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CRÍTICA | A PRESENÇA (2020)

  • Foto do escritor: Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
    Paulo Ricardo Cabreira Sobrinho
  • 9 de mai.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 19 de jun.



Invasão alienígena, contatos com extraterrestres, abduções, o cinema sempre abordou esses temas de diversas maneiras. Já tivemos ataques alienígenas em Independence Day e Guerra dos Mundos, sinais misteriosos no milharal da fazenda de Mel Gibson, em Sinais, pessoas abduzidas no filme Fogo no Céu, e até contatos com naves alienígenas em Contatos imediatos de Terceiro Grau, A Chegada, e Contato (com Jodie Foster), a lista é enorme e bem diversificada. Mas tem um filme que foi lançado em 2020 (2021 no Brasil) que acabou tendo uma divulgação modesta, e é pouco conhecido pelo grande público: A Presença (Proximity) – as vezes conhecido também como “O Contato Alienígena" -. “Proximity” é um filme bem diferente, com uma ideia original e interessante (que se encaixa perfeitamente com o cenário atual), mas com um roteiro irregular e uma mistura que acaba prejudicando o ritmo do filme, Na trama, o jovem Isaac (Ryan Masson) está fazendo sua caminhada e gravando um vídeo no momento em que algo cai nas montanhas ao redor da cidade. O rapaz então decide procurar o local da queda, acaba filmando o seu encontro com um ser alienígena, foge, mas é abduzido. Impressionado com tudo o que aconteceu, Isaac decide publicar seu vídeo e o relato na internet. Porém, o resultado acaba sendo bem diferente do que ele esperava: muita gente não acreditou nele, a mídia está tentando desmentir sua história, e ainda começa a ser perseguido por uma misteriosa entidade governamental.


“A Presença” aborda abdução e contatos alienígenas de uma forma bem diferente e interessante, porém, tem um edição estranha e um ritmo bem irregular, mas ainda é um bom filme sobre o tema. A trama começa bem, a primeira aparição do extraterrestre e a nave alienígena, as tentativas de contar a verdade com o vídeo publicado, a mídia desmentindo, a busca do personagem por respostas para entender o que aconteceu com ele, são situações que fisgam o espectador na trama. Tem teorias da conspiração sobre os alienígenas, corporações governamentais perseguindo os protagonistas, e as aparições dos alienígenas são bem reais e chamam bastante a atenção. E essa parte da corporação é um pouco estranha: a vibe meio futurista, os robôs de uniforme branco pilotando motos (provavelmente inspirado nos filmes da franquia “Tron”, ou até em videoclipes do “Daft Punk”), e as instalações de alta tecnologia, são bem interessantes, mas a história de conspiração que envolve essa corporação misteriosa não convence, além de ser um pouco forçada, e as cenas de perseguição não empolgam também.



Apesar desses problemas de ritmo na história, a parte técnica de A Presença é impecável (tirando a edição), ainda mais para uma produção que parece ser independente. Os efeitos em CGI dos alienígenas e das naves espaciais são incríveis e convincentes, um ótimo trabalho do diretor Eric Demeusy (ele também supervisionou os efeitos especiais do filme), que já tem experiencia no ramo com o filme “Tron: O Legado”. As cenas em que os alienígenas aparecem são bem-produzidas e interessantes – os melhores momentos da produção -, visualmente impressionantes e que chamam a atenção. No quesito atuações, Ryan Masson é o que mais se destaca entre os personagens, seu arco dramático é bem desenvolvido – a repercussão do vídeo publicado -, e o carisma do ator ajuda na torcida para encontrar respostas. Sara (Highdee Kuan) é uma boa adição à trama, que também foi abduzida e encontra em Isaac um confidente, já que ambos passaram pela mesma situação; o roteiro até cria um envolvimento amoroso bonitinho entre os personagens, mas não combina muito com os acontecimentos – e também não convence -. O personagem Zed é divertido, um tipo de hacker que vive no meio do mato na Costa Rica e consegue acessar os sistemas da NASA, que também não convence, além de ser uma situação inusitada.



A sequência final de “Proximity”, com a aparição dos extraterrestres, é muito interessante, e toda a situação é extremamente original, porém, a motivação dos alienígenas em aparecer na Terra é totalmente questionável, e que certamente irá dividir opiniões. De uma forma geral, A Presença é um filme que vale a pena dar uma chance, tem tudo o que a gente gosta em um filme do gênero, extraterrestres, conspirações, mistérios, corporações misteriosas, perseguições, ainda que tenha um ritmo instável, e motivações fracas. A parte mais é interessante (além das aparições dos alienígenas) é o início, quando Isaac posta o vídeo na internet e toda a repercussão, com a mídia descredibilizando e a maioria achando que é fake, algo muito comum na vida real. Não é um filme perfeito, a qualidade é bem duvidosa, mas vale o play, ainda mais pela situação atual com as aparições de ovnis, e também é um bom aquecimento para o lançamento de “Dia D”, nova produção de alienígenas de Steven Spielberg.






A PRESENÇA


Ano: 2020

Direção: Eric Demeusy

Distribuidora: Shout Studios/ Amazon Prime

Duração: 120 min

Elenco: Ryan Masson, Highdee Kuan, Christian Prentice



★★★ ½ 7,5



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