmico filme “Fogo No Céu”, lançado em 1993.
Dirigido por Robert Lieberman, “Fire in the Sky”, no original, foi baseado parcialmente na obra, alguns eventos foram alterados, e muitas situações foram aumentadas, exageradas, tanto é que o próprio Walton não aprovou totalmente o filme. Na trama, o lenhador Travis Walton (D. B. Sweeney) estava voltando do trabalho com seus amigos, quando eles avistaram uma estranha iluminação vermelha dentro da floresta. Ao chegarem no local, curioso e fascinado pelo que estava vendo, Walton sai do carro e acaba sendo abduzido, desaparecendo por cinco dias. Rapidamente o caso viralizou na mídia, e seus amigos foram acusados de assassinato, tendo que enfrentar a opinião pública e as autoridades para provarem a sua inocência. Robert Patrick, Craig Sheffer, Peter Berg, Henry Thomas, e Kathleen Wilhoite também estão no elenco.

Fogo no Céu é amplamente lembrado pela polêmica e perturbadora cena em que os alienígenas fazem experimentos com Walter, que causou um grande impacto na época, além de ser um dos filmes sobre mais importantes sobre extraterrestres, um clássico cult da ficção-científica. Mas a produção já impressiona o espectador muito antes, na sequência onde Travis é abduzido, repleto de tensão, suspense e mistério, com ótimos efeitos práticos, o desespero dos personagens, e junto com a intensidade da cena, potencializam ainda mais a situação. Depois, a narrativa se torna um ótimo drama investigativo, quando os amigos contam o que presenciaram, mas ninguém acredita, e é aí que eles precisam provar que estão falando a verdade, inclusive passando por um teste de poligrafo (conhecido como detector de mentiras). O elenco todo estão em ótima sintonia, principalmente os amigos lenhadores, conseguindo transmitir toda a tensão pelo que estão passando. E é interessante ver Robert Patrick, que dois anos antes interpretou o cyborg T-1000 em O Exterminador do Futuro 2, em um filme independente e pouco conhecido; aliás, o ator está quase que irreconhecível no papel do melhor amigo de Walton, Mike Roger.
Com o aparecimento de Travis Walton, a trama muda completamente de ritmo, focando mais no personagem em voltar a sua rotina e se recuperar do ocorrido, onde aos poucos vai se lembrando de tudo o que aconteceu. D. B. Sweeney interpreta com muita intensidade e realismo o trauma e a dor por ter sido abduzido e feito de cobaia pelos extraterrestres. Aos poucos, vamos descobrindo todos os eventos após a abdução através de flashbacks assustadores e repentinos, até chegar na famosa sequência do experimento abusivo que o Walton sofreu. A recriação do interior da nave, toda a estética suja e orgânica, um incrível design de produção que torna tudo ainda mais real, e a caracterização dos alienígenas continua assustadora, com efeitos práticos que impressionam até hoje, principalmente na cena dos experimentos, considerada uma das mais perturbadoras e claustrofóbicas do gênero.

Fogo no Céu não é um filme perfeito, o ritmo lento pode incomodar alguns espectadores, mas a trama prende a atenção com o inusitado relato de Travis Walton e a angustiante sequência de abdução. Enquanto a primeira metade da fita funciona como um drama psicológico cheio de mistérios com investigação policial, a sequência final dentro da nave alienígena é claustrofóbica e impressionante, uma marco do gênero, com efeitos práticos que, na minha opinião, superam os grandes efeitos ruins do CGI moderno. A conclusão pode frustrar quem procura respostas completas, já que o filme fica em aberto, mas consegue fazer o espectador sentir a sensação de impotência diante do desconhecido, no caso aqui, uma abdução alienígena. Para quem curte assuntos de extraterrestres, Fogo no Céu é um filme obrigatório.

FOGO NO CÉU
Ano: 1993
Direção: Robert Lieberman
Distribuidora: Paramount Pictures
Duração: 109 min
Elenco: D. B. Sweeney, Robert Patrick, Craig Sheffer, Peter Berg,
Henry Thomas, e Kathleen Wilhoite
★★★ ½ 7,5
Não está disponível em nenhum serviço de streaming
A FAMOSA CENA DA ABDUÇÃO
PARTE 1
PARTE 2














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