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CRÍTICA | CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 5 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de jun.



A maioria dos filmes sobre extraterrestres os abordam como seres malignos que querem destruir a Terra – Independence Day, Sinais, O Dia em que a Terra Parou, Guerra dos Mundos, entre outros -, mas quem sabe eles não sejam tão ruins assim? Produções como A Chegada seguem para um outro caminho, que esses seres querem se comunicar com a gente, vieram em “missão de paz”, seja lá qual for o motivo. E é por esse caminho que o filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau segue. Steven Spielberg sempre foi um excelente contador de histórias, e sempre foi fascinado por alienígenas, dirigindo o clássico E.T. – O Extraterrestre, Guerra dos Mundos, até abordou “seres interdimensionais” em O Reino da Caveira de Cristal – e agora em 2026 vai lançar o aguardado “Dia D” -.


Contatos Imediatos do Terceiro Grau é o primeiro filme de ficção-científica de Spielberg, e o seu segundo longa-metragem (o primeiro foi Tubarão), considerado um clássico do gênero da ficção sobre extraterrestres e que serviu como base de inspiração para outros filmes que abordam contatos com extraterrestres. Na trama, Roy (Richard Dreyffus) teve contanto imediato com um OVNI, mudando a sua vida para sempre: ele começa a ficar obcecado e a procurar respostas para o que ele presenciou, e descobre que algo grandioso pode acontecer. Ao mesmo tempo, Jillian Guiler (Melinda Dillon) afirma que seu filho foi abduzido, despertando a atenção de Roy. Então, os caminhos de ambos acabam se cruzando, e juntos decidem investigar o que realmente está acontecendo.



Antes de começar a crítica, só para conhecimento, a ufologia classifica quatro principais tipos de contatos com alienígenas: o de primeiro grau são as aparições dos óvnis no céu, e o de segundo grau são as “evidências físicas” (marcas no solo – os famosos sinais nas plantações, por exemplo -), eventos eletromagnéticos, animais agindo estranhos, e por aí vai. Os contatos de terceiro grau, o do filme em questão, é quando ocorre o contato direto com os seres alienígenas, que pode ser individual ou quando aparecem para a humanidade, e os de quarto grau são os casos de abdução. Esses são os principais, mas existem mais três que envolvem comunicação direta de humanos com os extraterrestres, casos onde as pessoas acabam se machucando ou até morrendo, e o último envolve o cruzamento entre os humanos e os alienígenas, resultando na criação de híbridos.


Steven Spielberg sabe como contar histórias e prender a atenção do seu público, principalmente quando envolve algo grandioso com repercussão mundial, e Contato Imediatos do Terceiro Grau não é diferente. A trama é dividida em três caminhos distintos que no fim acabam se cruzando, e tudo é desenvolvido naturalmente sem perder o ritmo. E Spielberg consegue manter o clima de mistério durante o longa todo: seja na sequência de abertura com o surgimento de caças da aeronáutica antigos, as aparições das naves alienígenas (a sequência com Roy no carro dele é uma das mais impressionantes do longa, puro “Arquivo X”), a intensa sequência de abdução do garotinho, a obsessão de Roy com a aparição das naves e que algo maior está para acontecer, a perseguição do governo americano contra eles, e por fim, o desfecho impressionante, de um primor técnico impecável.



O roteiro também desenvolve bastante o lado humano e o drama dos protagonistas, com ênfase na loucura de Roy. O personagem fica tão obcecado – tanto pelo que viu quanto pelas visões com a “Torre do Diabo” (que realmente existe) -, que acaba destruindo a sua família sem perceber. Richard Dreyfuss constrói tão bem seu personagem que consegue demonstrar perfeitamente a sua obsessão, e podemos dizer determinação também, em encontrar as respostas que tanto quer, seja pelas suas expressões ou as atitudes estranhas que acaba tendo. Melinda Dillon também está ótima no papel de Jillian, que também demonstra estar obcecada em descobrir o que está acontecendo, mas principalmente determinada em encontrar o seu filho, Barry, que foi abduzido. E o roteiro de Spielberg também acerta em unir Roy e Jillian em busca de respostas, já que ambos compartilham o mesmo objetivo. A química entre Dreyfuss e Melinda é boa, fazendo o público torcer por eles.


A parte técnica de Contatos Imediatos do Terceiro Grau é impecável em todos os sentidos, recebendo diversas indicações ao Oscar, mas perdeu a maioria por causa de outro blockbuster, Star Wars – Uma Nova Esperança, que estreou no mesmo ano. Os efeitos especiais, principalmente os efeitos práticos, são ótimos, levando em consideração a época do lançamento, principalmente as cenas com as naves alienígenas, incrivelmente coloridas e belas – em especial a cena final -, e os planos sequências abertos mostrando um cenário muito mais amplo, que são melhores utilizadas nas aparições dos óvnis, e também no clímax. Tem ainda a trilha sonora de John Williams que ajuda no suspense, no mistério, e com alguns tons mais exagerados para as cenas mais fantásticas.



E claro, a cena final com a revelação da gigantesca nave alienígena, sequência que entrou para a história como um dos momentos mais icônicos da ficção. Toda a sequência final, desde a preparação para esperar a nave, até o pouso e a aparição dos seres alienígenas, um primor técnico irretocável e um visual que encanta todo mundo que assiste. E destaque ainda para a trilha das cinco notas criadas por Williams, que é usada para se comunicar com os seres da espaçonave. Simplesmente genial, uma bela sinfonia. Aliás, essa forma de comunicação inspirou a obra “A Chegada”, e consequentemente o filme, só que a humanidade se comunica de outra forma. Contatos Imediatos do Terceiro Grau é um obra prima da ficção, um espetáculo visual que impressiona e encanta até hoje, mudando a visão do cinema de que o primeiro contato com seres alienígenas poderia ocorrer de forma hostil, como a maioria dos filmes abordava o tema. É o mais puro cinema de Steven Spielberg.






CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU


Ano: 1977

Direção: Steven Spielberg

Distribuidora: Columbia Pictures

Duração: 137 min

Elenco: Richard Dreyfuss, Melinda Dillon, Teri Garr, François Truffaut



★★★★★ 9,5



Disponível no















SEQUÊNCIA FINAL: PARTE 1






SEQUÊNCIA FINAL: PARTE 2: A NAVE MÃE






SEQUÊNCIA FINAL: O CONTATO COM OS ALIENÍGENAS


















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